Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

RJ: conheça as vozes que conquistam consumidores no mercado do Saara

Os "boleiros" fazem sucesso nas ruas do principal centro de comércio popular do Rio de Janeiro

22 dez 2013 - 10h54
Compartilhar
Exibir comentários

Propaganda é a alma do negócio. Assim diz o ditado e assim funciona também no Saara, um dos principais locais de comércio popular no centro do Rio de Janeiro, que em épocas de Natal nada tem de deserto. Um mar de gente em busca da melhor oferta circula pelas ruas da Alfândega, Buenos Aires, Senhor dos Passos, Regente Feijó, Andradas e Avenida Passos e adjacências. E no meio desse vaivém, o Terra foi em busca daquelas vozes que chamam a atenção quando você passa. Uma oferta, aquilo que você esqueceu de comprar, pode estar nas vozes dos locutores das lojas, ou boleiros, como eram chamados na década de 60, quando a associação de lojistas começou a ganhar forma no centro da cidade. Boleiro, é aquele que dá a bola, que te deixa na cara do gol, ou da compra, como contam por lá.

Mario Luiz é o mais veterano entre os boleiros. Ele está há 33 anos na mesma loja de lingeries gastando a garganta para vender. “Antigamente quase toda loja tinha um boleiro. Agora é mais difícil encontrar um,” afirma. “Preferem colocar uma gravação. Mas aqui, se não gritar, não vende.”

Direto do Rio: conheça as vozes do mercado popular do Saara:

Luiz começou na função aos 14 anos e vai brincando, inventando histórias. “Uso muito coisas de novela, da televisão, para chamar mais a atenção das pessoas,” conta, garantindo que a efetividade da venda é garantida. “É só entrar na loja e ver como está vendendo. É mais rentável ter um boleiro do que uma propaganda na televisão,” diz ele, que trabalha na esquina da Alfândega com Regente Feijó.

Outro que faz sucesso, mas na Rua Buenos Aires, é Alex. Alexander Vicente, de 33 anos, pode ser chamado de o “Frango”, o “Baladão”, a “Adriana Raia, a Pantera” ou “Juju Barraqueira”, personagens criados por ele para incrementar a venda na loja de roupas femininas em que trabalha há dez anos. “Às vezes me visto para deixar o personagem mais caracterizado,” conta, enquanto brinca com uma cliente, uma funcionária ou um segurança da loja. “Já fizeram até um documentário sobre mim em uma universidade” conta, com orgulho de quem já contracenou com o Louro José no programa da Ana Maria Braga, na TV Globo. Alex, que já trabalhou como comercial em uma rádio carioca ainda sonha com a fama. “Mas é complicado. Acho que vou ficar aqui com meu humorchandising”, brinca.

Se Alex faz sucesso na região e literalmente para o trânsito na rua com suas performances, o mesmo não se pode dizer de Joni Bento Ferreira, de 27 anos, que faz de olheiro da loja de peças femininas na esquina da Buenos Aires com Tomé de Souza. “Faço quando dá uma folga. Aqui tem muito furto nas bancas que ficam perto da rua e tenho que fica atento,” diz Joni, que trabalha sem equipamento, apenas com a voz. O segurança agrada e até ganha um agrado do patrão para chamar mais freguesas para a loja. “Vou criando de acordo com as promoções da loja,” afirma. Mas o segredo de Joni para faturar algo a mais é uma caixinha de papelão pendurada no poste em frente à loja. “Quem gosta da minha performance pode colaborar” diz, tímido, mesmo depois de sete anos de experiência e apontando Alex como seu ídolo. “Alex é fera, sabe tudo disso,” elogia.

Mas não basta ter boa voz para ser um boleiro é preciso, claro, talento. E Brian Andrade preciso de um pouco mais que isso: jogo de cintura para ser o único homem em frente a uma loja de lingerie com toques de sexy shop. “Vendemos muitas coisas eróticas e às vezes as mulheres não gostam muito de me dizer que tamanho estão procurando. Se elas dizem que é GG, por exemplo, é natural a gente dar uma olhada,” diz, sem vergonha. E conta o segredo para ter sucesso. “Um bom equipamento e saber tudo o que tem na loja. Se chega algo novo eu preciso saber o que é, de que material é feito. Faço até uma cola,” afirma. Casado, ele não entra em detalhes se já fez sucesso além da loja com as moças.

Sem equipamento potente, Tarcísio Brandão sofre em frente à loja de bijouterias. “Tento animar, mas o gerente prefere o som baixo e esse microfone assim”, diz, mostrando o equipamento quebrado. “Mas quem é bom vendedor tem que saber desenrolar de qualquer jeito,” afirma o ex-camelô, que ainda tenta se firmar em alguma loja da região. “Estou fazendo testes aqui há três meses, mas ainda não sei se vou ficar,” comenta Tarcísio que também faz suas imitações com os personagens Barney e Fred Flintstone.

O salário dos boleiros ou locutores do Saara, em geral, não passa dos R$ 1500 por mês. Para o aposentado Perci Borges, de 68 anos, que começou na profissão depois de enfrentar uma catarata que o impediu de seguir como mestre de obras, foi uma boa opção. “Precisava de algo para me sustentar enquanto não ficava bom. Operei, e peguei o gosto. Nunca mais larguei” conta, entre um anúncio de brinquedo, de vestido de festa ou de embalagem para presente.

“Não basta anunciar. É preciso saber orientar as pessoas,” diz. Perci faz bem a diferença entre mulheres e homens na hora de comprar. “Mulher é mais seletiva, sabe o que está levando. Homem chega, mete a mão e não quer ver nem o preço.” Depois que o Natal chegar ao fim o fôlego não acaba. Falando de oito a dez horas por dia e tentando conquistar uma clientela cada vez mais exigente e bem humorada, eles fazem apenas um pausa. Em março tem carnaval e a partir de janeiro mudam os produtos, mas as vozes continuam as mesmas.

Fonte: Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade