Indicação de Trump para o Fed deve diminuir incerteza no mercado, atenções recaem sobre Warsh
A indicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para chefiar o Federal Reserve dissipará a nuvem de incerteza que paira sobre os mercados há meses, dando aos investidores uma indicação de como a política monetária poderá evoluir após o término do mandato de Jerome Powell em maio.
Trump disse na quinta-feira que nomeará o sucessor de Powell nesta sexta, e todos os olhos se voltaram para o ex-diretor do Fed Kevin Warsh. A Bloomberg News informou que Warsh será o escolhido, enquanto uma pessoa familiarizada com o assunto disse à Reuters que Warsh se reuniu com Trump na Casa Branca na quinta-feira.
Warsh seria uma das escolhas mais "hawkish" entre os candidatos considerados, disseram participantes do mercado sobre a escolha, sobre a qual eles vêm especulando cenários há meses.
"Se o indicador for realmente Warsh, poderemos acabar com um Fed que tende a ser 'hawkish' na margem", disse Sonu Varghese, estrategista macro global do Carson Group.
Os mercados reagiram à notícia em uma sessão volátil na Ásia, com alta do dólar e dos rendimentos dos títulos de longo prazo. Embora os investidores acreditem que Warsh tenderá a reduzir a taxa de juros, eles esperam que ele controle o balanço do Fed.
O ouro caía 3%, juntamente com outros beneficiários da compra de ativos pelo Fed: o bitcoin tinha queda de 2% e os futuros das ações dos EUA recuavam 0,5%. Os mercados futuros de juros continuam prevendo dois cortes na taxa básica no segundo semestre deste ano, após a posse do novo chair.
Os outros candidatos principais para o cargo são o diretor do Fed Christopher Waller e o gerente-chefe de investimentos em títulos da BlackRock, Rick Rieder. O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, era um dos favoritos no início, mas agora é visto como uma escolha improvável depois que Trump disse que prefere mantê-lo em seu cargo atual.
As decisões do Fed sobre a taxa de juros afetam não apenas a taxa diária pela qual os bancos emprestam entre si, mas também as taxas de juros de longo prazo, medidas pelos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que, por sua vez, influenciam os custos dos empréstimos para consumidores e empresas.
O presidente quer que o Fed faça cortes profundos e tem pressionado Powell — a quem apelidou de "Atrasado demais" por hesitar em atender aos desejos de Trump por uma política monetária mais frouxa.
A escolha de Trump será analisada quanto à sua capacidade de conduzir a política monetária sem ceder à pressão política, uma qualidade que, segundo economistas, é a base da capacidade de combate à inflação de qualquer banco central e o que sustenta a estabilidade financeira da economia dos EUA.