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De marmitas fitness a personal chef de Virgínia: brasileira fatura R$ 1,2 milhão com negócio de alimentação saudável nos EUA

Nutricionista que começou vendendo refeições na cozinha de casa no interior de SP hoje tem grande negócio em Orlando

12 mai 2026 - 04h59
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A nutricionista e personal chef Camila Cavazana.
A nutricionista e personal chef Camila Cavazana.
Foto: Arquivo pessoal

O que começou com marmitas feitas na cozinha de casa em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, transformou-se em um negócio que faturou cerca de US$ 250 mil (aproximadamente R$ 1,2 milhão na cotação atual) no último ano nos Estados Unidos. Agora, a meta da nutricionista Camila Cavazana é aumentar esse faturamento em cerca de 30% em 2026.

Camila atua hoje como personal chef em Orlando, cidade para onde se mudou após viajar aos Estados Unidos com apenas US$ 40 na carteira. Atualmente, ela prepara refeições diretamente na casa dos clientes, com cardápios voltados para alimentação saudável, emagrecimento e restrições alimentares. Além do atendimento personalizado na Flórida, a brasileira planeja expandir o negócio com máquinas automáticas de comida fitness antes da Copa do Mundo de 2026.

Entre os atendimentos mais recentes está o da influenciadora Virgínia Fonseca. Camila passou cerca de dez dias cozinhando para Virgínia, familiares e integrantes da equipe durante uma temporada em Orlando. Segundo ela, a possibilidade de um novo atendimento durante a Copa do Mundo chegou a ser discutida.

“Eu fiquei com bastante medo, muito nervosa no primeiro dia. Na hora que eu ouvi a voz dela entrando na casa, eu tremi”, brincou. “Mas no primeiro dia ela já filmou a comida, me filmou e aí já começou muita gente vir falar comigo. Eu postei um vídeo falando sobre o atendimento dela e viralizou, tomou uma proporção muito grande e me trouxe muitos seguidores.”

Camila nem sempre imaginou seguir carreira na cozinha. Nascida em São José do Rio Preto, ela se formou em Nutrição em 2015 e trabalhava em um restaurante de comida saudável, onde recebia cerca de R$ 600 por mês em meio período. Insatisfeita com o salário, decidiu começar a produzir marmitas fitness ao lado de uma amiga.

Sem capital para investir, as duas compraram ingredientes e embalagens básicas e passaram a divulgar o negócio com panfletos distribuídos no condomínio onde Camila morava. “No primeiro dia a gente não recebia pedido nenhum. Depois descobrimos que o telefone estava fora do gancho”, relembrou em bom humor.

Poucos meses depois, com ajuda da sogra e aproveitando promoções em lojas de utensílios, Camila conseguiu alugar uma cozinha e comprar um fogão industrial simples. Mesmo assim, manter o negócio funcionando era difícil.

A meta era vender 50 marmitas por dia para conseguir tirar um salário confortável, mas atingir esse volume era complicado. Para complementar a renda, ela passou a trabalhar também como supervisora de cozinha em uma unidade da rede Cinépolis. “Eu trabalhava de manhã com as marmitas, depois trabalhava numa cozinha de um cinema, da rede Cinépolis, como supervisora”, contou.

A mudança para os Estados Unidos ocorreupouco tempo depois, durante uma viagem de férias para Orlando. Camila afirma que ficou impressionada com a cidade logo nos primeiros dias. “Quando eu cheguei em Orlando, eu fiquei impressionada. Eu falei: ‘Meu Deus, eu quero ficar aqui’”, disse.

Segundo ela, um furacão cancelou o voo de retorno ao Brasil e acabou mudando seus planos. “Eu pensei: ‘Acho que é uma oportunidade, um sinal de Deus’. Fui atrás de emprego e falei para o meu pai que não ia mais embora”, afirmou.

Nos primeiros meses, trabalhou em shopping centers e restaurantes. “Eu era auxiliar do auxiliar. Limpava buffet, banheiro, repunha molho de salada”, relembrou.

Sem poder vender refeições completas feitas em casa por causa da legislação americana, ela começou comercializando saladas no pote.

