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Minerais críticos: o Brasil não precisa escolher entre soberania e integração

País está diante de uma oportunidade histórica de gerar riqueza por meio de projetos integrados às cadeias globais

13 abr 2026 - 22h11
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Durante décadas, a geopolítica global foi definida pelo petróleo. Hoje, o eixo estratégico se desloca: com a transição energética e a digitalização, os minerais críticos tornaram-se elementos centrais das cadeias produtivas. O mundo, antes dependente de energia fóssil, torna-se dependente de minerais.

Países e blocos passaram a tratar o acesso a esses recursos como questão de segurança econômica, mobilizando políticas industriais para garantir o suprimento. Nesse cenário, o Brasil ocupa posição estratégica, com depósitos essenciais de lítio, terras raras, grafite, níquel, cobre e nióbio. É uma oportunidade histórica para gerar riqueza por meio de projetos integrados às cadeias globais.

A soberania do País se fortalece ao transformar potencial geológico, como o de terras raras, em desenvolvimento tecnológico e riqueza real para a sociedade
A soberania do País se fortalece ao transformar potencial geológico, como o de terras raras, em desenvolvimento tecnológico e riqueza real para a sociedade
Foto: Meteoric/Divulgação / Estadão

A experiência demonstra que a competição e a diversidade de investidores fortalecem a capacidade nacional. No petróleo, a abertura gradual a partir dos anos 1990 gerou expansão e investimentos significativos.

Na mineração, a história é semelhante: o setor estagnou após a restrição da Constituição de 1988 e só retomou o fôlego com a Emenda Constitucional de 1995, que reabriu o mercado ao capital estrangeiro.

Modelos restritivos ilustram riscos claros. O monopólio estatal do urânio resultou em baixo investimento e dependência externa. No caso do lítio, restrições à exportação mantiveram o setor pequeno enquanto o mercado global evoluía.

A flexibilização das regras para o lítio, há três anos, atraiu bilhões em investimentos e recolocou o País no mapa global, mas para o urânio, o desafio persiste.

O desenvolvimento mineral exige segurança jurídica, abertura e previsibilidade. Projetos de transição energética demandam alto capital e envolvem riscos elevados.

Como o capital de risco local ainda é limitado, grande parte dos aportes vem de grupos internacionais interessados em integrar o País às cadeias globais. Medidas que limitem exportações ou criem monopólios podem afastar esse capital e anular a construção de indústrias associadas.

O Brasil é visto como parceiro confiável e neutro, uma vantagem competitiva relevante em tempos de disputa por recursos. Soberania não significa isolamento, mas políticas inteligentes: mecanismos de garantia, crédito direcionado e incentivos fiscais podem fortalecer a cadeia nacional sem afastar investidores.

Além disso, nossa matriz renovável permite uma mineração com menor pegada de carbono, diferencial valorizado internacionalmente.

O Brasil não precisa escolher entre soberania e integração. Nossa soberania se fortalece ao transformar potencial geológico em desenvolvimento tecnológico e riqueza real para a sociedade.

Estadão
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