Dólar sobe ante real na volta do feriado com temores sobre agenda econômica do novo governo
O dólar opera em alta frente ao real, impulsionado por incertezas sobre a política econômica do novo governo Lula. O mercado repercute temores após propostas do economista André Lara Rezende para redução da Selic e uso de reservas internacionais. A cautela dos investidores também é ampliada pela expectativa da decisão de juros do Copom nesta quarta-feira e pelo monitoramento das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que influenciam o câmbio global.
O dólar operava em alta contra o real na manhã desta terça-feira, com o mercado se ajustando após o feriado de Dia de Finados no Brasil, enquanto os agentes monitoram notícias sobre a possível composição da equipe econômica do novo mandato do presidente Lula, aguardam a decisão de juros do Copom na quarta-feira e, no exterior, as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
Às 10h15, o dólar à vista subia 0,88%, a R$5,4940 na venda.
Após uma semana agitada, com os mercados locais digerindo o resultado da eleição presidencial no Brasil, a questão política segue no radar dos agentes.
A indefinição sobre como será a condução da economia no novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva gera preocupação entre os investidores.
A cautela ganhou força durante o fim de semana, após notícia publicada na coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, de que o presidente Lula se encontraria com André Lara Rezende, um dos criadores do Plano Real, nesta semana. O economista publicou recentemente um texto no qual defende uma mudança na condução das políticas fiscal e monetária que incluiria a redução programada e gradual da Selic a 7,5% ao ano em 12 meses para reduzir a dívida pública e ajustar as contas do governo sem grandes cortes de gastos.
O plano do economista também propõe o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real.
A informação foi recebida com estranheza pelo mercado, com economistas argumentando que as medidas poderiam gerar efeito oposto ao esperado, pressionando ainda mais a inflação e impondo risco às reservas internacionais.
Nesse contexto, o real apresenta o pior desempenho entre uma cesta de moedas globais na manhã desta terça.
Ao mesmo tempo, os agentes se preparam para a decisão de juros do Copom, na quarta-feira. A queda acentuada do mercado brasileiro após a reeleição de Lula turvou as perspectivas de crédito mais barato, deixando o Banco Central na posição de ponderar os riscos de inflação contra os custos de financiamento dolorosamente altos.
Pesquisa Focus divulgada nesta manhã mostrou que os economistas consultados pelo Banco Central ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na quarta-feira, mas elevaram a projeção para a taxa no final do ano para 13,50%, de 13,25% antes. Já pesquisa da Reuters apontou a expectativa de manutenção da Selic no nível atual de 13,75% esta semana, após forte reação negativa dos mercados à reeleição de Lula.
No exterior, o dólar subia ante moedas pares do real. O foco dos agentes fica nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Operadores no Polymarket veem cerca de 77% de probabilidade de os democratas conquistarem o controle de ambas as Casas do Congresso dos EUA, um resultado que pode levar a uma supervisão mais rigorosa da inteligência artificial e a uma regulamentação mais ampla das empresas.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,06%, a 101,820, às 10h15.
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