Presidente da Rhodia defende taxação de carbono para produtos chineses
Daniela Manique diz que mercadorias chinesas produzem muito mais gases poluentes que as brasileiras e isso prejudica a indústria nacional
ESPECIAL PARA O ESTADÃO - O Brasil deveria cobrar uma taxação para importados que, em sua cadeia de produção, emitem mais gás carbônico que os similares nacionais. Foi isso o que defendeu hoje Daniela Manique, presidente da Rhodia na América Latina e presidente global da Unidade de Negócios Coatis, do grupo Solvay, durante o Estadão Summit ESG 2025, realizado em São Paulo nesta quinta-feira, 21.
O Brasil, diz ela, tem uma vantagem sobre outros países nesse quesito que não vem sendo aproveitada: como 85% da matriz elétrica brasileira vem de fontes renováveis, como usinas hidrelétricas, fazendas solares e eólicas, a pegada de carbono da produção nacional é menor que a de muitos países.
"Na Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), fizemos o mapeamento da maior parte dos nossos produtos químicos produzidos aqui. Então sabemos quanto cada produto emitiu de carbono em todas suas cadeias. A nossa proposta é que, quem trouxer para o Brasil itens que tenham carbono acima do que o similar nacional apresenta, que se pague por essa diferença por meio de uma taxação", afirmou ela.
A executiva participou do painel "Transição energética: a ordem global e os dilemas brasileiros", que também teve a participação de Arnaldo Jardim, deputado federal pelo Cidadania-SP e Davi Bomtempo, superintendente de meio ambiente e sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Só com essa taxação, segundo ela, o Brasil começaria a obrigar seus concorrentes a terem os mesmos programas de contenção de emissões que o País tem hoje. "A China está exportando para nós um produto todinho à base de carvão mineral. E a gente aqui, nós, a indústria, temos que competir de igual para igual com eles sendo que temos vários encargos e ainda tentando fazer sustentabilidade. Se você não pressionar os outros, eles não vão fazer. E os nossos produtos têm, na grande maioria, o menor conteúdo de carbono que a concorrência", afirma ela.
Daniela também defendeu que, assim como existe o selo de Eficiência Energética para conscientizar os consumidores a respeito do consumo de energia dos eletroeletrônicos, todos os produtos nacionais deveriam ter um "Carbon Label", ou seja: o consumidor, ao comprar qualquer coisa, poderia checar a quantidade de gases prejudiciais ao efeito estufa emitida na cadeia de fabricação dessa mercadora.
Energia limpa, mas cara
No painel, Daniela disse que é bom que a energia brasileira seja limpa. Mas criticou o preço cobrado por ela. Ela sustentou que sejam retirados encargos que acabam encarecendo a conta de luz para a indústria nacional. "A nossa energia elétrica, o custo da energia elétrica é barato, mas ele é um terço da minha conta. Dois terços são os encargos, e aí eu tenho a energia elétrica mais cara do mundo", reclamou a executiva.
O deputado Arnaldo Jardim, no mesmo painel, disse que a possível "reforma do setor elétrico", que seria feita por meio da Medida Provisória (MP) 1.300, precisa ganhar espaço no Congresso. "Precisamos desmontar essa estrutura. Foram se acumulando uma série de questões. Por exemplo: em Rondônia, as termelétricas são abastecidas por combustível que saía de Paulínia, em São Paulo. Ia de caminhão até lá. Isso era bancado pelo conjunto de consumidores. Outras coisas como essa encareceram extremamente a energia", afirmou o parlamentar.