Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Indústria do cimento: guerra obriga revisão da estimativa de crescimento do setor, diz sindicato

'Tivemos a maior venda de cimento de março da nossa história', diz o presidente do Snic, Paulo Penna; porém, as empresas brasileiras começaram a sentir os efeitos do conflito no Oriente Médio

13 abr 2026 - 15h31
Compartilhar

A indústria brasileira de cimento registrou no primeiro trimestre a venda de 15,9 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 1,8% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic).

Em março, a comercialização foi de 5,8 milhões, um aumento de 9,1% frente ao mesmo mês de 2025. No entanto, a estimativa de crescimento da indústria, antes de 1,8% para 2026, agora foi colocada em revisão em razão dos impactos financeiros da guerra do Irã. O sindicato estabeleceu um intervalo de 1% a 2% de alta para o ano, enquanto refaz os cálculos para ter uma nova perspectiva mais precisa.

Fabricantes de cimentos sofrem com aumentos de custos em consequência da guerra, como o de transporte
Fabricantes de cimentos sofrem com aumentos de custos em consequência da guerra, como o de transporte
Foto: Votorantim Cimentos/Divulgação / Estadão

O presidente do Snic, Paulo Penna, diz que, nos dois primeiros meses do ano, o setor acumulou queda de 1,9% em razão da diferença de dias úteis em relação ao mesmo período do ano anterior. Já em março, as vendas tiveram uma alta relevante, com dois dias produtivos a mais.

"Basicamente, nós tivemos a maior venda de cimento de março da nossa história", disse. No entanto, em meados de março, a indústria passou a sentir os efeitos de custos da guerra do Irã.

"Nós tivemos um choque principalmente com respeito a um insumo que é fundamental para a indústria do cimento, que é o chamado coque de petróleo, que respondia por mais ou menos 30% do nosso custo de energia e 80% do nosso coque de petróleo é importado", disse Penna.

Outro custo relevante que a guerra alterou foi o preço do óleo diesel, já que 90% da distribuição do cimento acabado é rodoviária e, nas contas do Snic, houve aumento de 30% nesse combustível.

"Não existe outra fórmula, senão o repasse de preço quando você tem essa variação de custo tão significativa. Estamos falando do preço do cimento impactado em torno de 13% por conta disso. Eu imagino que não há nenhuma saída para não utilizar essa solução econômica clássica que é o repasse de preço", disse.

Ele argumentou ainda que o setor tem investido ao longo do tempo em um procedimento conhecido como "coprocessamento", que utiliza biomassas, resíduos industriais e Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU) em alternativa ao coque de petróleo e já substitui 30% do material fóssil, ajudando a reduzir o impacto da variação do preço do petróleo nessa indústria.

Para Penna, o desempenho do setor dependerá ainda de aspectos internos — como inflação, taxa de juros e atividade econômica — além dos fatores externos, vinculados ao término do conflito e à durabilidade de seus reflexos.

"Se, por um lado, há um esforço na reindustrialização do país com programas governamentais em implantação, por outro, há iniciativas como a alteração da jornada de trabalho que, sem a necessária análise técnica, são agravadas por acontecerem em um período pré-eleitoral", afirma Penna.

Ele critica ainda a regulamentação do tabelamento do frete "sem aprofundamento técnico necessário" que, em sua visão, "afeta a estabilidade, a previsibilidade e a retomada do crescimento da indústria brasileira."

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra