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IA é 'tsunami' que vai afetar 40% dos empregos na economia mundial, diz diretora do FMI

Para Kristalina Georgieva, empresas serão redefinidas, redesenhadas ou simplesmente eliminadas num período de 'três a cinco anos'

3 nov 2026 - 09h56
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Resumo
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a inteligência artificial funcionará como um tsunami, afetando 40% dos empregos mundiais e até 60% nas nações ricas em até cinco anos. Paralelamente ao avanço tecnológico, ela advertiu sobre a escalada da dívida pública global, que deve atingir 100% do PIB até 2029. Georgieva enfatizou que o crescimento econômico isolado não conterá a crise e cobrou disciplina fiscal urgente dos governos para reduzir gastos e conter o custo das dívidas.

MADRI - Os riscos que a inteligência artificial traz podem superar seus benefícios, disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

Em um evento do Santander, a dirigente comparou a IA a um lento tsunami, que vai afetar 40% dos empregos na economia mundial em um período curto de tempo.

Por período curto, Georgieva entende que serão entre "três a cinco anos", em que empresas serão redefinidas, redesenhadas ou simplesmente eliminadas. Além disso, as pessoas precisarão ter novas habilidades.

Considerando só o impacto da IA no trabalho em países desenvolvidos, o porcentual chega a 60%. A dirigente contou que o FMI está fazendo estudos para ver mais a fundo os impactos no trabalho e na produtividade da IA.

Pelo lado positivo, a IA tem promovido um boom de investimento que também é circular. Ou seja, uma empresa investe na outra, formando uma cadeia, ressaltou a dirigente do FMI.

Disciplina fiscal para reduzir dívida

Georgieva disse que a economia mundial tem sido incrivelmente resiliente, mas, ao mesmo tempo, a dívida pública global está se aproximando de 100% do Produto Interno Bruto (PIB), com um custo maior de refinanciamento. Por isso, é preciso medidas de austeridade fiscal o quanto antes pelos governos.

"O crescimento por si só não vai nos tirar da trajetória de alta da dívida pública; é preciso disciplina fiscal", disse a dirigente. O FMI projeta que a dívida/PIB chegue a 100% em 2029, em um nível não visto desde a Segunda Guerra.

Crescer mais e cortar gastos são as recomendações básicas para reduzir essa dívida, ressaltou Georgieva. Mas, na situação atual, só o crescimento não vai resolver a situação. "Não sou grande confiante de que o crescimento pode nos tirar do buraco da dívida por si só. Portanto, isso exigiria também medidas fiscais, basicamente, e quanto mais cedo a ação for tomada, melhor."

Atualmente, a dívida/PIB da economia mundial está na casa dos 95% a 96%, em média. Mas países desenvolvidos já têm indicadores acima de 100%, caso dos Estados Unidos (120%) e França (113%). "É uma trajetória que é uma escada para cima e para mais acima, e 'não é uma escada para o céu'", disse ela, parafraseando a música "Stairway to Heaven", do Led Zeppelin.

"O que é pior é que o custo do serviço da dívida com a inflação, elevando as taxas, está se tornando sufocante para os governos e, claro, é ruim para os negócios, ruim para as famílias", disse a dirigente do FMI. Na Europa, os países que estão indo melhor são aqueles que tiveram disciplina fiscal, notadamente Irlanda, Portugal e Grécia, ressaltou ela. "Eles aprenderam da forma mais dura."

Georgieva disse que a trajetória dos preços de energia e alimentos deve seguir de alta, pois a pressão sobre os preços de energia continua. "E isso quer dizer que os rendimentos vão subir nesse ambiente. Torna-se fundamental que os governos tenham a sabedoria de proteger seu próprio povo dos custos excessivos do serviço da dívida."

"A economia mundial passou por choques dramáticos", disse ela em um debate durante a Conferência Internacional de Bancos do Santander. Ao mesmo tempo, governos têm gastado mais por conta de defesa e gastos para atender demandas sociais.

Os países que têm se dado melhor são aqueles mais intensos em inteligência artificial.

Estadão
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