Lucro da Petrobras recua 39% no 3º tri com defasagem de preços
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 3,395 bilhões no terceiro trimestre, queda de 39% na comparação com o mesmo período do ano passado, sendo afetada mais uma vez pelo prejuízo na área de Abastecimento.
O resultado divulgado nesta sexta-feira veio abaixo da expectativa média de analistas ouvidos pela Reuters, de R$ 5,84 bilhões, com o impacto negativo da defasagem de preços de combustíveis em relação aos valores internacionais e por conta do dólar mais forte, que também encareceu as importações.
Na comparação com o segundo trimestre, o lucro recuou 45%.
"Ainda que tenhamos tido quatro reajustes de preço de diesel e dois de gasolina nos últimos 16 meses, totalizando 21,9 % e 14,9% de aumento, respectivamente, a forte depreciação do Real verificada desde maio de 2013, chegando a 22 % de desvalorização, fez com que a defasagem voltasse a crescer nos últimos meses", afirmou a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, em nota.
Mas a executiva reafirmou que a empresa busca a convergência de preços, ao mesmo tempo em que prevê aumentar a produção de petróleo e gás.
A estatal informou nesta sexta-feira que apresentou ao Conselho de Administração uma nova política de preços de combustíveis pela qual buscará ter maior previsibilidade do alinhamento dos preços domésticos do diesel e da gasolina com os valores praticados no exterior. Detalhes não foram revelados.
"Estamos implantando os projetos de desenvolvimento da produção os quais aumentarão nossa entrega de petróleo e gás, trazendo a devida elevação da geração operacional de caixa, somando a esta o efeito positivo da convergência de preços que buscamos", disse a presidente.
"Assim planejamos reduzir, ao longo dos próximos meses, os indicadores de alavancagem e endividamento".
Dívida cresce
Outra preocupação apontada por analistas, além da defasagem de preços, a alavancagem da estatal voltou a subir. A relação dívida/patrimônio líquido subiu de 31%, em 31 de dezembro de 2012, para 36% em 30 de setembro.
O endividamento total da petroleira, por sua vez, disparou 28% em 2013, passando de R$ 196,3 bilhões em 31 de dezembro do ano passado para 250,8 bilhões em 30 de setembro.
A dívida de curto prazo da companhia cresceu 19% neste período, para 18,1 bilhões.
A revisão do rating da Petrobras para baixo pela agência de classificação Moody´s reflete a alavancagem financeira e a expectativa de fluxo de caixa negativo nos próximos anos, lembrou a própria executiva na nota.
Mas, segunda Graça Foster, o robusto plano de investimentos para implantar projetos, sobretudo do pré-sal, promoverão "a devida elevação de caixa operacional."
Perdas no abastecimento
A divisão de Abastecimento da Petrobras registrou perdas de R$ 5,52 bilhões no terceiro trimestre, contra prejuízo de 5,65 bilhões no mesmo período do ano passado, numa situação de defasagem entre os valores internos e externos.
A Petrobras disse que o consumo recorde de diesel no país provocou a disparada nas compras externas, elevando o saldo negativo entre importações e exportações de petróleo e combustíveis para 425 mil barris por dia, um volume bem acima do déficit de 271 mil barris verificado no mesmo período do ano passado.
As importações de derivados da Petrobras dispararam 89% no terceiro trimestre em comparação ao trimestre anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, indicador do desempenho operacional, somou R$ 13,09 bilhões, ante 14,37 bilhões um ano antes.
Produção e receita
Já a produção da Petrobras ficou praticamente no mesmo patamar do realizado no segundo trimestre, com a extração de petróleo e gás de 2,52 milhões de barris por dia.
Entre os motivos que impediram a estatal de alcançar melhores níveis de produção, Graça Foster citou o adiamento do início de operação da P-63 de 15 de julho para 31 de outubro e nove meses de atraso da empresa norueguesa Subsea 7 na entrega de sistemas para o FPSO Cidade de São Paulo.
A receita de vendas da estatal somou R$ 77,7 bilhões, contra 73,79 bilhões no mesmo período do ano passado.
As vendas de derivados no trimestre somaram 2,422 milhões de barris diários, ante volume de 2,350 milhões de barris um ano antes.
Investimentos e vendas de ativos
No ano até o final de setembro, os investimentos da Petrobras somaram R$ 69,263 bilhões, quantia 16 por cento maior que a executada no mesmo período de 2012.
A presidente da Petrobras também destacou a continuidade de programas para redução de custos, e disse que a estatal realizou desinvestimentos de US$ 4,8 bilhões neste ano.