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Braskem corre para definir situação com credores — e Petrobras — antes da escolha do próximo governo

Eventual troca na Presidência poderia mudar diretrizes da petroleira que, sob comando petista, não quer perder ativos nem ter participação diluída; data para fechamento do acordo foi marcada entre 1º e 2º turnos

30 set 2026 - 10h52
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Resumo
Em recuperação extrajudicial, a Braskem corre para fechar um acordo de dívida de US$ 11 bilhões até outubro, antes das eleições presidenciais. Credores pressionam por um aporte de US$ 3 bilhões da Petrobras, temendo que uma troca de governo altere a postura da estatal, embora a petroleira dificilmente assuma o compromisso agora. Em paralelo, a Guerra do Irã impulsionou os preços de resinas e a geração de caixa da petroquímica para US$ 1 bilhão, o que pode reduzir a necessidade de socorro financeiro.

Apesar de a Braskem ter de protocolar na Justiça o plano de recuperação extrajudicial com a concordância de pelo menos metade dos credores até 24 de novembro, a petroquímica corre contra o tempo para chegar a um acordo com eles até 9 de outubro. A ideia é que, a partir dessa data, os termos essenciais não possam mais ser alterados, restando apenas a redação final e a formalização judicial, de acordo com pessoas a par do assunto.

Essa data limite foi definida por um fator específico: as eleições. A data foi posicionada estrategicamente logo após o primeiro turno, em 4 de outubro, e antes do segundo turno, em 25 de outubro.

A ligação entre a renegociação das dívidas e o calendário eleitoral passa pela sócia estatal, a Petrobras. Uma eventual troca na presidência da República — no caso de vitória de Flávio Bolsonaro — poderia mudar as diretrizes da petroleira, que, sob a orientação petista, não quer perder ativos, muito menos ter sua participação na Braskem diluída. Procuradas, a Braskem não comenta e a Petrobras não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Apesar de negar reiteradamente a intenção de estatizar a Braskem (o que poderia ocorrer caso a Petrobras fizesse sozinha um aporte para reduzir a dívida da companhia), a gestão de Magda Chambriard é vista como mais propensa a socorrer a petroquímica do que seria uma eventual administração sob um governo Bolsonaro.

Como o ponto crítico do acordo entre a empresa e seus credores é justamente a necessidade (ou não) de a Petrobras aportar recursos novos, os credores querem que esse compromisso esteja sacramentado antes do segundo turno. Assim, caso haja mudança de poder, o compromisso já estaria assumido.

Por outro lado, em meio ao processo eleitoral, torna-se cada vez mais improvável que a estatal se comprometa com um aporte bilionário. Além da burocracia natural da Petrobras, o período eleitoral aumenta o risco para anúncios dessa magnitude.

No último desenho discutido, segundo apurou o Estadão/Broadcast, os credores exigiam que a petroleira aportasse US$ 3 bilhões caso, daqui a dois anos, a Braskem não atingisse determinados indicadores financeiros. Segundo uma pessoa que participa das conversas, a Petrobras não teria como assumir o compromisso às vésperas da eleição. Na prática, porém, a possibilidade já parece pouco viável — mesmo sem o fator eleitoral.

A imprevisibilidade é tamanha que parte dos credores passou a mencionar a flexibilização do prazo de 9 de outubro — algo que dependeria dos próprios credores, não da Braskem nem de seu grupo controlador. Para esse grupo, seria melhor tratar do tema com clareza sobre quem estará do outro lado da mesa: se a Petrobras de Magda, "que não gosta de vender ativos, gosta de comprar", ou uma gestão como a do último governo Bolsonaro, que priorizava a venda de refinarias e ativos de distribuição de combustíveis.

Com guerra, geração de caixa foi de US$ 74 milhões para US$ 1 bi em um ano

Entre os fatores que a Braskem não controla nas discussões sobre seu plano de recuperação extrajudicial está um tema distante, mas com implicações diretas para o negócio: a Guerra do Irã. Além de depender de um cenário eleitoral ainda indefinido para saber se contará — ou não — com dinheiro novo dos sócios, a companhia também enfrenta um contexto no qual os preços de seus produtos oscilam em função de um conflito no Oriente Médio, sobre o qual não tem qualquer influência.

Ironicamente, o conflito foi a tábua de salvação para a empresa, que conseguiu entregar bons números operacionais no segundo trimestre. A guerra restringiu a oferta global de matérias-primas, sobretudo para a Ásia, e elevou os preços do petróleo e da nafta no mercado internacional. Com isso, o custo de produção na região asiática aumentou, pressionando para cima os preços de resinas e químicos, que ficaram acima dos observados no primeiro trimestre. Nesse contexto, a geração de caixa recorrente consolidada da Braskem alcançou US$ 1 bilhão, ante US$ 74 milhões um ano antes.

Passado o primeiro choque, a alta de preços já arrefeceu, mas as resinas seguem cotadas acima do nível pré-guerra. A própria Braskem alertou investidores de que não se deve contar com um ambiente tão favorável de preços como o visto entre abril e junho. Ainda assim, não é desprezível o fato de que o episódio elevou a taxa de utilização das centrais petroquímicas e recolocou a companhia no campo positivo.

Se esse cenário se mantivesse, a necessidade do aporte da Petrobras, tão defendido pelos credores, poderia se reduzir ou até deixar de ser necessária em grande magnitude. Pessoas próximas à gestão da empresa afirmam que o aporte pode nem chegar a ser preciso.

Para os analistas, porém, trata-se de um fator no campo do imponderável: se, por um lado, não é possível projetar no longo prazo os preços atuais dos produtos petroquímicos, por outro, caso eles permaneçam elevados por tempo suficiente, podem ser determinantes para a rentabilidade da Braskem.

A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial em agosto, mediante o apoio de mais de um terço de seus credores. A partir daí, ganhou 90 dias para chegar a um acordo com mais de 50% dos detentores de dívidas para aprovar um plano de recuperação extrajudicial. A companhia soma cerca de US$ 11 bilhões em dívidas.

Estadão
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