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Inflação sobe 0,33% em dezembro, encerra 2025 em 4,26% e abre caminho para queda do juro

Resultado ficou abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, e foi o menor para um mês de dezembro desde 2018, segundo o IBGE

9 jan 2026 - 09h14
(atualizado às 16h12)
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RIO E SÃO PAULO - Sob pressão de aumentos nas passagens aéreas e no transporte por aplicativo, a inflação oficial no País acelerou de 0,18% em novembro para 0,33% em dezembro, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta sexta-feira, 9 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da aceleração, a inflação de dezembro foi a mais branda para o mês desde 2018. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses arrefeceu pelo terceiro mês consecutivo, encerrando o ano de 2025 em 4,26%. Ou seja, o IPCA do ano ficou abaixo do teto de tolerância (de 4,5%) da meta de inflação de 3,0% perseguida pelo Banco Central. O resultado significou o menor acumulado para o ano desde 2018, quando o IPCA foi de 3,75%.

Para o Bank of America (BofA), foi um desfecho positivo, "já que nos momentos mais pessimistas do ano o consenso via a inflação fechando o ano acima de 5,5%". O banco reafirmou sua projeção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC inicie o ciclo de flexibilização na taxa básica de juros, a Selic, a partir de janeiro, com um corte de 0,50 ponto porcentual.

IPCA fechou dezembro com alta de 0,33%
IPCA fechou dezembro com alta de 0,33%
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

O IPCA de dezembro deixou a porta aberta para um corte na Selic de janeiro, mas aponta um cenário em "equilíbrio delicado", ponderou a Capital Economics. Por um lado, o mercado de trabalho permanece forte e o núcleo de inflação continua pressionado. Por outro, dados recentes da economia mostram fraqueza, com o índice de atividade econômica do BC contraindo pelo segundo mês consecutivo em outubro, destacou a consultoria.

"Mas, independentemente de o primeiro corte se materializar este mês ou na reunião de março, o quadro maior é que, uma vez iniciado o ciclo de afrouxamento, a taxa Selic provavelmente cairá mais do que a maioria espera este ano", previu a economista para Mercados Emergentes da Capital Economics, Kimberley Sperrfechter, em relatório.

Em dezembro, a energia elétrica residencial recuou 2,41%, maior alívio individual para o IPCA do mês, -0,10 ponto porcentual. A queda foi puxada pela entrada em vigor, em dezembro, da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, em substituição à bandeira tarifária vermelha patamar 1, que vigorava em novembro e acrescentava R$ 4,46 para o mesmo nível de consumo. Além disso, houve reajuste de 21,95% em uma das concessionárias em Porto Alegre em 22 de novembro e de 10,48% em Rio Branco a partir de 13 de dezembro.

Os preços dos alimentos para consumo em casa voltaram ao território positivo em dezembro, após seis meses seguidos de quedas. Apesar disso, o resultado veio brando, considerando a época de aumento sazonal nesses produtos. Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, a mudança de bandeira tarifária, que resultou na queda na tarifa de energia elétrica, deu a maior contribuição para deter o IPCA de dezembro, mas a maior oferta de alimentos importantes na cesta de consumo das famílias também ajudou a segurar a inflação.

"Teve uma oferta de produtos alimentícios maior, o que ocorreu o ano todo", lembrou Gonçalves. "A maior oferta de alimentos também contribuiu para segurar a inflação. Os alimentos têm o maior peso no orçamento das famílias. Então isso também ajudou a segurar o IPCA", afirmou.

O grupo Alimentação e bebidas saiu de um recuo de 0,01% em novembro para uma alta de 0,27% em dezembro. Porém, o índice de difusão de itens alimentícios, que mostra o porcentual de itens com aumentos de preços, diminuiu de 64% em novembro para 55% em dezembro.

O custo da alimentação no domicílio subiu 0,14%, puxado por altas na cebola (12,01%), batata-inglesa (7,65%), carnes (1,48%) e frutas (1,26%). Entre as carnes, os destaques foram os aumentos no contrafilé (2,39%), alcatra (1,99%) e costela (1,89%), enquanto que, entre as frutas, subiram o mamão (7,85%) e a banana-prata (4,32%). Na direção oposta, houve recuos no leite longa-vida (-6,42%), tomate (-3,95%) e arroz (-2,04%).

A alimentação fora de casa subiu 0,60% em dezembro: o lanche aumentou 1,50%, e a refeição teve elevação de 0,23%.

Os aumentos nos custos das passagens aéreas (12,61%) e dos transportes por aplicativo (13,79%) pressionaram as despesas das famílias com transportes em dezembro. A passagem aérea contribuiu sozinha com 0,08 ponto porcentual para o IPCA de dezembro, subitem de maior pressão na inflação do mês. A segunda maior pressão partiu de transporte por aplicativo, impacto de 0,04 ponto porcentual.

