Petrobras alega bloqueio de navio para suspender leilões de diesel e gasolina
Suspensão coloca em risco abastecimento do País, segundo pessoas que acompanham o caso; estatal diz que avalia os 'cenários e informará atualizações em momento oportuno'
RIO - A suspensão de dois leilões da Petrobras para entrega de diesel e gasolina em abril pegou os setores de distribuição e revenda de combustíveis de surpresa e foi justificada pela companhia pelo bloqueio de um navio com os derivados, que era esperado para essa finalidade, disseram pessoas próximas ao assunto ao Estadão/Broadcast.
Mais cedo, a Petrobras informou que suspendeu os leilões de diesel e gasolina realizados nos dias 16 e 17 de março, com entrega para abril. Segundo comunicado, a estatal "está avaliando os cenários e informará atualizações em momento oportuno". Os leilões chegaram a ser realizados, mas, segundo pessoas a par do assunto, foram suspensos sem explicação.
O diesel vendido pela Petrobras nos leilões chegou a ficar 75% mais caro do que o vendido pelas refinarias da empresa, evidenciando a forte demanda do mercado pelo combustível, em um momento em que o governo luta para tentar conter os preços. Além de impactar a inflação, a alta do diesel vem desagradando caminhoneiros, que já acenaram com uma possível paralisação.
A suspensão dos leilões coloca em risco o abastecimento do País, segundo pessoas que acompanham o caso, com indicação de que as importações para o próximo mês estão abaixo do normal.
Até a próxima semana, mais importações podem ser feitas, mas, até o momento, o volume está cerca de 70% abaixo do que normalmente é encomendado pelos importadores nesse período.
Além das importações, o segmento de Transportador-Revendedor-Retalhista (TRRs) e dos postos de bandeira branca tem reclamado do abastecimento pelas grandes distribuidoras, que estariam optando por segurar os combustíveis para as suas marcas e, assim, ganhar mercado.
O preço do diesel e da gasolina disparou no mercado internacional, seguindo a escalada do petróleo, que passou de US$ 59 o barril em janeiro para mais de US$ 100 o barril com a guerra entre Estados Unidos e Irã. Hoje, a commodity do tipo Brent operava em alta de quase 5%, cotada a US$ 108 o barril.
Importadores e distribuidores avaliam que apenas uma alta mais expressiva de preços por parte da Petrobras para o diesel e a gasolina pode evitar uma crise de abastecimento no Brasil. Já os caminhoneiros preparam um protesto por causa da alta de 11,6% no preço do diesel anunciada pela estatal na semana passada.
No fechamento de terça-feira, 17, o preço do diesel da Petrobras nas refinarias estava com defasagem média de 54%, e a gasolina, de 48%, indicando possibilidade de novos reajustes de R$ 1,97/l e R$ 1,20/l, respectivamente. Segundo uma fonte, os preços do leilão mostraram que haveria demanda para os produtos da estatal mesmo com os preços próximos à paridade de importação (PPI).