Mercado eleva projeção para juros, inflação e dólar e reduz previsão para o PIB após reeleição
Primeiro relatório Focus com respostas consolidadas após o segundo turno projeta Selic a 13,5%, IPCA a 5,22%, dólar a R$ 5,34 e crescimento de 1,76% da economia em 2026
Após a reeleição de Lula, o primeiro boletim Focus revelou piora nas expectativas do mercado financeiro. As projeções para a taxa Selic subiram para 13,50% em 2026 e 12,50% em 2027, acompanhadas pela elevação das estimativas do IPCA para 5,22% e 4,76%, respectivamente, ambas acima das metas. O dólar também teve suas cotações revistas para cima até 2029, projetado a R$ 5,34 em 2026. Em contrapartida, as previsões de crescimento do PIB recuaram para 1,76% em 2026 e 1,20% em 2027, sinalizando desaceleração.
BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, depois de duas semanas de estabilidade. Considerando só as 108 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano avançou de 13,25% para 13,75%. Esse é o primeiro relatório Focus com respostas consolidadas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 aumentou de 11,75% para 12,50%. Levando em conta apenas as 108 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana subiu de 11,50% para 12,50%.
Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo dos juros. A Selic já caiu 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um "ciclo de calibração" da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.
"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o Copom na ata da reunião.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 aumentou de 10,00% para 11,00%. Há um mês, era de 10,50%. A estimativa para 2029 subiu de 10,00% para 10,25%, depois de 25 semanas de estabilidade.
IPCA
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22% — 0,72 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 116 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana aumentou de 5,20% para 5,22%.
Já a estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,34% para 4,76%. Um mês antes, era de 4,30%. Considerando apenas as 116 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 4,47% para 4,85%.
A mediana do Focus para a inflação de 2028 avançou de 3,75% para 4,00%. Há um mês, era de 3,80%. Para 2029, subiu de 3,50% para 3,98%. Há um mês, era de 3,51%.
O Banco Central projeta alta de 5,2% para o IPCA em 2026 e 3,9% em 2027. As estimativas constam no comunicado da reunião de setembro do Copom. O colegiado projeta a inflação acumulada em 3,2% em 12 meses no 1.º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
As medianas para a inflação de curto prazo indicam que o IPCA deve acumular alta de 1,22% de outubro a dezembro deste ano. A projeção para outubro oscilou de 0,28% para 0,27%. Há um mês, era de 0,32%. Já a estimativa intermediária de novembro aumentou de 0,33% para 0,35%, mesmo nível em que estava há um mês. A mediana para dezembro subiu de 0,58% para 0,60%. Há um mês, era de 0,56%.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 caiu de 1,80% para 1,76%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 75 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa saiu de 1,78% para 1,70%.
A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,31% para 1,20%. Levando em conta apenas as 74 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária saiu de 1,24% para 1,00%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 oscilaram de 1,81% para 1,80%. Há um mês, era de 1,81%. Para 2029, permaneceu em 2,00% pela 85.ª semana seguida.
Dólar
A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34. Há um mês, era de R$ 5,20. Considerando apenas as 86 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária subiu de R$ 5,00 para R$ 5,40.
A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40. Há quatro semanas, era de R$ 5,28.
A projeção para o fim de 2028 passou de R$ 5,20 para R$ 5,40. Há um mês, era de R$ 5,30. A estimativa para 2029 aumentou de R$ 5,28 para R$ 5,45. Há um mês, era de R$ 5,33.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
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