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Lula fará pronunciamento para tentar acalmar o mercado e demonstrar preocupação com a dívida pública

Presidente vai falar que continuará perseguindo as metas fiscais sem descumprir promessas de campanha, mas não deve detalhar medidas concretas - tampouco anunciar nome de novo ministro da Fazenda

4 nov 2026 - 15h54
(atualizado às 17h40)
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Resumo
Em pronunciamento à nação neste domingo, o presidente Lula tentará acalmar o mercado financeiro e pregar a pacificação do país após sua reeleição. Ele prometerá responsabilidade fiscal e foco no controle da dívida para sustentar programas sociais, sem anunciar medidas concretas de corte de gastos ou o novo ministro da Fazenda. Lula também defenderá a redução da taxa Selic, agradecerá aos eleitores pela vitória e buscará conciliar o equilíbrio das contas públicas com suas promessas de campanha.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai fazer um pronunciamento para a nação, em cadeia nacional de rádio e televisão, neste domingo, 8, para tentar acalmar os ânimos do mercado financeiro e promover uma ideia de pacificação do País neste quarto mandato.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o presidente vai falar que continuará perseguindo as metas fiscais, ao mesmo tempo que não deixará de cumprir promessas de campanha.

O mercado financeiro enfrentou uma sangria histórica no primeiro pregão da Bolsa de Valores após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

Mercado financeiro enfrentou uma sangria histórica no primeiro pregão da Bolsa de Valores após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Mercado financeiro enfrentou uma sangria histórica no primeiro pregão da Bolsa de Valores após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

No pronunciamento, Lula dirá que terá responsabilidade fiscal ao longo de todo o quarto mandato, mas não deve anunciar medidas concretas para controlar gastos, tampouco antecipar o nome do ministro da Fazenda que irá conduzir a pasta nos próximos quatro anos.

A expectativa é de que ele afirme que se preocupa com a dívida pública e faça uma conexão entre as contas em ordem e a sustentabilidade dos programas sociais. O presidente também deve falar de juros, sobre a necessidade de se criar condições para que a taxa Selic seja reduzida.

Está descartado, segundo interlocutores ouvidos pelo Estadão, que ele faça qualquer menção à proposta do economista André Lara Resende, de criar uma espécie de tabelamento dos juros, que cairia para 7,5% ao ano em 12 meses.

Na terça-feira, 3, Lula passou horas reunido com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento) no Palácio da Alvorada antes de ir a São Paulo para realizar exames médicos. Há a expectativa é de que medidas de contenção de gastos e aumento de arrecadação sejam anunciadas nas próximas semanas.

Na sexta-feira que antecedeu o primeiro turno, Durigan disse que Lula iria promover um ajuste das contas públicas sem promover um "cavalo de pau" ou fazer "loucuras na economia", como forma de contrastar o "tesouraço" do candidato derrotado à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Durante a campanha, o presidente não deu indicações claras sobre como promete implementar o ajuste. Ao contrário, afirmou que fazer superávit primário era "babaquice" e lançou mão de um pacote de medidas que supera R$ 400 bilhões.

Promessas de campanha terão de ser acomodadas no Orçamento

O presidente fez uma série de promessas que terão de ser encaixadas no Orçamento dos próximos anos. Estão nesse rol a criação do Pé-de-Meia para universitários, a universalização do Pé-de-Meia para todos os alunos do ensino médio, a construção de mais de 100 presídios de segurança máxima, reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo, entre outros.

Como mostrou o Estadão, as novas medidas e promessas anunciadas pelo presidente reeleito durante a campanha eleitoral vão exigir ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.

Sobre a disputa eleitoral, Lula vai agradecer a mulheres, estudantes e idosos pela histórica virada sobre Flávio. Ao mesmo tempo, ele vai reconhecer o cenário polarizado mostrado pelas urnas e pedir uma união da população em torno dos projetos do governo.

Lula anunciou que faria o pronunciamento na semana passada após um almoço com o deputado reeleito André Janones (Rede-MG). Será a primeira fala formal do presidente aos brasileiros após a sua reeleição, no dia 25 de outubro.

O petista manteve-se recluso na semana passada. Comemorou seu aniversário no Palácio da Alvorada na terça-feira, 27, com militantes petistas e depois usou os últimos dias para descansar. Passou o fim de semana e o feriado de Finados na Granja do Torto, casa de campo da Presidência da República onde costuma passar dias sabáticos.

Estadão
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