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Robótica se aproxima do momento ChatGPT com avanço da IA generativa

IA traz possibilidades quase ilimitadas para inovação e crescimento, mas vai desafiar a credibilidade das empresas, diz executivo da Accenture na Rio Innovation Week

5 ago 2026 - 18h54
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A robótica está cada vez mais perto da realidade e longe da ficção científica. Com os avanços da inteligência artificial (IA) generativa, os robôs estão em desenvolvimento e poderão estar não só nas empresas como presentes em ambientes cotidianos e até na sua casa. O avanço tecnológico foi tema de um painel da Accenture na Rio Innovation Week, conferência de inovação que o Píer Mauá recebe nesta semana.

De acordo com Eco Moliterno, chief creative officer na Accenture, a IA traz possibilidades quase ilimitadas para inovação e crescimento, mas vai desafiar a credibilidade das empresas. "O que norteia a relação é a confiança, ou a desconfiança", diz.

Para ele, a chegada dos agentes de IA com a robótica muda a forma como as indústrias pensavam em tecnologia. "Estamos saindo da era da automação para a da autonomia. São significados opostos. A automação tem um humano no comando, que coloca sistemas para otimizar processos. Na autonomia, é o contrário. Os processos precisam ser centrados nas pessoas e daremos autonomia para as máquinas fazerem as coisas por conta própria", diz.

Eco Moliterno, chief creative officer na Accentura, falou sobre IA na robótica no Rio Innovation Week 2026
Eco Moliterno, chief creative officer na Accentura, falou sobre IA na robótica no Rio Innovation Week 2026
Foto: Lucas Agrela/Estadão / Estadão

Moliterno acredita que a curva de adoção da IA será diferente em cada setor. Em hotelaria, por exemplo, vê uma adoção lenta devido ao desejo dos viajantes de se conectar com moradores e com a cultura local. Por outro lado, vê aceleração maior em áreas ligadas à informação e à educação.

O executivo apresentou uma pesquisa da Accenture que mostra que os consumidores estão cada vez mais dispostos a confiar em agentes de IA para realizar tarefas e tomar decisões. Segundo o levantamento, 85% aceitam colaborar com chatbots durante a jornada de compra, 74% permitiriam que a IA executasse tarefas em seu nome, 32% delegariam decisões de compra e 9% já se mostram confortáveis em deixar que a inteligência artificial faça compras de forma autônoma, desde que dentro de limites previamente definidos pelo usuário.

Renate Fuchs, diretora executiva na Accenture, no Rio Innovation Week 2026
Renate Fuchs, diretora executiva na Accenture, no Rio Innovation Week 2026
Foto: Lucas Agrela/Estadão / Estadão

Renate Fuchs, diretora executiva na Accenture, lembra que é de 1920 a origem da palavra robô, usada numa peça de teatro tcheca, chamada Rossum's Universal Robots, de Karel Capek. "A história da peça é sobre seres humanos que criaram uma fábrica com seres artificiais que trabalhavam para eles. Em algum momento, adquiriram consciência e acabam com a humanidade, criando no fim um mundo mais humanizado e justo", conta.

Renate cita que a Amazon já tem mais de 1 milhão de robôs funcionando em seus centros de distribuição para lidar com a gestão de estoque e envio de compras feitas via internet, reforçando que a robótica já está inserida na economia - seja nos bastidores dos negócios, seja nos carros autônomos da Waymo, que transportam passageiros em ruas do Estado da Califórnia, nos EUA.

"Não é só sobre aplicar os robôs, mas como fazer a orquestração das fábricas. Vemos muita aplicação em setores mais regulados, como em energia. A robótica não é mais sobre programação. Nós treinamos os robôs de forma diferente, com nossos movimentos. Podemos testar esses robôs em gêmeos digitais, sem precisar treiná-los no mundo físico. Podemos simular antes de executar, pensar na orquestração e botar para funcionar", diz a diretora-executiva. "Vemos empresas fazendo investimentos importantes em robótica porque a IA traz muito mais valor a eles agora. É como se fosse o momento GPT para os robôs."

Ela alerta, porém, que entre as principais tendências para a robótica (autonomia, integração, robôs como aliados, confiabilidade e proteção), a confiança e a proteção são os itens mais importantes ao levar a IA para o mundo físico operando um ser robótico. "É preciso saber quais dados vão para o robô, o que ele vê dentro da sua casa, para onde os dados vão, se ele vai quebrar alguma coisa ou machucar alguém", afirma.

Estadão
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