Ibovespa fecha em alta com apoio de bancos e Vale
O Ibovespa subiu 1,55%, aos 174.576,80 pontos, no quinto pregão consecutivo de alta, impulsionado pelo setor bancário e pela Vale. O avanço foi favorecido pela queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e pelo retorno do fluxo de capital estrangeiro. No lado corporativo, o Banco do Brasil e o Magazine Luiza se destacaram entre os ganhos, enquanto a Braskem desabou 13,11% após pedir recuperação extrajudicial, e a Petrobras recuou 1,8% acompanhando a desvalorização do petróleo no exterior.
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, ampliando a sequência positiva, em movimento sustentado principalmente por ações de bancos e da Vale.
A queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano favoreceu o fluxo comprador na bolsa paulista, com dados recentes também mostrando algum retorno do fluxo estrangeiro para as ações brasileiras.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,55%, a 174.576,80 pontos, no quinto pregão seguido com sinal positivo. Na máxima do dia, chegou a 174.784,92 pontos. Na mínima, 171.178,87. O volume financeiro no pregão somou R$28,67 bilhões.
O rendimento dos Treasuries com prazos mais longos recuou nesta terça-feira, em meio ao declínio dos preços do petróleo e com investidores ainda repercutindo a decisão do Tesouro dos EUA de ampliar a recompra de títulos. O Treasury de 10 anos marcava 4,6209% no final do dia, de 4,704% na segunda-feira, o que também favoreceu o S&P 500, que encerrou com elevação de 0,32%.
A pauta norte-americana na semana também está no radar, notadamente o discurso do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, na conferência de Jackson Hole, na sexta-feira.
De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o mercado está na expectativa da fala de Warsh, principalmente sinais que possam apontar a direção dos juros da maior economia do mundo.
Antes de Warsh, o foco deve ficar no índice de preços para despesas com consumo pessoal de julho, o PCE, medida de inflação preferida do banco central dos EUA, que será divulgado na quarta-feira, assim como o balanço trimestral da Nvidia.
Números da B3 sobre a movimentação de estrangeiros recente também trouxeram algum alento a agentes financeiros no pregão brasileiro após fortes vendas em agosto. No último dia 21, houve uma entrada líquida de R$1,76 bilhão. O saldo do mês, porém, permanece negativo em R$21,44 bilhões.
"Se as entradas continuarem, a recuperação recente do Ibovespa começa a ganhar um fundamento mais consistente e deixa de parecer apenas um repique técnico", afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.
DESTAQUES
• BANCO DO BRASIL ON avançou 5,22%, destaque entre os bancos do Ibovespa, em sessão robusta para o setor que vinha sendo penalizado por preocupações com o cenário de crédito no país. ITAÚ UNIBANCO PN fechou em alta de 1,83%, BRADESCO PN subiu 3,13% e BTG PACTUAL UNIT valorizou-se 3,04%. SANTANDER BRASIL UNIT encerrou com acréscimo de 0,13%.
• VALE ON subiu 2,04%, em linha com o movimento de ações de mineradoras no exterior, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. Também no radar, o presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira que a Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, no Pará.
• PETROBRAS PN caiu 1,8%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em baixa de 3,89%, US$88,58. Investidores também continuam analisando potenciais reflexos para a estatal do pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, na qual a Petrobras divide o controle com a IG4 Capital.
• BRASKEM PNA desabou 13,11%, ampliando as perdas da véspera, quando entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar US$10,9 bilhões em dívidas. Em razão do pedido, a B3 informou que as ações da companhia serão excluídas dos índices da bolsa ao seu preço de fechamento após o encerramento do pregão regular desta terça-feira.
• HAPVIDA ON subiu 0,94%, endossada pela melhora na bolsa como um todo. No mês, porém, ainda acumula um declínio de cerca de 43%. A companhia disse que foi informada na véspera pela Squadra que fundos de investimento e investidores não-residentes sob sua gestão venderam ações da companhia, passando a deter 19.462.487 ações ordinárias, o que representa aproximadamente 3,87% desses papéis. Um dia antes, em carta a cotistas, a Squadra afirmou que a Hapvida foi o maior erro de investimentos da história da gestora.
• YDUQS ON cedeu 1,58%, após disparar quase 13% na véspera. Na segunda-feira, o grupo de educação informou que mantém tratativas "em estágio inicial" com a Afya para uma possível combinação de negócios envolvendo as empresas.
• USIMINAS PNA recuou 2,11%, também em pregão de ajustes após salto de quase 9% na véspera, depois de notícia sobre um plano do acionista controlador Ternium fechar o capital da companhia. A Ternium afirmou à Usiminas que não aprovou a realização de qualquer operação com o objetivo de cancelar o registro de companhia aberta da empresa. No setor, CSN ON cedeu 1,55%, mas GERDAU PN subiu 1,4%.
• MAGAZINE LUIZA ON saltou 9,13%, endossada pelo alívio nas taxas dos contratos de DI, que favoreceu outros papéis sensíveis a juros, como ASSAÍ ON, que avançou 7,82%, CURY ON, que fechou em alta de 7,49%, e LOCALIZA ON, que subiu 5,79%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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