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Fórum Econômico de Davos vai lidar com ordem global abalada por Trump

13 jan 2026 - 10h35
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As elites empresariais e políticas vão participar na próxima semana da reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, em um momento em que sua visão de uma ordem econômica global baseada em regras está sendo levada ao limite.

A esperada presença do presidente dos EUA, Donald Trump, no resort de montanha suíço destaca a discrepância entre a agenda e a ‌abordagem consensual do Fórum Econômico Mundial, que enfrenta críticas constantes por ser um mero evento de debates para os ricos.

A política de Trump baseada no conceito de "America First" (América Primeiro) levou ‌ao uso de tarifas comerciais como punição aos países, à intervenção militar na Venezuela, à ameaça de anexação da Groenlândia pela força e ao afastamento dos EUA da cooperação internacional em questões climáticas e de saúde, entre outros desafios globais.

O governo Trump também ameaçou o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, com uma acusação criminal, o que levou muitos dos principais banqueiros centrais a emitirem uma declaração em defesa do colega norte-americano e da independência do banco central.

Ao intitular sua 56ª edição de "Um Espírito de Diálogo", os líderes do ‍Fórum Econômico Mundial afirmam que, dada a incerteza atual, reunir-se para traçar um caminho a seguir nos negócios e na política é crucial.

"O diálogo não é um luxo, é uma necessidade", afirmou o presidente e CEO do Fórum, Borge Brende, ex-ministro norueguês.

Mas outros argumentam que, com os EUA e a China usando seu poder para atender a interesses nacionais, o Fórum Econômico Mundial corre o risco de se tornar obsoleto.

"Quem vai defender a ordem internacional baseada em regras?", questionou ‌Daniel Woker, ex-embaixador suíço e especialista em relações exteriores.

"Para ser bem franco, num sistema em que cada um só pensa em ‌si mesmo, isso não tem razão de existir. É um evento do passado."

Os observadores de Davos também estão analisando se o evento perdeu força desde que seu fundador, Klaus Schwab, de 87 anos, deixou a presidência, em abril.

A organização sediada em Genebra afirmou, em agosto, que uma investigação interna não encontrou indícios de irregularidades materiais por parte de Schwab, após carta de um denunciante alegar má conduta. Ela nomeou Larry Fink, presidente-executivo da BlackRock, e André Hoffmann, vice-presidente do conselho da Roche, como co-presidentes interinos.

O Fórum mais recente tem muito a discutir, desde como lidar com a versão de Trump da Doutrina Monroe, que estabelece a supremacia dos EUA no hemisfério ocidental, até as maneiras pelas quais a inteligência artificial está mudando o mundo.

PETRÓLEO ESTÁ DE VOLTA

Em reuniões informativas prévias ao evento, o Fórum Econômico Mundial adotou uma postura otimista em relação à turbulência global, destacando como as empresas buscaram se adaptar às taxas alfandegárias mais altas dos EUA desde a Grande Depressão e apontando para uma redução das tensões comerciais no final de 2025.

Ainda assim, uma pesquisa da organização com executivos, divulgada na semana passada, mostrou que fazer negócios ficou mais difícil em 2025. A pesquisa também apresentou um panorama pessimista da cooperação em matéria de paz e segurança.

Com a presença esperada de vários líderes europeus, as atenções estarão voltadas para como eles responderão aos desafios dos EUA, incluindo as ameaças de Trump de anexar a Groenlândia e os ataques aos esforços europeus para regulamentar as empresas de tecnologia norte-americanas.

"Os políticos precisam se manter firmes", disse Christy Hoffman, secretária-geral da UNI Global Union, que representa 20 milhões de trabalhadores do setor de serviços em todo o mundo, instando os legisladores a abordarem como a IA e as novas tecnologias impactam os empregos.

Uma das características da reunião do Fórum Econômico Mundial deste ano será a presença de executivos de alto escalão do ‌setor petrolífero, ansiosos para ouvir Trump promover sua agenda de domínio energético, que incentiva mais perfurações de poços de petróleo e gás, ignorando alternativas como a energia eólica e solar.

Os presidentes-executivos da Exxon Mobil, Shell, TotalEnergies, Equinor e ENI são esperados, após uma participação muito mais esporádica em anos anteriores, quando as empresas petrolíferas viam o fórum como anti-combustíveis fósseis.

Resta saber se a China, que nos últimos anos enviou altos funcionários, terá uma presença significativa em Davos.

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