Após subir 2%, Ibovespa cai e dólar sobe sem ação do BC
O principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo recua nesta quinta-feira (9) em sintonia com os mercados internacionais que sentem a pressão pela realização de lucros após ganhos recentes. No mercado de câmbio, o dólar se recupera frente ao real depois de tocar em R$ 3,35. A ausência de intervenção do Banco Central, porém, segue pressionando a moeda-norte-americana.
Também de olho no câmbio, investidores calibram apostas sobre o futuro do juro no Brasil. O recado do BC na última reunião do Copom sob o comando de Alexandre Tombini abre margem para redução de apostas de início do corte a Selic em julho.
O Bradesco, por exemplo, adiou a sua projeção do início de corte da Selic este ano após a reunião do Copom. Agora, o banco espera que a taxa básica de juros seja reduzida na reunião de agosto, ante a previsão anterior de a queda ocorrer em julho. Desta forma, na avaliação da instituição, a taxa vai terminar o ano em 12,75%, não mais 12,25% como esperado anteriormente.
No comunicado em que decidiu manter inalterado em juro em 14,25% ao ano, o BC afirma que "reconhece os avanços na política de combate à inflação", mas destaca que a inflação elevada nos últimos 12 meses e a expectativa de inflação longe do centro da meta "não oferecem espaço para flexibilização da política monetária”.
Já o Goldman Sachs avalia que o juro no Brasil tem espaço para ser cortado para até 10,75% no fim de 2017 a partir dos 14,25% atuais. A projeção do economista Alberto Ramos é mais ousada do que a do mercado, que estima a Selic a 11,25% em dezembro do ano que vem, considerando as projeções do relatório Focus, do Banco Central. O ciclo de afrouxamento monetário começaria a partir da reunião de 31 de agosto.
Além da possibilidade de avanço da agenda de ajuste fiscal no Congresso, a recente valorização do real frente ao dólar vem contribuindo para redução dos prêmios dos juros futuros, dado seu efeito benéfico na inflação dos importados. Nesta quinta-feira, porém, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 subia de 13,56% na véspera para 13,64%.
Uma das razões é a rodada recente de indicadores desfavoráveis de inflação que tendem a dificultar o trabalho do novo presidente do BC, Ilan Goldfajn, que agradou o mercado com o reforço do discurso sobre o controle dos preços e a busca do centro da meta de inflação (4,5%).
Com maior pressão no atacado, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou a alta a 1,12% o na primeira prévia de junho, contra 0,59% no mesmo período de apuração do mês anterior. Na quarta-feira (8), o IPCA, o mais acompanhado pelo BC, subiu 0,78% em maio. É mais que o 0,61% visto em abril e o maior para o mês desde 2008.
No exterior, após alta nos últimos dias, os mercados passam por um ajuste de posições assimilando renovadas preocupações sobre a saúde da economia global diante de dados da China e do Japão. As bolsas internacionais recuam assim como os preços do petróleo.
Por volta de 10h20, o Ibovespa perdia 0,53%, aos 51.354 pontos. Na véspera, o Índice Bovespa disparou 2,26%, aos 51.629 pontos.
No câmbio, o dólar à vista tinha valorização de 0,17%, cotado a R$ 3,3696.
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