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Tanure perde controle da Alliança Saúde e fatia na Light, após ter dívida executada

Em outubro, investidor já havia deixado de ser dono da Emae por calote em empréstimo. Procurados, Tanure e credores não se pronunciaram

8 fev 2026 - 19h12
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Após perder o controle da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) em outubro, o investidor Nelson Tanure teve mais uma dívida executada. Com isso, deixou de ser o controlador da Alliança Saúde e perdeu uma fatia que detinha da Light. As ações das empresas haviam sido dadas como garantia para um empréstimo feito para a aquisição da Ligga Telecom, por um consórcio formado pelas gestoras de investimento Farallon e Prisma e pelos bancos BTG e Santander.

Procurados, Tanure e os credores não se pronunciaram.

Em fato relevante divulgado no sábado, dia 7, a Alliança informou que fundos ligados a Tanure agora detêm 6,96% da empresa. Anteriormente, a participação beirava os 67%. Com a redução, Tanure deixa de ser controlador da companhia, que já teve sua filha como presidente executiva. Isabella Tanure hoje ocupa a presidência do conselho de administração da Alliança.

Já a Light informou que o fundo Opus FIP passou a ser dono de 9,9% de suas ações por conta de "excussão de alienação fiduciária". Em outras palavras, os papéis haviam sido dados como garantia a empréstimo e agora ela foi executada.

Em dezembro, Tanure havia conseguido mais prazo com os credores para postergar o pagamento dessa dívida de R$ 1,2 bilhão para aquisição da Ligga, como mostrou o Estadão. Porém, a situação financeira do empresário se deteriorou rapidamente.

Tanure foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero. No dia 6 de janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do Caso Master, determinou o bloqueio do patrimônio do empresário.

Um inquérito aberto pela Polícia Federal também investiga sua ligação com o Banco Master. Tanure havia pedido a remissão de outro processo que o investiga por uso de informação privilegiada na Gafisa para o STF, por proximidade nas investigações da Compliance Zero. Posteriormente, Toffoli recusou o movimento e devolveu o caso à Justiça de São Paulo.

Ele e Daniel Vorcaro, controlador do banco liquidado em novembro, costumavam comprar fatias das mesmas empresas, a grande maioria em dificuldades. Parte do caixa dessas companhias era investido em papéis do Master. Com a derrocada do banco, uma fatia dos investimentos e garantias de Tanure também fizeram água.

Bola de neve de dívidas

O empréstimo que resultou na execução das garantias anunciada sábado foi feito originalmente à Bordeaux Participações (BP Participações), de Tanure. A Copel, posteriormente transformada em Ligga Telecom, foi comprada por R$ 2,5 bilhões em 2020. Na aquisição, Tanure colocou R$ 1 bilhão e pegou o restante dos recursos emprestado.

Segundo fontes, Tanure pagou o empréstimo original, mas não conseguiu honrar os juros. Essa seria sua maior dívida em aberto.

Em outubro, ele já havia perdido o controle da Emae para a Sabesp, que pagou R$ 1,1 bilhão a XP Investimentos e ao agente fiduciário Vórtx. Tanure havia feito um empréstimo para comprar a empresa de energia.

Em setembro, venceu o primeiro pagamento dos juros dessa dívida, que não foi honrado. Foi dado um novo prazo de vencimento, com encargos, também não cumprido. No total, a dívida já beirava os R$ 650 milhões. Sem perspectiva de recebimento, a Emae passou a ser oferecida ao mercado e a Sabesp arrematou o negócio.

Estadão
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