A virada aconteceu quando uma cliente interessada em emagrecer pediu que Camila cozinhasse refeições personalizadas dentro da própria casa. Foi o início da atuação como personal chef. “Eu não podia fazer comida em casa igual fazia no Brasil porque a legislação não permite. Salada podia, porque não tinha proteína animal”, explicou.

Segundo Camila, bastariam quatro clientes fixos para que ela passasse a ganhar mais do que recebia trabalhando em restaurantes. Após ver uma cliente emagrecer 15 quilos em dois meses, decidiu apostar definitivamente no modelo. “Eu vi um grande potencial nisso, principalmente porque grande parte da população americana é obesa ou está acima do peso”, afirmou.

Ela diz que, apesar das dificuldades legais, os Estados Unidos oferecem um ambiente mais favorável para quem deseja empreender. “Eles incentivam muito que você empreenda. Quando a gente fala de empresa e pagamento de imposto, é muito menos do que no Brasil”, avaliou.

O crescimento do negócio ganhou força após começar a atender a influenciadora Adriana Sant’Anna. Segundo Camila, uma publicação feita por Adriana nas redes sociais trouxe milhares de seguidores e multiplicou a procura pelo serviço. “Ela me postou e vieram cerca de 3 mil seguidores. Na época eu tinha pouco mais de 1 mil”, contou. “Eu precisei pedir demissão da clínica onde trabalhava porque já não dava conta da demanda.”

Com a alta procura, Camila criou um método próprio de atendimento e passou a montar uma equipe para atuar em diferentes casas ao longo do dia.

Nem tudo, porém, aconteceu sem crises. Em 2025, ela afirma ter perdido cerca de metade da clientela após duas funcionárias deixarem a empresa e oferecerem serviços semelhantes diretamente aos clientes da empresa que havia montado. “Eu achei que era o fim”, afirmou. “Eu tinha acabado de voltar do Brasil, estava recém-operada e foi um caos.”

Segundo Camila, Adriana Sant’Anna voltou a ajudá-la nesse momento. A influenciadora gravou um novo vídeo divulgando o trabalho da personal chef, o que ajudou a empresa a recuperar parte da clientela. Hoje, todos os contratos da equipe são formalizados.

Após a recuperação, Camila lançou uma plataforma digital para contratação de serviços de personal chef, incluindo cafés da manhã, refeições semanais e eventos, o que impulsionou o negócio novamente.

Com bom faturamento no ano passado, o próximo passo é investir em máquinas automáticas de comida saudável nos Estados Unidos, em um modelo semelhante às tradicionais vending machines americanas. “Tem máquina de remédio, bebida, chips, de tudo que você imaginar. Só que não tem de comida saudável”, disse.

A ideia é vender refeições fitness embaladas a vácuo em academias, universidades e hospitais. Segundo ela, os alimentos terão maior tempo de conservação e serão voltados principalmente para o público fitness.

Hoje, cerca de 80% dos clientes ainda são brasileiros, mas Camila afirma que o público americano vem crescendo, principalmente pela busca por uma alimentação mais saudável. Segundo ela, clientes de outras nacionalidades também passaram a consumir os pratos preparados pela equipe, que mistura referências da culinária brasileira com cardápios adaptados ao perfil de cada cliente.

A brasileira avalia como desafiador difundir esse estilo de alimentação em um país fortemente marcado pela cultura do fast food, mas acredita que justamente essa realidade abre espaço para o crescimento do negócio.

“Ao mesmo tempo que vejo o desafio de quebrar paradigmas, também vejo uma grande oportunidade, porque é difícil encontrar comida saudável que seja realmente gostosa. E eu entrego isso”, afirmou. “Tenho muita confiança na qualidade do serviço que oferecemos e estamos crescendo de pouco em pouco.”

Camila diz que costuma olhar para a própria trajetória como uma forma de medir o crescimento da empresa. “Quando decidi morar nos Estados Unidos, eu tinha US$ 40 na carteira. Hoje tenho uma empresa que fatura US$ 250 mil por ano. Acho que alguma coisa estou fazendo certo.”

Fonte: Portal Terra
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