Peru receberá papa Leão 14 com cântico em homenagem a freira assassinada
O Peru receberá o papa Leão 14 em novembro com a canção "León, Hermano del Camino", em homenagem à freira Aguchita, morta pelo Sendero Luminoso em 1990 e beatificada em 2022. O cântico, que exalta o sacrifício e a unidade, celebra o retorno do pontífice norte-americano e naturalizado peruano ao país onde atuou como missionário e bispo. A visita papal ocorrerá de 11 a 16 de novembro, após a posse da presidente Keiko Fujimori, integrando uma viagem do pontífice pela América do Sul.
O Peru receberá o papa Leão 14 em novembro com um cântico em homenagem a uma freira católica assassinada pelo Sendero Luminoso, celebrando o retorno do pontífice ao país onde atuou por décadas como missionário.
A canção, com ritmos andinos e intitulada "León, Hermano del Camino" ou "Leão, Irmão na Jornada", será interpretada por membros do coro juvenil Aguchita, que leva o nome da missionária peruana Maria Agustina Rivas.
Rivas foi morta por rebeldes do Sendero Luminoso em 1990, enquanto realizava trabalho humanitário na remota região amazônica do Peru.
Conhecida como "Aguchita", ela foi beatificada pelo Vaticano em 2022, durante o pontificado do papa Francisco, depois que a Igreja determinou que ela havia sido morta por ódio à fé católica.
Keverly Escobar, de 27 anos, uma das cantoras principais, disse à Reuters que se sente orgulhosa de fazer parte do coro em homenagem a uma santa peruana que deu "sua vida pelos mais humildes".
O compositor e músico da canção, Jaime Montoya, disse que se inspirou para escrever o cântico porque percebeu um traço comum — o sacrifício — que une a missionária e o papa Leão.
"A música surgiu, em parte, ao relembrar a vida do nosso então bispo, Robert Prevost", quando o atual pontífice era missionário no Peru, acrescentou Montoya.
O Peru passou por um conflito brutal entre as forças de segurança e o Sendero Luminoso, um movimento guerrilheiro que buscava estabelecer um Estado comunista.
A violência deixou cerca de 69 mil mortos ou desaparecidos entre 1980 e 2000, principalmente nas comunidades indígenas e amazônicas mais pobres do Peru, segundo estimativas oficiais.
"Aguchita sabia que estava enfrentando o Sendero Luminoso, que naquela época pressionava o governo e queria forçar todas as comunidades a aderirem à sua causa", disse Monsenhor Pedro Castro, do Vicariato Apostólico de San Ramón, onde a missionária atuava.
A visita do papa Leão ocorre logo após a posse da presidente Keiko Fujimori, em julho, que prometeu unir o país após anos de turbulência política.
Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, elogiou o papel de seu pai na derrota da insurgência do Sendero Luminoso na década de 1990, embora seu legado continue sendo polêmico devido à corrupção e às violações dos direitos humanos cometidas durante seu governo.
O cântico venceu um concurso nacional para escolher uma canção que simbolizasse a unidade antes da visita do papa ao Peru, de 11 a 16 de novembro, parte de uma viagem pela América do Sul que incluirá a Argentina e o Uruguai.
O papa Leão, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, chegou ao Peru pela primeira vez em 1985 e tornou-se cidadão peruano em 2015, após ser nomeado bispo de Chiclayo, onde permaneceu até 2023.
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