Movile faz novas demissões para integrar-se ainda mais ao iFood
A holding vai operar com uma estrutura mais enxuta e alinhada ao iFood
Na última semana, a Movile fez uma nova rodada de demissões. A holding, que no ano passado já tinha cortado mais de 100 funcionários, além de outros 40 da fintech MovilePay e outros 60 da Afterverse, está reduzindo sua atual estrutura para integrar-se cada vez mais ao iFood, visto que as empresas possuem o mesmo acionista - a Prosus.
O Startups procurou a Movile para um posicionamento sobre a recente situação. A companhia confirmou que vai operar com uma estrutura mais enxuta e que fará cortes para reduzir as redundâncias com a operação do iFood. No entanto, ela não revela quantos profissionais já foram - e serão - impactados.
"A Movile esclarece que, como é sabido, vivemos uma mudança dramática nas condições macroeconômicas em todo o mundo e o Brasil não é exceção, fazendo com que as empresas de tecnologia e os investidores racionalizem seus negócios e otimizem seus ativos.
Diante desse cenário, a Movile vai operar com uma estrutura mais enxuta e cada vez mais alinhada ao iFood, visto que ambas as empresas contam com o mesmo acionista (Prosus). Assim, a atual estrutura da Movile será reduzida onde houver sobreposição com o iFood e as empresas trabalharão ainda mais juntas para transformar vidas por meio da tecnologia com foco no ecossistema do iFood.
A Movile reforça ainda que todo o processo está sendo conduzido com ética e total transparência, e não afeta as empresas do portfólio", disse a empresa, em nota enviada ao Startups.
Ex-funcionários publicaram textos de despedida no LinkedIn, confirmando que houve um layoff na organização no início deste ano em áreas como comunicação, recrutamento e TI. A reportagem entrou em contato com os colaboradores para ter mais detalhes sobre os desligamentos, mas eles não retornaram a solicitação.
Mais poder na mão do iFood
A Movile, para quem não sabe, é dona do iFood. A relação entre as empresas começou em 2013, quando a holding investiu US$ 2,5 milhões no delivery de comida. No ano seguinte, ela comprou parte das ações da plataforma de entregas e tornou-se sua acionista majoritária. Em agosto de 2022, a Movile passou a deter 100% do iFood após adquirir 33,3% das ações pertencentes à Just Eat Holding Limited, em uma transação de até R$ 9,4 bilhões. Já a Prosus tem cerca de 94% da Movile.
A aposta deu tão certo que a Movile, em determinado momento, teve que reposicionar sua estratégia para mostrar que ela era muito mais do que a dona do iFood. O unicórnio de delivery ficou tão grande que foi emancipado do restante da operação. A partir de 2019, o dia a dia do iFood virou responsabilidade de Fabricio Bloisi, que deixou o cargo de CEO da Movile para Patrick Hruby em março de 2020. As métricas das operações também foram separadas para evitar distorções - e a sensação de viver sempre sob a sombra do filho bem-sucedido.
Desde então, a Movile vem ampliado o seu portfólio com a Zoop, Sinch, Moova, Mensajeros Urbanos, a55 e Afterverse, além da já investida Sympla e da criação de marcas próprias como a fintech MovilePay e a Wavy, que oferece a outras empresas serviço de envio de mensagens aos clientes via SMS. No entanto, a holding não conseguiu encontrar um novo big hit.
Em março de 2020, a Wavy foi adquirida pela empresa sueca Sinch por mais de R$ 600 milhões. Dois anos depois, a Movile vendeu a brasileira PlayKids para a britânica Sandbox & Co. Embora o valor da transação não tenha sido revelado, a Movile revelou que ganhou uma cadeira no conselho da Sandbox.
Para quem precisou separar as operações do iFood justamente para mostrar que pode ter outros negócios de sucesso, realinhar-se ao app de entregas é, no mínimo, curioso. Mas não necessariamente uma surpresa. No ano passado, o Startups apurou que a MovilePay seria integrada às operações do iFood, que já era o seu principal cliente, para ser uma solução de cartão, crédito e conta digital do app de entregas. Aguardemos as cenas dos próximos episódios para saber quais serão os novos passos da Movile.
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