Ibovespa hesita com decisões de juros dividindo foco com Oriente Médio
O Ibovespa titubeava nesta quarta-feira, com agentes financeiros na expectativa de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil e monitorando o conflito no Oriente Médio, enquanto a temporada de balanços trazia os números da Taesa, que ficaram acima das expectativas de analistas.
Por volta de 10h35, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,03%, a 180.356,63 pontos, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o índice na B3. Na mínima até o momento, chegou a 179.575,91 pontos. Na máxima, marcou 180.614,71 pontos.
O volume financeiro somava R$2,49 bilhões.
"O risco geopolítico persiste com o conflito Israel-EUA-Irã em escalada", afirmou a equipe da Genial Investimentos, ressaltando, contudo, que o discurso do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre inflação e geopolítica pode ditar o humor nos mercados no mundo.
Powell fala às 15h30 (horário de Brasília), pouco depois de o Fed anunciar sua decisão de política monetária às 15h, com as expectativas no mercado apontando manutenção da taxa na faixa de 3% a 3,75%. Antes de Powell, o foco estará nas projeções e no comunicado que acompanham o anúncio.
No Brasil, o desfecho da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central será conhecido no final do dia. Nas últimas sessões, o mercado passou a precificar uma chance maior de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%, com algumas apostas em manutenção.
O comunicado que virá com a decisão precisará equilibrar a sinalização anterior do BC, no final de janeiro, que endossou apostas de um corte de 0,50 ponto, com a piora do cenário externo, destacou a equipe da Genial, em relatório enviado a clientes mais cedo nesta quarta-feira.
"Enquanto isso, o diesel acende um alerta interno: a alta do combustível reacendeu a articulação dos caminhoneiros por uma greve", acrescentou.
Caminhoneiros de diferentes setores defenderam na terça-feira uma paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana.
O governo anunciará nesta quarta-feira medidas para endurecer a fiscalização para o cumprimento da tabela mínima de frete e fará uma proposta aos governos estaduais sobre o ICMS que incide sobre combustíveis. A Polícia Federal também investiga aumentos abusivos nos preços dos combustíveis.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN subia 1,4%, tendo de pano de fundo a alta de 4,25% do barril do petróleo sob o contrato Brent, a US$107,82. A estatal também anunciou nova descoberta de acumulação de gás no poço exploratório Copoazu-1, em águas profundas da Colômbia. Ainda no radar, a Petrobras cancelou leilões de diesel e gasolina antes programados para segunda e terça-feira e disse que está "avaliando os cenários".
- VALE ON recuava 1,1%, em pregão de fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian recuou 0,12%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON recuava 2,68%, enquanto USIMINAS PNA cedia 2,72% e GERDAU PN caía 1,19%.
- ITAÚ UNIBANCO PN perdia 0,09%, sem sinal único entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN caía 0,48%, mas BANCO DO BRASIL ON subia 0,13%, SANTANDER BRASIL UNIT avançava 0,23% e BTG PACTUAL UNIT era negociada com variação positiva de 0,16%.
- TAESA UNIT subia 1,65% após divulgar lucro líquido regulatório de R$313,3 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 56,1% na comparação anual e acima de previsões no mercado. O conselho de administração também aprovou o pagamento de R$811 milhões em proventos ao longo de 2025 e início de 2026.
- VIBRA ON caía 2,03%, tendo ainda como pano de fundo relatório de analistas do UBS BB, que cortaram a recomendação das ações para neutra, citando um "upside" limitado após a valorização do papel em 2025 e neste ano. "O mercado parece já estar precificando uma forte recuperação nas margens e na participação de mercado", afirmaram. O preço-alvo, porém, subiu de R$30 para R$35.