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Perdemos uma oportunidade com Bolsonaro de um governo de direita de boa qualidade, diz Samuel Pêssoa

Economista participou de debate promovido pelo 'Estadão' sobre os desafios e sugestões para o próximo governo do País

24 ago 2026 - 14h39
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Resumo
Segundo o economista Samuel Pessôa, o governo Bolsonaro desperdiçou a chance de fazer uma gestão de direita qualificada por falhas na articulação com o Congresso, embora defenda a atuação econômica de Paulo Guedes. A dúvida é se Flávio Bolsonaro corrigirá esses erros. No mesmo debate, Eduardo Giannetti criticou a condução ambiental e o populismo fiscal da gestão, apontando a falta de reformas e a entrega do Orçamento como graves retrocessos para o país.

Ao tentar reinventar a política, no que chamava de nova política, o governo de Jair Bolsonaro acabou se configurando numa oportunidade perdida pela direita para fazer o Brasil avançar em questões econômicas, institucionais e em educação, defende o economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre. A questão agora é se o seu filho, candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o seu grupo político, aprenderam com os erros do ex-presidente, que estariam principalmente em "não ter governado usando o livro-texto da ciência política".

"Eu adoraria que as nossas instituições fossem outras e que o Centrão fosse outro, mas a gente tem isso. Um governo de direita tem uma facilidade que o presidente Lula não tem. Ele tem um Congresso ideologicamente próximo a ele", afirmou, durante debate promovido pelo Estadão, para discutir caminhos para o próximo mandato presidencial. "Perdemos uma oportunidade com o governo de Jair Bolsonaro de ter um governo de direita de boa qualidade."

Economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre
Economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Por isso, a preocupação maior em um possível governo de Flávio Bolsonaro, para o economista, estaria menos na equipe econômica que seria escolhida, mas no desenho da coalizão e como vai ser a relação entre os Poderes Executivo e Legislativo. "Ele aprendeu que o pai fez tudo errado? Ou não?", perguntou.

Pessôa defende que o governo anterior perdeu a chance de promover parcerias entre o setor privado e público na educação, algo que as esquerdas não defendem. Também participante do debate, Eduardo Giannetti, economista, filósofo e integrante da Academia Brasileira de Letras, também considera que a questão ambiental foi administrada tragicamente pelo governo Bolsonaro.

Já na área econômica, entre as principais falhas, ele cita a não aprovação da reforma tributária, a entrega de fatias ainda maiores do Orçamento ao Congresso e a perpetuação do Auxílio Emergencial, que, segundo ele, resultou em "uma política populista e eleitoreira desastrosa".

Pessôa defende, no entanto, que a gestão econômica do ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, não foi ruim. Segundo ele, o Brasil teve uma recuperação mais rápida da pandemia do que outros países da região e também apresentou melhora nas contas fiscais.

Estadão
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