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Pacto Global da ONU no Brasil inicia projeto para ampliar presença indígena nas empresas

Com atividades online e presenciais, programa 'Reflorestar o Corporativo' pretende mobilizar 100 companhias no segundo semestre em prol da agenda

8 jul 2026 - 08h22
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Para promover a ampliação do número de profissionais indígenas no mercado de trabalho brasileiro, o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) - Rede Brasil quer mobilizar 100 empresas no País em torno da agenda, por meio de um programa com atividades gratuitas presenciais e online, a partir deste segundo semestre.

O projeto, chamado de "Reflorestar o Corporativo", foi lançado no mês passado pela organização e busca promover a empregabilidade indígena no Brasil, em alinhamento com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18, diretriz adotada voluntariamente pelo País para a Agenda 2030 da ONU, com foco na promoção da igualdade étnico-racial e no combate à violência contra populações negras e indígenas.

As atividades terão como parceira técnica a BND Digital, agência de marketing digital e social criada por duas mulheres indígenas: Naiá Tupinambá e Jennyffer Bransfor. A empresa será responsável pela condução das ações de sensibilização junto ao setor empresarial, incluindo o compartilhamento de conhecimentos, metodologias e experiências voltadas às políticas de inclusão relacionadas aos indígenas.

Programa 'Reflorestar o Corporativo' pretende mobilizar companhias em prol da empregabilidade indígena
Programa 'Reflorestar o Corporativo' pretende mobilizar companhias em prol da empregabilidade indígena
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

O programa está estruturado para ocorrer em duas fases. A primeira será realizada em agosto, em formato 100% digital, com atividades que terão como objetivo ampliar o conhecimento das empresas sobre a inclusão de pessoas indígenas no mercado de trabalho, como explica a gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU - Rede Brasil, Verônica Vassalo, ao Estadão.

Já a ação presencial está prevista para setembro, em Belém (PA). "Durante os encontros, serão apresentados dados sobre a empregabilidade de pessoas indígenas, os principais desafios e oportunidades para sua inserção no ambiente corporativo, além de orientações práticas para apoiar as empresas na atração, contratação, integração e desenvolvimento desses profissionais", diz Vassallo. "Também serão compartilhadas boas práticas e recomendações para promover ambientes de trabalho mais inclusivos e culturalmente respeitosos."

De acordo com a organização, o cenário sobre desigualdades no mercado de trabalho brasileiro ajuda a explicar a necessidade da ação. Dados do Instituto Ethos, de 2024, apontam que, nas maiores empresas do País, a presença de profissionais indígenas está entre 0,4% e 0,0%, com representatividade cada vez menor a partir de quem ocupa cargos de alta liderança.

No recorte de gênero, a situação das mulheres indígenas é ainda mais complexa. Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do primeiro trimestre de 2024, a taxa de desemprego dessas profissionais é de 12,5%. Além disso, aproximadamente 50% das mulheres indígenas ocupadas estão trabalhando de maneira informal.

Verônica Vassalo é gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil
Verônica Vassalo é gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil
Foto: Pacto Global da ONU – Rede Brasil/Divulgação / Estadão

"Embora os povos indígenas representem uma parcela importante da diversidade brasileira, sua presença no mercado de trabalho formal ainda é extremamente reduzida, resultado de barreiras históricas, sociais, educacionais e estruturais que limitam o acesso a oportunidades de emprego e desenvolvimento profissional", avalia a gestora.

Diante disso, ao promover o "Reflorestar o Corporativo", o Pacto Global busca sensibilizar o setor empresarial para a importância da inclusão desses profissionais, contribuindo para a sustentabilidade das empresas e para a ampliação de oportunidades justas. "A valorização da diversidade fortalece as organizações e contribui para um desenvolvimento econômico e social mais sustentável", complementa.

Como participar do projeto

As inscrições para representantes das empresas interessadas serão feitas por meio de um formulário a ser divulgado na área de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU - Rede Brasil no LinkedIn, em data ainda não informada. No mesmo canal, também serão informadas as orientações para a inscrição. Segundo o Pacto, a programação detalhada, com as datas de cada atividade, será divulgada "em breve".

A participação na fase online será aberta a todas as empresas interessadas, independentemente de serem ou não participantes do Pacto Global da ONU - Rede Brasil. Já a fase presencial contará com um número limitado de empresas, em virtude do espaço onde será desenvolvida a atividade. A prioridade será dada às empresas localizadas no território amazônico e às participantes do Pacto.

Segundo Vassallo, passada a fase de sensibilização realizada neste semestre, está prevista outra etapa do projeto a ser desenvolvida no próximo ano. Nela, devem ser realizadas ações "mais estruturadas e concretas" de apoio às empresas que se engajarem no desenvolvimento dessas políticas.

"Os encontros terão um papel importante na escuta das empresas, permitindo identificar os principais desafios, oportunidades e necessidades para a promoção dessa agenda. Esses aprendizados irão subsidiar a construção da segunda etapa do projeto, quando serão desenvolvidas ações mais estruturadas e concretas de apoio às empresas. Assim, a fase inicial será fundamental para orientar as próximas iniciativas e garantir que elas respondam às demandas e à realidade do setor empresarial."

Estadão
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