No Oriente Médio, equilibre moeda local, dólar e cartão
Antes de embarcar para uma viagem ao Oriente Médio, além das dúvidas em relação a como se portar e vestir, surge a preocupação de como lidar com o dinheiro no outro continente. Para se blindar de imprevistos, o ideal é levar consigo uma boa quantia em dólar ou euro, trocar uma parte pela moeda local do país de destino e saber a hora certa de usar o cartão de crédito ou pré-pago na hora das compras.
É o que aconselham algumas agências de turismo com pacotes para países como Turquia, Israel, Egito e Jordânia. Proprietário da paulistana Egípcia Tours, Mohammed Youssef Darwich afirma que algumas regiões aceitam as moedas estrangeiras na hora das compras - caso do Egito e da Turquia, acostumados a receber turistas. No entanto, utilizar o câmbio local na hora do pagamento traz um grande benefício. "Assim o turista tem maior poder de negociação com o valor real da moeda local", afirma Darwich.
Entre fazer a troca no Brasil ou no país de destino, a opção mais barata é ir a uma casa de câmbio daqui, afirma Tiago Gomes Mussio, sócio e responsável pelo marketing da Donato Viagens, em São Paulo. "Do ponto de vista econômico, sempre é melhor comprar a moeda direto do real, porque não se perde em conversão", afirma. No entanto, ele ressalta a dificuldade em encontrar notas do Oriente Médio nas agências brasileiras, o que muitas vezes faz com que o turista faça a conversão quando já está no outro continente, no aeroporto ou no hotel.
A quantia que o viajante deve levar do Brasil depende do custo de vida de cada local, mas o proprietário da Egípcia Tours aconselha a reservar, em média, US$ 70 por dia para gastos com alimentação e transporte - além do reservado para a estadia. Entre a viagem de avião e a chegada ao hotel, o ideal é portar consigo US$ 500. Volkan Güzey, presidente da Fui Viagens, do Rio de Janeiro, chama a atenção para o porte de notas pequenas, de US$ 1 e de US$ 5, para evitar uma saia-justa no hotel. "Muitas vezes, se você não dá uma gorjeta para o homem que carrega as malas, fica uma situação chata, porque no Oriente Médio isso é tradição. Se você não der na hora, a pessoa não gosta", afirma.
O cálculo de quanto da moeda local deve estar na carteira durante o dia a dia da viagem depende dos gastos do turista e também da taxa de câmbio do dia. Para se ter uma ideia, R$ 1 equivale a quase 3 libras egípcias (Egito), 2 shekels (Israel) e 0,9 lira (Turquia). Darwich aconselha a fazer a troca nas casas localizadas no centro das cidades, em vez de lojas instaladas no aeroporto ou dentro dos hotéis, que tendem a ser mais caras. A exceção são os Emirados Árabes, lembra Güzey, cujo valor é padrão em todas as agências.
Na hora das compras, escolha bem entre dinheiro e cartão
Quando chegar a hora das compras, a opção entre dinheiro vivo e cartão de crédito deve ser pensada de acordo com o tipo de mercadoria a ser adquirida e o estabelecimento que a oferece. "O dinheiro em espécie é muito usado no dia a dia. O cartão usa-se muito em lojas ou restaurantes com produtos um pouco mais caros", diz o sócio da Donato Viagens.
A escolha pelo dinheiro eletrônico acarreta tanto pontos positivos quanto negativos. "A melhor alternativa é usar o cartão de crédito. Assim, se um tapete comprado não for entregue, é possível pedir o cancelamento da compra", aconselha Darwich. Entretanto, há o risco do comprador ser vítima de um golpe. "Hoje a gente se preocupa muito com a questão da clonagem. Eu não aconselho a usar o cartão de crédito em qualquer lugar que se chegue. Às vezes, é uma banquinha de um bazar que, de repente, aceita cartão. Mas ali ele pode ser clonado", opina.
Além do risco, outro ponto que ambos chamam a atenção é para o IOF - imposto federal que incide sobre operações financeiras via cartão de crédito realizadas no exterior, que hoje está por volta de 6%. Como forma de driblar a taxa, o sócio da Donato Viagens aponta o uso de cartões pré-pagos com quantias carregadas no Brasil, que permitem o saque no dinheiro do país de destino lá mesmo. Para uma viagem tranquila, basta saber dosar. "O que vale é ter bom senso. Independentemente da moeda a ser levada, se é em espécie ou não, não pode levar nem só dinheiro nem só cartão. Invariavelmente você vai perder um pouco dali, mas depois vai ganhar um pouco de lá", opina Mussio.