Inflação nos EUA e Ormuz mantêm mercados sob pressão
Agenda econômica norte-americana ainda trouxe dados do PIB e de emprego
O índice de preços de gastos com consumo (PCE) de agosto trouxe nesta manhã uma leitura mais branda do que a esperada pelo mercado. O índice cheio avançou 0,3% no mês, após alta revisada de 0,1% em julho, abaixo do consenso de 0,4%.
Os mercados globais abriram a sessão desta quarta-feira (30) sem direção única, com os investidores dividindo a atenção entre a divulgação do PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), e as incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã. O dado de preços ganha peso em um momento de preocupação com a trajetória da inflação e seus impactos sobre os juros americanos.
No campo geopolítico, Washington e Teerã seguem sem avanço significativo nas negociações para um acordo no Golfo. O Irã informou ter recebido uma resposta dos Estados Unidos à sua proposta mais recente para restabelecer o cessar-fogo, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz em até sete dias. Segundo uma autoridade não iraniana ouvida pela Reuters, a principal divergência está na ordem de implementação das medidas.
A incerteza sobre Ormuz também voltou a repercutir no mercado de petróleo. Após a forte queda da véspera, os contratos futuros retomaram a alta, enquanto os investidores avaliam os riscos para a oferta global. Segundo a Kpler, os fluxos da região já alcançaram 80% dos níveis registrados antes da guerra.
Esse cenário combina o risco inflacionário provocado pela energia com a expectativa pelos dados americanos. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) de agosto trouxe nesta manhã uma leitura mais branda do que a esperada pelo mercado. O índice cheio avançou 0,3% no mês, após alta revisada de 0,1% em julho, abaixo do consenso de 0,4%. Em 12 meses, a inflação ficou em 3,4%, mesma taxa registrada no mês anterior.
No Brasil, o mercado incorpora ao cenário externo uma nova sinalização sobre a trajetória das contas públicas. A dívida bruta do governo geral avançou pelo oitavo mês consecutivo em agosto, passando de 82,6% para 82,9% do PIB, o equivalente a R$ 12,6 trilhões, segundo o Banco Central. Esse é o maior nível em relação ao PIB desde março de 2021, quando o indicador estava em 85,1%.
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