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Ibovespa fecha em queda em dia de agenda cheia e encerra fevereiro no vermelho

28 fev 2019
18h09
atualizado às 18h36
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A bolsa paulista fechou com o Ibovespa abaixo de 96 mil pontos nesta quinta-feira, marcada por noticiário corporativo intenso, tendo Ambev e Petrobras entre as maiores quedas, enquanto receios sobre a reforma da Previdência e o viés negativo dos mercados no exterior endossaram vendas.

Escritório em São Paulo da assessoria de investimentos Monte Bravo. 23/01/2019. REUTERS/Paula Arend Laier.
Escritório em São Paulo da assessoria de investimentos Monte Bravo. 23/01/2019. REUTERS/Paula Arend Laier.
Foto: Reuters

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,77 por cento, a 95.584,35 pontos. O volume financeiro somou 16,8 bilhões de reais.

Fevereiro encerrou com o Ibovespa em queda de 1,86 por cento, mas o acumulado do ano ainda mostra ganho 8,76 por cento, dada a alta de 10,8 por cento em janeiro.

"Continuo acreditando que estamos em um momento de acomodação e realização de lucros", afirmou o estrategista Dan Kawa, sócio na TAG Investimentos.

Diante de um cenário já mais cauteloso com sinais de tramitação complicada da proposta de reforma da Previdência, comentários do presidente Jair Bolsonaro veiculados pela mídia endossaram preocupações sobre uma 'desidratação' da proposta original, que prevê economia de 1 trilhão de reais em 10 anos.

Em encontro com jornalistas mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro teria aventado a possibilidade de negociar pontos da reforma da Previdência, entre eles a redução da idade mínima para aposentadoria das mulheres de 62 anos para 60, conforme veiculado na mídia, minando o humor de agentes financeiros.

De acordo com notas publicadas nos portais UOL e G1, Bolsonaro mostrou em reunião com jornalistas mais cedo nesta quinta-feira disposição em negociar alguns pontos do texto encaminhado ao Congresso na semana passada, entre eles baixar a idade mínima para aposentadoria das mulheres.

"Não precisava ter feito esse comentário", afirmou um gestor no Rio de Janeiro. "Ninguém estava pressionando neste ponto da idade mínima. Adiciona ruído em um momento já de maior cautela".

Em relatório enviado a clientes mais cedo, o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, já havia destacado sobre a necessidade de um profundo ajuste fiscal estrutural estar no centro da agenda política do governo, sob o risco de prejudicar a recuperação econômica prevista para o país.

A observação foi feita após o IBGE mostrar que a economia continua em uma lenta recuperação, com o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescendo 0,1 por cento entre outubro e dezembro de 2018 sobre os três meses anteriores, enquanto sobre o quarto trimestre de 2017, houve avanço de 1,1 por cento.

O pregão teve como pano de fundo o viés externo negativo, após término abrupto e sem acordo de encontro entre os EUA e a Coreia do Norte e sinalizações menos positivas sobre as negociações comerciais EUA-China, apesar de uma desaceleração menor que a esperada do PIB norte-americano no quarto trimestre.

DESTAQUES

- PETROBRAS ON caiu 2,64 por cento, após balanço avaliado de modo geral positivamente por analistas, enquanto a empresa sinalizou planos de pagar dividendos mínimos a acionistas até que julgue ter saúde financeira suficiente para remunerar mais os investidores. Também o Conselho Nacional de Política Energética divulgou definições sobre o leilão de excedentes da cessão onerosa. PETROBRAS PN recuou 0,07 por cento.

- AMBEV perdeu 6,15 por cento após lucro líquido de 3,46 bilhões de reais no quarto trimestre, mas sinalização de custos maiores em 2019. Analistas do Credit Suisse destacaram que o Ebitda da companhia de bebidas superou suas estimativas, mas que a qualidade do mesmo foi baixa. Em teleconferência, executivos afirmaram que aguardam acelerar crescimento em 2019 com esperada retomada da economia.

- BRADESCO PN perdeu 2,63 por cento e ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,89 por cento, reforçando o viés de baixa no pregão brasileiro.

- BRF fechou em baixa de 4,77 por cento, em meio à repercussão do prejuízo de 2,1 bilhões de reais no último trimestre de 2018, 12,5 vezes maior que a estimativa média de analistas, enquanto o Ebitda ajustado subiu 30,3 por cento e a margem avançou a 8,8 por cento. A companhia ainda estimou perda contábil adicional de 800 milhões de reais vinculada à venda de ativos a ser computada nos próximos trimestres.

- EDP BRASIL caiu 7,04 por cento, mesmo após lucro líquido de 524 milhões de reais no quarto trimestre de 2018, alta de 161,3 por cento na comparação anual. Analistas do Itaú BBA destacaram que, apesar do lucro, os resultados operacionais foram piores que o esperado devido à hidrologia desfavorável e à estratégia de alocação de energia da empresa.

- MARFRIG avançou 2,23 por cento, após divulgar lucro líquido de 2,2 bilhões de reais no quarto trimestre, impulsionado por ganho de capital gerado pela venda da subsidiária Keystone. Para a equipe do Bradesco BBI, o resultado, em geral, mostrou a continuação de uma tendência positiva para as operações de carne bovina da companhia na América do Norte e na América do Sul.

- VALE fechou com acréscimo de 0,58 por cento. Analistas do Bradesco BBI reiteraram recomendação 'outperform' para os ADRs dos papéis da mineradora em relatório no qual avaliam que o efeito operacional da tragédia envolvendo um o rompimento de uma barragem da companhia em janeiro está se tornando mais claro.

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