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Plano de recuperação extrajudicial da Raízen tem maioria e será protocolado até segunda-feira

Credores defendem participação relevante no conselho, incluindo cadeira principal; procuradas, Cosan e Raízen não comentaram, e Shell diz apoiar pedido de recuperação extrajudicial

5 jun 2026 - 13h06
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A Raízen conseguiu maioria de apoio dos credores, na casa de 70%, para aprovar seu plano de recuperação extrajudicial e deve protocolar o documento na Justiça entre esta sexta-feira, 5, e a segunda-feira, 8. As negociações entre a empresa e seus credores se concentraram, em grande parte do tempo, em governança, apurou o Estadão/Broadcast. Os credores defenderam uma participação relevante no conselho, incluindo a cadeira principal, de "chairman" da empresa, disseram pessoas próximas às conversas.

Procuradas, Cosan e Raízen não comentaram até a publicação desta reportagem. A Shell diz apoiar o pedido de recuperação extrajudicial (leia mais abaixo).

A esperada venda dos ativos da Raízen na Argentina, anunciada na quinta-feira, 4, era o que faltava para acelerar a aprovação final do plano de recuperação.

Raízen está reestruturando dívida de R$ 65 bilhões
Raízen está reestruturando dívida de R$ 65 bilhões
Foto: Raízen/Divulgação / Estadão

Segundo pessoas a par das conversas, havia grande ansiedade pela concretização do negócio, que já se arrastava havia meses. Essa etapa é relevante para o reequilíbrio financeiro da companhia, que passará a ser consolidada no balanço da Shell. Nas últimas duas semanas, as conversas avançaram, segundo interlocutores.

Na quinta-feira, a subsidiária Raízen Energia anunciou que assinou um contrato vinculante com a Latam Downstream Holdings e a Silver Projects, que pertencem à Mercuria Energy Group, com sede na Suíça, para vender as operações de "downstream" (refino) na Argentina por US$ 1,420 bilhão.

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, comprometeu-se com R$ 3,5 bilhões de aporte na investida, montante que a Cosan não vai acompanhar e, portanto, terá sua participação diluída.

O plano prevê que o Conselho de Administração será composto por sete membros, com quatro nomeados pelos credores apoiadores, incluindo o de presidente, e três pelo acionista contribuinte. A Shell sempre terá um membro no Conselho enquanto o Contrato de Licença de Marca permanecer em vigor.

A Raízen está reestruturando uma dívida de R$ 65 bilhões, sendo que cerca de 40% estão com um extenso grupo de bancos, outros cerca de 40% com detentores de títulos de dívida emitidos no exterior e aproximadamente 20% com investidores locais. A previsão é de conversão de 45% da dívida da empresa em ações, e os 55% restantes serão trocados por novos títulos, que serão alocados na proporção de 17,6% na Raízen Energia e 37,4% na Raízen Combustíveis.

Em nota, a Shell diz que, como acionista, apoia a decisão da equipe de gestão da Raízen de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada e que funcione para todas as partes.

"A Shell continuará trabalhando em estreita colaboração com a equipe de liderança da Raízen e credores no intuito de assegurar o futuro de longo prazo do negócio", afirma a nota.

Estadão
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