Mineradora volta a operar mineroduto depois de rompimento
Justiça estadual determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em decorrência de danos ambientais causados pela Anglo American.
O mineroduto da empresa Anglo American, responsável pelo escoamento da produção de minério de ferro de Minas Gerais para o Rio de Janeiro voltou a operar depois de um rompimento no dia 12 de março. O abastecimento de água chegou a ser interrompido no município de Santo Antônio do Grama, na Zona da Mata Mineira e o Ribeirão Santo Antônio foi contaminado.
No mesmo dia, representantes da mineradora britânica foram à Assembleia Legislativa para explicar as ações aos deputados estaduais mineiros e à Comissão de Minas e Energia da Casa.
Por causa do acidente a Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões depois que o Ministério Público constatou o vazamento de 450 m³ de minério no ribeirão durante os 45 minutos em que o mineroduto continuou funcionando.
A empresa informou que o material despejado no meio ambiente é uma polpa composta por 70% de minério de ferro e 30% de água. A anglo American disse ainda que o resíduo não oferece perigo à população, segundo as normas técnicas de segurança.
A retomada das atividades do mineroduto foi autorizada pelo Ibama depois que foi feita a análise dos documentos apresentados pela empresa que comprovam o cumprimento de ações em resposta ao acidente.
Durante três dias a Anglo American distribuiu água mineral para a população de Santo Antônio do Grama e carros-pipa abasteceram as casas do município. No dia 15 de março a Estação de Tratamento de Água da Companhia de Abastecimento foi completamente abastecida e uma adutora foi construída para abastecer a cidade.
Dezessete pontos espalhados entre o Ribeirão Santo Antônio e o Rio Casca estão sendo monitorados e, de acordo com a Anglo, 200 profissionais trabalham na operação.
Maior mineroduto do mundo
O mineroduto Minas-Rio é uma obra grandiosa e envolve grandes números. O site da empresa o apresenta como “um dos maiores projetos de minério de ferro do mundo, durante sua implantação”. E segue afirmando que ele “é uma operação de exportação de minério de ferro totalmente integrada, com mina, usina de beneficiamento, mineroduto de 529 km e o terminal de minério de ferro dedicado no Porto de Açu”, no Rio de Janeiro.
O rompimento do mineroduto é a segunda polêmica que envolve o projeto da gigante britânica Anglo-American.
No início deste ano, uma reportagem publicada pelo The Intercept revelou que a subsecretária de Meio Ambiente de Minas Gerais pediu licença do cargo que ocupava no governo para assinar o projeto de uma das etapas do mineroduto Minas-Rio da Anglo American. Aline Faria Souza Trindade tem, entre suas atribuições fiscalizar as barragens no estado.
Na prática, a servidora vai assinar projetos que serão analisados pelo órgão regulador estadual onde voltará a atuar depois que retornar da licença. Entre os projetos elaborados por Aline está a construção de uma barragem de rejeitos sete vezes maior que a de Mariana.
Em nota, o Governo do Estado de Minas Gerais afirmou que a servidora não estava cometendo nenhuma ilegalidade. A Anglo-American reiterou que a legislação brasileira permite que qualquer funcionário público licenciado do cargo exerça atividades de natureza privada, inclusive assalariada.
Veja também
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.