Justiça alemã condena ex-executivos da Volkswagen a penas de prisão por fraude no caso "dieselgate"
A Justiça alemã condenou nesta segunda-feira (26) quatro ex-dirigentes da Volkswagen por participação no escândalo conhecido como "dieselgate", que veio à tona em 2015. As penas variam entre um ano e três meses com sursis (liberdade condicional), e até quatro anos e meio de prisão em regime fechado. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Braunschweig, quase quatro anos após o início do processo.
A Justiça alemã condenou nesta segunda-feira (26) quatro ex-dirigentes da Volkswagen por participação no escândalo conhecido como "dieselgate", que veio à tona em 2015. As penas variam entre um ano e três meses com sursis (liberdade condicional), e até quatro anos e meio de prisão em regime fechado. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Braunschweig, quase quatro anos após o início do processo.
Nathalie Versieux, correspondente da RFI em Berlim
Entre os condenados, Jens H. recebeu a pena mais severa: quatro anos e meio de prisão. Hanno J. foi sentenciado a dois anos e sete meses em regime fechado. Já Heinz-Jakob Neusser, ex-diretor de desenvolvimento técnico da montadora, foi condenado a um ano e três meses com sursis, enquanto Thorsten D. recebeu um ano e dez meses, também com sursis.
Todos os réus poderão recorrer da decisão. Eles respondiam por fraude em grupo organizado, acusação ligada à instalação de softwares que manipulavam os testes de emissão de poluentes em veículos a diesel.
"As autoridades responsáveis pela certificação dos veículos não foram informadas de que as emissões eram muito mais altas em condições reais de uso", afirmou o juiz Christian Schütz. "É claro que isso era ilegal", concluiu, durante a leitura da sentença.
Histórico de um escândalo global
O escândalo do "dieselgate" estourou em setembro de 2015, após investigações das autoridades dos Estados Unidos revelarem que milhões de veículos da Volkswagen estavam equipados com dispositivos que burlavam os testes ambientais. A fraude permitia que os veículos aparentassem ser menos poluentes do que realmente eram.
Apesar da gravidade do caso, o julgamento dos envolvidos na Alemanha só começou em 2021, com diversas contradições entre depoimentos de acusados e testemunhas — mais de 150 pessoas foram ouvidas ao longo do processo.
Um dos nomes mais esperados no banco dos réus, o ex-CEO da Volkswagen, Martin Winterkorn, pode nunca ser julgado, devido ao seu estado de saúde. O processo contra ele está suspenso.
Impacto bilionário
O "dieselgate" representou um dos maiores escândalos da história do setor automotivo e já custou à Volkswagen mais de € 33 bilhões, entre multas, indenizações e recall de veículos. Estima-se que o valor total possa ultrapassar os € 50 bilhões, uma vez que ainda tramitam ações civis de consumidores e acionistas.
O primeiro executivo a ser condenado foi o ex-CEO da Audi, Rupert Stadler, que em 2023 recebeu pena com sursis e foi multado em € 1,1 milhão.
Apesar do impacto negativo, o caso forçou a montadora a revisar sua cultura empresarial e a apostar fortemente em veículos elétricos, numa tentativa de reposicionar sua imagem. A empresa agora enfrenta a concorrência direta das montadoras chinesas nesse novo mercado.
(Com AFP)