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Galípolo diz que é preciso reconhecer que situação melhorou desde a conclusão da alta dos juros

Presidente do Banco Central afirma que inflação se comportou melhor do que o esperado com Selic alta, mas ressalta resiliência econômica e mercado de trabalho apertado

9 fev 2026 - 14h16
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu nesta segunda-feira, 9, que houve "melhora" no cenário inflacionário desde o momento em que a autoridade monetária optou por interromper a escalada da Selic e mantê-la em 15% por um período "bastante prolongado".

"Existe a necessidade de se reconhecer que houve melhora entre período que concluímos a alta de juros e agora. Existe melhora nas expectativas e na inflação corrente", afirmou, durante evento sobre estabilidade financeira organizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Galípolo explicou que a inflação se "comportou melhor" em um ambiente de Selic restritiva do que se esperava, mas que a atividade econômica também se mostra resiliente. "Temos evidências de mercado de trabalho apertado", ressaltou.

O banqueiro acrescentou que a política monetária atravessou diferentes momentos. Primeiro, houve a elevação de juros, em um cenário em que as expectativas de inflação "namoravam" com o nível de 6%. Naquela época, a inflação de alimentos chegou perto de 17%, lembrou.

Gabriel Galípolo agradeceu o apoio do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad na condução do caso Master
Gabriel Galípolo agradeceu o apoio do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad na condução do caso Master
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Galípolo reiterou a posição de "parcimônia e cautela" na política monetária, para garantir a convergência da inflação à meta. Apesar de ver "melhora" na situação inflacionária, ele destacou que as expectativas acima da meta "incomodam bastante", enquanto os dados ainda indicam uma economia resiliente.

"Esta não é a volta da vitória, porque há dados mostrando resiliência econômica", afirmou. Galípolo explicou que os riscos associados à política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se materializaram, mas não conforme o esperado.

Segundo ele, surgiu um cenário em que há uma "correlação inusitada" em momentos de aversão ao risco, que agora se revela benigna para mercados emergentes. "Isso é contraintuitivo ao que espera", ressaltou.

Neste ambiente, o Brasil é visto "como proteção" para investidores por menor ligação com os Estados Unidos no cenário tarifário, disse Galípolo.

Banco Master

O presidente do BC agradeceu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio à condução do BC para o caso Master, que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro.

"Eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo Lula como presidente", afirmou. Galípolo citou declarações em que o petista reforçou a autonomia do BC e da Polícia Federal. Segundo ele, o apoio fornece "certeza e tranquilidade" para o trabalho de supervisão, além de ajudar pela experiência de Lula. "O que essa experiência traz para que a gente consiga desenvolver nosso trabalho é muito importante", destacou.

O presidente do BC afirmou que a liquidação extrajudicial do Banco Master deixou uma série de lições, entre elas a importância de se criar mecanismos de enforcement para garantir o casamento entre ativos e passivos de uma instituição financeira.

Ele explicou que a regulação não proíbe bancos de fazerem captação com instrumentos a taxas superiores ao CDI. "Isso não configuraria um objeto para fazer atuação de liquidar o banco", disse.

A principal questão se referia ao lado dos ativos do Master, de acordo com ele. Ao longo do ano passado, o banco começou a enfrentar incertezas sobre credibilidade e dificuldade para continuar fazendo as captações, o que impõe restrição de liquidez, lembrou. "Não conseguir captar deveria afetar o crescimento, não a liquidez ou solvência de um banco", ressaltou.

No final de 2024, a diretoria de fiscalização do BC, então, convocou a gestão do Master para um termo de comparecimento, o que dá à instituição seis meses para apresentar devidas correções de liquidez, governança e patrimônio, disse Galípolo.

Em janeiro de 2025, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, começou a levantar dúvidas sobre as negociações de carteiras. "O normal é que se comece fazer venda de ativos para reforçar liquidez. O que soou estranho era a formação de novas carteiras em meio a dificuldades", comentou Galípolo.

Em fevereiro, ainda de acordo com o banqueiro central, foi constituído um grupo específico para fazer as diligências sobre o caso. O Master apresentou a primeira versão do parecer de liquidez à diretoria de fiscalização, que "não encontra evidências da existência de carteiras". "O diretor de fiscalização foi o primeiro a dar o cartão amarelo", destacou Galípolo.

Estadão
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