Receita com exportação de frango do Brasil supera US$1 bi ao mês pela primeira vez, diz ABPA
A receita com a exportação de carne de frango do Brasil superou US$1 bilhão ao mês pela primeira vez em maio, com um crescimento de 36,1% em relação ao mesmo período do ano passado, uma vez que o maior exportador global do produto tem ampliado mercados e utilizado rotas alternativas no Oriente Médio, relatou nesta sexta-feira a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O total registrado para todos os produtos (in natura e processados) somou US$1,009 bilhão, com os preços médios ajudando a impulsionar as receitas, que cresceram mais do que os volumes exportados, ainda que esses também tenham sido fortes.
Os embarques somaram 509,9 mil toneladas -- maior resultado já registrado para um mês de maio --, com alta de 29,6% sobre o mesmo período do ano passado, quando a base de comparação foi menor devido ao caso de gripe aviária em granja comercial.
"Os resultados foram conquistados em um ambiente marcado por incertezas logísticas globais e pelos impactos decorrentes das tensões no Oriente Médio, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz", afirmou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.
Empresas brasileiras estão conseguindo acessar os importantes mercados do Oriente Médio por meio de rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, que vem operando com restrições em função da guerra no Irã. Os preços mais altos ajudam a compensar os custos elevados com novas logísticas e fretes.
"Mesmo diante desse contexto, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que mantivemos forte presença no Oriente Médio e ampliamos oportunidades em mercados emergentes", afirmou o presidente da ABPA, que representa companhias como JBS e MBRF.
A China liderou as importações de carne de frango do Brasil em maio, com 48,3 mil toneladas embarcadas (+34,7%), seguida por Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%), Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%), entre outros.
Com o desempenho, as exportações brasileiras de carne de frango acumulam 2,453 milhões de toneladas entre janeiro e maio deste ano, resultado 8,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Em receita, o crescimento é de 11,3%, para US$4,714 bilhões.
CARNE SUÍNA
As exportações brasileiras de carne suína totalizaram 129,4 mil toneladas, o maior volume já registrado para um mês de maio, com alta de 9% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita das exportações de carne suína do Brasil, o terceiro exportador global, alcançou US$302,1 milhões no mês passado, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio e resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025.
Os maiores embarques em maio foram impulsionados pelo Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%); México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%); Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%); e Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), entre outros.
Santin destacou ainda o recente reconhecimento, pela China, do status de livre de febre aftosa sem vacinação do Brasil, o que deverá abrir a possibilidade de exportações adicionais equivalentes a US$100 milhões, com vendas de carne suína com osso e miúdos externos, segundo ele.
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