Mello se diz lisonjeado com possível indicação ao BC e afirma estar à disposição de Lula
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse nesta sexta-feira se sentir lisonjeado pela possível indicação de seu nome à diretoria do Banco Central, ressaltando estar à disposição para cumprir as tarefas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva julgar pertinentes.
Em entrevista coletiva, Mello, que está em avaliação no governo para possivelmente ocupar o cargo de diretor de Política Econômica do BC, evitou prever os próximos passos da política de juros da autarquia, apesar de dizer que vê espaço para corte na Selic, e afirmou que o país está caminhando no sentido certo na busca pelo desafio de atingir a meta de inflação de 3%.
"A política econômica foi capaz de combinar crescimento, mercado de trabalho forte, aumento do investimento, melhoria na distribuição de renda e redução da pobreza com inflação mais baixa", afirmou, argumentando que a atuação harmonizada das políticas econômica, fiscal e monetária gerou efeitos positivos na inflação em 2025.
O secretário disse que até o momento não foi formalmente convidado para ocupar a diretoria do BC e, por isso, não pode fazer comentários mais elaborados sobre o tema.
Segundo Mello, avaliações feitas por ele no passado de que o nível dos juros no país estava elevado eram factuais e alinhadas inclusive a visões de mercado. Ele disse que decisões sobre flexibilização da Selic à frente são feitas pelo BC, não cabendo à SPE fazer projeções.
"O Copom falou que deve iniciar o ciclo (de corte) e o mercado está projetando meio ponto percentual. A gente incorpora isso na nossa projeção, não é uma coisa que nós projetamos ou opinamos", afirmou.
Ao defender seu legado na Fazenda, ele afirmou que a Secretaria de Política Econômica mostrou bons resultados na elaboração de estudos, projeções e proposições legislativas.
BC IMPACTA DÍVIDA
Na entrevista, o secretário disse que a estabilização da dívida pública no Brasil não será alcançada puramente pela gestão fiscal do governo, ressaltando que a melhora do indicador depende da política monetária implementada pelo BC.
Relatório da SPE apresentado nesta sexta apontou que o efeito financeiro do gasto do governo com juros da dívida pública, diante do nível elevado da taxa Selic no país, foi o principal determinante do aumento do endividamento público no período recente.
"Evidentemente que a dívida é um indicador que não é puramente fiscal, ela depende de decisões de política monetária, depende de um conjunto de outras coisas, então a própria projeção dela muda muito conforme muda a curva de juros", afirmou Mello.
A dívida pública bruta do país fechou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), uma alta de 2,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, sob forte impacto do gasto do governo com juros, que atingiu a marca de R$1 trilhão.
"No cenário de elevado custo financeiro, a promoção do crescimento econômico sustentado mostra-se como essencial para a estabilização da dívida bruta", disse a SPE no relatório.
O BC tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas, na tentativa de controlar a inflação, e sinalizou que poderá iniciar um nível de cortes em março.
Na entrevista, Mello destacou que o governo tem em seu arcabouço fiscal mecanismos que colaboram para a estabilização da dívida pública.
A Reuters mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encaminha para confirmar a indicação do nome de Mello para a diretoria de Política Econômica do BC, área responsável pela elaboração dos modelos usados pela autarquia em suas decisões da política de juros.
Professor da Unicamp, Mello trabalhou no plano econômico de Lula para as eleições de 2022. Sua inclinação à esquerda e ligação com o PT causaram apreensão no mercado financeiro, o que refletiu nas taxas de juros de longo prazo.