Salário dos mais ricos diminuiu e dos mais pobres aumentou após a pandemia, mostra estudo
Estudo do economista Daniel Duque, da FGV, mostra que - mesmo que pouco - o mercado brasileiro ficou menos desigual
O salário médio da camada mais pobre da população subiu 15,4% no pós-pandemia em comparação com 2019. Já com relação aos mais ricos a situação se inverteu, com queda real de 0,6% no salário médio desse grupo. O estudo que aponta que o mercado brasileiro ficou menos desigual nos últimos anos é do economista Daniel Duque, da Fundação Getulio Vargas (FGV), que o jornal O Globo teve acesso.
“Na pandemia, houve uma redução muito importante da força de trabalho menos qualificada. Na retomada, a falta de trabalhadores em determinadas áreas acabou causando uma pressão salarial. Com isso, houve melhora na distribuição do rendimento do trabalho, aumentando bem mais os salários nos menores estratos de renda”, explicou Duque ao jornal.
Entre o grupo dos que ganham menos, o salário médio era de R$ 623,80 em 2019, foi para R$ 650,70 em 2022 e agora está em R$ 730,50. Enquanto isso, a média do salário dos mais ricos era de R$ 7.336,50 em 2019, reduziu para R$ 6.923,10 em 2022 e agora está em R$ 7.286.
Para o economista, mesmo com o valor do salário dos mais ricos voltando a ter aumento neste ano, o valor ainda é bem menor do que o que foi registrado na ‘base da pirâmide’.
Avaliando por grau de instrução, nos últimos 12 meses teve aumento a média de salário de admissão de pessoas analfabetas (1%), com até o 5º ano incompleto (3%), 5º ano completo (2,9%), 6º ao 9º ano do fundamental (2,4%), fundamental completo (1,6%), ensino médio incompleto (0,7%) e médio completo (1,7%).
Já para pessoas com o ensino superior incompleto (-2,5%), superior completo (-4%), mestrado (-4,2%), doutorado (-0,7%) e com pós-graduação completa (-5,4%) houve redução da média de salário de contratação.