Combustíveis

Os combustíveis aumentaram 0,45%. Houve altas no etanol (2,83%), gás veicular (0,22%) e gasolina (0,18%), mas queda no óleo diesel (-0,27%). O ônibus urbano recuou 2,63%, devido a gratuidades concedidas aos domingos e feriados em algumas regiões. Já o metrô subiu 4,11%, o trem avançou 3,77%, e a integração transporte público encareceu 1,01%.

A inflação de serviços — usada como termômetro de pressões de demanda sobre os preços — teve alta de 0,72% em dezembro, devido a pressões sazonais, mas também de uma demanda sustentada pelo aquecimento do mercado de trabalho, avaliou Fernando Gonçalves, do IBGE.

"Os serviços acabam demorando um pouco mais para responder aos efeitos da política monetária. Alguns componentes, como passagem aérea, já são esperados terem variação positiva. É mês de férias", explicou Gonçalves.

Em dezembro, houve ainda pressão de demanda em serviços como cabeleireiro e barbeiro (1,28%), depilação (1,01%) e manicure (1,14%).

"Teve pressão maior por conta das festas de fim de ano", justificou Gonçalves. "A desocupação está em baixa, a renda da população está um pouco mais alta. Então a população acaba consumindo um pouco mais esses serviços, e isso acaba influenciando um pouco mais essa inflação. E em dezembro tem pagamento de 13º salário."

IPCA no ano

Embora tenha dado trégua em dezembro, a energia elétrica residencial foi a maior vilã da inflação no ano de 2025. Por outro lado, os alimentos ajudaram a deter o IPCA do período. A conta de luz subiu 12,31% em 2025, subitem de maior impacto individual, uma contribuição de 0,48 ponto porcentual para a inflação de 4,26% registrada no ano.

"A energia elétrica pressionou o IPCA de 2025 por conta de bandeiras tarifárias, mas também por reajustes", lembrou Gonçalves.

Figuraram ainda no ranking de principais pressões sobre o IPCA de 2025:

  • Cursos regulares (alta de 6,54% e impacto de 0,29 ponto porcentual), ]
  • Plano de saúde (6,42% e 0,26 ponto porcentual),
  • Aluguel residencial (6,06% e 0,22 ponto porcentual),
  • Lanche (11,35% e 0,21 ponto porcentual),
  • Produtos farmacêuticos (5,42% e 0,19 ponto porcentual),
  • Refeição (4,97% e 0,18 ponto porcentual),
  • Café moído (35,65% e 0,18 ponto porcentual),
  • Higiene pessoal (4,23% e 0,17 ponto porcentual) e
  • Empregado doméstico (5,36% e 0,15 ponto porcentual).

Na direção oposta, os principais alívios na inflação de 2025 partiram de:

  • Arroz (-26,56% e -0,20 ponto porcentual),
  • Leite longa vida (-12,87% e -0,10 ponto porcentual),
  • Aparelho telefônico (-6,27% e -0,05 ponto porcentual),
  • Eletrodomésticos e equipamentos (-6,01% e -0,05 ponto porcentual),
  • Seguro voluntário de veículo (-5,67% e -0,05 ponto porcentual),
  • Automóvel usado (-2,26% e -0,04 ponto porcentual),
  • Batata-inglesa (-13,65% e -0,03 ponto porcentual),
  • Feijão-preto (-32,38% e -0,02 ponto porcentual),
  • Azeite de oliva (-21,04% e -0,02 ponto porcentual),
  • Alho (-15,88% e -0,02 ponto porcentual) e
  • TV, som e informática (-3,73% e -0,02 ponto porcentual).

"Os alimentos foram os que mais contribuíram para essa taxa contida (do IPCA). Alimentação realmente foi o principal fator para essa taxa menor do IPCA de 2025", declarou Gonçalves.

A alta de 2,95% no grupo "Alimentação e bebidas" em 2025 foi a oitava mais branda desde a implementação do Plano Real, ressaltou Gonçalves. Segundo ele, a safra recorde de 2025 contribuiu para os alimentos pesarem menos no bolso das famílias e, consequentemente, na inflação.

A melhora nos preços também pode ser explicada pela desvalorização do dólar ante o real e por uma redução nos preços de commodities.

Oito dos nove grupos que integram o IPCA registraram altas de preços em 2025:

  • Alimentação e bebidas (2,95%)
  • Comunicação (0,77%)
  • Saúde e cuidados pessoais (5,59%)
  • Vestuário (4,99%)
  • Despesas pessoais (5,87%)
  • Educação (6,22%)
  • Habitação (6,79%) e
  • Transportes (3,07%).

O único grupo com recuo foi Artigos de residência (-0,28%).

Estadão
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