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'Sonho que o Lula se dê conta que ele pode repetir o sucesso do primeiro mandato', diz Giannetti

Economista participou de debate promovido pelo 'Estadão' sobre os desafios e sugestões para o próximo governo do País

24 ago 2026 - 14h44
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Resumo
Economistas defendem que um ajuste fiscal no início do próximo governo é urgente para conter a dívida pública e reduzir os juros. Eduardo Giannetti sugere um corte de 1,5% a 2% do PIB para repetir o êxito do primeiro mandato de Lula e ancorar expectativas. Já Samuel Pessôa alerta para a piora da dívida devido ao menor crescimento e juros altos, ressaltando que, para o equilíbrio fiscal ocorrer, o presidente precisa superar sua desconfiança em relação ao mercado e aceitar a necessidade das reformas.

O Brasil precisa fazer um ajuste fiscal como prioridade econômica para o próximo governo, afirma Eduardo Giannetti, economista, filósofo e integrante da Academia Brasileira de Letras. O único momento exequível para fazer isso, no entanto, é no período de início de mandato.

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencer a reeleição presidencial deste ano, ele teria a oportunidade de promover esse ajuste, mas precisa estar convencido da importância desse esforço. "Sonho que o Lula se dê conta de que ele pode repetir o sucesso do primeiro mandato. Aceita o sacrifício na entrada, faz um ajuste fiscal de 1,5% a 2% do PIB, que não é uma coisa do outro mundo, e depois colhe os frutos."

Assim, ele pode vencer a batalha das expectativas do mercado já de entrada, e vai abrir espaço para buscar mais avanços sociais durante o restante do mandato.

Giannetti diz que o esforço fiscal hoje é muito mais simples do que os 4% de superávit que o primeiro governo Lula buscou no passado.

Eduardo Giannetti, economista, filósofo e integrante da Academia Brasileira de Letras
Eduardo Giannetti, economista, filósofo e integrante da Academia Brasileira de Letras
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

O economista Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre, por sua vez, defende ser otimista, e que, apenas com uma redução do crescimento do gasto primário real para 1% ao ano, ao longo do tempo, o superávit primário vai ser construído, e isso tira a pressão sobre os juros.

O economista, no entanto, acredita que o mais provável é que Lula não esteja convencido da importância de fazer isso. "Lula tem na cabeça dele que o mercado financeiro é um monte de gente com preconceito contra ele e que não aceita uma liderança popular como ele", diz.

Por isso, essa restrição pessoal se traduziria em forçar pelo ajuste fiscal, e não que ele seria, de fato, importante para os juros caírem e a economia crescer. "Talvez, com uma desvalorização do câmbio e um choque inflacionário, o Lula se convença. Sem o susto, acho que ele não estará convencido."

No terceiro mandato de Lula, a dívida pública cresceu 2,5% por ano, ou seja, 10%. Já num quarto mandato, se nada for feito, o crescimento será de mais de 4% ao ano, em torno de 16% a 18% do PIB, prevê Pessôa. "Piorou a dinâmica da dívida pública por três motivos: o crescimento econômico vai ser menor, uma parte grande da dívida foi renovada a juros maiores do que na época da pandemia e hoje a dívida está maior", diz.

O crescimento do PIB deve ser menor num próximo mandato, uma vez que ele subiu num ritmo de 2,7% ao ano, pelos últimos quatro anos. Mas, como o desemprego saiu de 8,5% para 5,5%, e agora não tem como avançar mais, por conta de excesso de demanda sobre oferta no mercado de trabalho, a tendência é de que esse efeito se reverta.

Estadão
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