Santander: lucro do Brasil salta 26% em 2024, mas segue atrás da Espanha
Resultado da operação brasileira para o grupo foi de € 2,422 bilhões no ano passado; Brasil é o país que mais gera receitas para o banco, mas lucro mais alto da Espanha se deve ao custo de risco menor
O resultado da operação brasileira para o Grupo Santander cresceu 26,1% no ano passado, para € 2,422 bilhões. Ainda assim, o Brasil ficou atrás da Espanha entre os maiores geradores de resultados para o banco em todo o mundo.
Em seu país-sede, o Santander teve lucro de € 3,762 bilhões em 2024, número 58,7% maior que o de 2023.
O Brasil é o país que mais gera receitas para o grupo: foram € 10,121 bilhões em margem financeira e € 3,414 bilhões em receitas com serviços ao longo do ano passado, em um total de € 13,536 bilhões. Na Espanha, a soma foi de € 11,974 bilhões no mesmo período.
O que explica o lucro mais alto do Santander espanhol é o custo de risco, que equivaleu a 0,5% da carteira do banco no ano passado. No Brasil, o custo foi de 4,51% da carteira, menor apenas que o da operação da Argentina (4,59%).
Desde o ano passado, o Santander considera como primários os segmentos de atuação em que se divide, classificando as regiões como segmentos secundários.
Sob essa classificação, o maior resultado do banco foi com as operações de varejo e banco comercial, que tiveram lucro de € 7,263 bilhões no ano passado. Depois, veio o banco de atacado e de investimento (CIB, na sigla em inglês), com resultado de € 2,740 bilhões.
Lucro do quarto trimestre
No quarto trimestre de 2024, o Santander Brasil teve lucro líquido recorrente de R$ 3,855 bilhões, alta de 74,9% no comparativo anual, enquanto na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a variação foi positiva em 5,2%.
O resultado é fruto de um crescimento nas receitas do banco, tanto na concessão de crédito quanto na prestação de serviços. Houve ainda queda nas provisões contra a inadimplência, com os índices de atraso acima de 90 dias em 3,2%, 0,1 ponto porcentual acima do mesmo período do ano anterior.
O volume de ativos chegou a R$ 1,335 trilhão, alta de 15,8% em um ano. O patrimônio líquido, por sua vez, aumentou 5,4% no mesmo período, para R$ 90,744 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido do Santander avançou 5,3 pontos porcentuais em um ano, para 17,6%.
A carteira de crédito do banco somava R$ 682,693 bilhões em dezembro, crescimento de 6,2% no intervalo de um ano puxado por linhas como as de financiamento ao consumo, em que o Santander tradicionalmente é forte.
"Ao longo dos últimos três anos, evoluímos na construção de um balanço mais sólido, com maior previsibilidade e rentabilidade sustentável", disse em nota o presidente do banco, Mario Leão. Ele destacou ainda os avanços na transformação digital do conglomerado. "Temos uma visão consistente, de longo prazo, e uma estratégia clara para crescer e apoiar nossos clientes em qualquer tipo de cenário."
A margem financeira bruta, que reflete os ganhos com operações que rendem juros, foi de R$ 15,978 bilhões, alta de 16% em um ano. A maior parte correspondeu às margens com clientes, que somaram R$ 15,780 bilhões no trimestre, crescimento de 13,7% no comparativo anual. Nesta linha, estão contabilizados os resultados com operações de crédito.
A margem com mercado do Santander foi de R$ 198 milhões, revertendo perda de R$ 102 milhões registrada no quarto trimestre de 2023. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve baixa de 39,1%.
As receitas com serviços aumentaram 10,1% em 12 meses, para R$ 5,515 bilhões, graças ao maior uso dos cartões do conglomerado e também a taxas associadas a operações de crédito.