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Mercado de retrofit devolve ao centro paulistano poder de atração de novos negócios imobiliários

Estimativas apontam que área central terá 60 mil novos moradores nos próximos anos, diz a secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento

30 jun 2025 - 17h02
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"Caminho pela Vila Buarque com tranquilidade, com o celular na mão. Além disso, tem uns 10 restaurantes de que eu gosto por lá." Por mais que a frase de Guil Blanche, fundador e CEO da Planta Inc, possa ser classificada como de alguém que está defendendo o seu negócio, ela indica uma tendência corroborada pelos participantes de uma das mesas de debate do Summit Imobiliário, realizado nesta segunda-feira, 30, em São Paulo, no Dia do Mercado Imobiliário Estadão.

A proposta da Planta, empresa criada há cinco anos na cidade, é montar uma espécie de cluster de prédios em parte do centro paulistano, usando a técnica do retrofit em oito edificações espalhadas por uma área de 10 quadras. "Éramos duas pessoas no início e agora somos 35. Existe uma mudança de atenção sobre o centro de São Paulo tanto do mercado quanto do poder público", afirma Blanche.

Segundo o executivo, que já entregou 10 dos 11 prédios reformados pela empresa no centro paulistano, a maturação dos negócios na região é refletida tanto nas locações quanto nas vendas.

A conversão dos prédios antes comerciais — construídos principalmente nos anos 1950 e 1960 — para residenciais engloba também ações de urbanismo voltadas para as ruas e calçadas de toda a região, explica o CEO da Planta.

"A situação do centro da cidade de São Paulo, atrelada pelas pessoas muitas vezes a uma violência visual, e assim como ocorre em São Francisco, Los Angeles e Nova York, é complexa. Mas sabe como ela pode ser resolvida? Com as pessoas morando nessas regiões", afirma Blanche.

E, ao também olhar apenas para o centro, Marcelo Falcão, diretor de Novos Negócios e Comunicação da Somauma, apresenta um ponto de vista que vai na mesma direção de seu colega de mercado. "Temos olhado apenas para essa região e estamos com 95% das unidades vendidas. Não olhamos apenas para o prédio, mas também para o território. Fazemos as nossas próprias obras, além da curadoria dos nossos negócios", diz o executivo.

Para ele, as críticas ao centro, de que normalmente se trata de uma região vazia e insegura, muitas vezes são feitas por quem não vive a cidade. "Apesar de todas as dificuldades de funding (fonte de recursos), as nossas últimas captações mostram que as pessoas estão cada vez mais acreditando no centro", afirma Falcão.

Na mesma linha de raciocínio, Maxime Barkatz, sócio-fundador da Ilion Partners, afirma que o centro paulistano é uma das oportunidades mais bacanas que existe na cidade atualmente. "São Paulo é uma cidade que está no radar de todo mundo. Ainda não sabemos onde ela vai estar daqui a 50 anos, porque ainda existe a tendência de mais espalhamento, mas as forças que caminham para o adensamento também estão presentes."

O retrofit é uma coisa simples, segundo o executivo, mas que tem consequências impactantes. Para ele, a simples pintura de uma fachada gera resultados; mas, quando os processos de reforma estão em sintonia com a região, melhor ainda.

"É um consenso cada vez maior do mercado, fomentado, claro, pelos interesses da população. As pessoas, hoje, querem o centro. Falhas de desenvolvimento urbano (olhando para o passado) ocorreram, mas não existe, hoje, o jovem querer morar no Morumbi. Ele quer morar na região adensada. Estamos vivendo um momento muito bacana, excitante", crava Maxime.

Processos destravados

Apesar dos avanços, há muitos desafios. E parte deles dependem das ações do poder público, como afirmam os representantes do setor privado que participaram dos debates do Summit Imobiliário. Segundo eles, ações como o projeto Requalifica, da prefeitura de São Paulo, criado em 2021, estão ajudando na maturidade do setor.

"Temos o Requalifica, ligado a isenção, mas também um programa de subvenção. Tudo voltado para o centro. São 30 projetos em andamento no total, alguns já entregues. Morar no centro é um estilo de vida que vem crescendo", afirma Elisabete França, secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento. Ela mesmo afirmou ser moradora do centro.

"Os investidores estão percebendo esse movimento. As estimativas mostram que teremos 60 mil novos moradores na região nos próximos anos. Entre classe média, classe média baixa, jovens e casais sem filhos. Muitos que trabalham no centro, querem também morar na região", assegura a secretária municipal.

De acordo com Blanche, mesmo fazendo eco ao fato de que o trabalho da prefeitura vem impulsionando a tese criada pela Planta Inc de que moradia no centro gera impacto positivo, a questão do financiamento ainda é um gargalo.

"Precisamos desenvolver linhas de crédito mais compatíveis com o nosso negócio. Sobreviver e ganhar dinheiro, para quem nasceu na pandemia com um juros a 2% (hoje a Selic está em 15%), é uma prova de que o negócio é bom. Temos um ciclo curto de 30 meses em média e uma aprovação que está ao redor dos quatro meses", diz Blanche.

O Dia do Mercado Imobiliário Estadão tem patrocínio da AW Realty Incorporadora e do QuintoAndar e apoio da CDHU.

Estadão
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