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Investidor critica 'narrativa da desigualdade' e diz que ricos não são valorizados por criar emprego

Participante do Shark Tank argumenta que bilionários criam empregos e pagam impostos significativos, contribuindo para a sociedade

4 fev 2026 - 16h36
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A crescente desigualdade de riqueza se tornou uma preocupação central em todos os níveis de renda — desde o movimento Occupy Wall Street até petições lideradas pelos ultrarricos exigindo impostos mais altos para os ricos.

O astro do programa Shark Tank e investidor Kevin O'Leary não acredita que o aumento da riqueza dos bilionários deva ser demonizado quando se trata da desigualdade de renda nos Estados Unidos.

"Não reconhecemos que esses empreendedores extremamente bem-sucedidos criam centenas de milhares de empregos nos Estados Unidos — se não milhões", disse O'Leary recentemente no podcast On Balance with Leland Vittert, da NewsNation.

Kevin O'Leary, empresário do Shark Tank dos EUA, diz que bilionários não são reconhecidos
Kevin O'Leary, empresário do Shark Tank dos EUA, diz que bilionários não são reconhecidos
Foto: Reprodução Shark Tank US/Sony / Estadão

"Todas essas pessoas pagam impostos e, depois, acabam devolvendo toda a sua riqueza para a sociedade", continuou O'Leary. "Eu só queria fazer esse reconhecimento, porque isso se perde nessa narrativa de desigualdade. De verdade, se perde — e isso é um erro enorme."

Em vez de se concentrar na divisão de riqueza e nos problemas de uma economia em formato de "K", O'Leary destacou os méritos filantrópicos e empreendedores dos ultrarricos. Ele citou o fato de que alguns bilionários, como Warren Buffett, estão doando grandes parcelas de suas fortunas, além de mencionar a contribuição de US$ 6,25 bilhões de Michael Dell para as chamadas "Trump Accounts", voltadas a crianças.

Além do crescimento que promovem no mercado de trabalho, o presidente do O'Leary Ventures também argumentou que os ricos já pagam uma grande quantidade de impostos. A Califórnia, segundo ele, estaria "mirando os mais ricos" com o novo Billionaire Tax Act, que prevê a cobrança de um imposto único de 5% sobre o patrimônio total de residentes do Estado com fortuna líquida igual ou superior a US$ 1 bilhão.

Embora os bilionários desembolsem valores maiores em impostos, isso representa uma fatia menor de seus impérios. De acordo com um estudo de 2024 do National Bureau of Economic Research, os integrantes da lista das 400 pessoas mais ricas dos Estados Unidos, da Forbes, pagaram uma alíquota efetiva média de 24% entre 2018 e 2020, ante 30% dos demais contribuintes americanos.

A Fortune procurou O'Leary para comentar o tema, mas ele não pôde ser contatado imediatamente.

Bilionários conseguiram realizar o sonho americano — mas será que outros também conseguirão?

Além de contribuir com mais impostos e estimular a economia, O'Leary também argumentou que alguns bilionários construíram sua própria fortuna e não deveriam ser punidos por terem obtido sucesso financeiro em suas carreiras.

"Quando você fala dessas pessoas ricas que você sugere serem insensíveis, a maioria delas começou do nada. Elas perseguiram o sonho americano. E foram extremamente bem-sucedidas", continuou O'Leary, mencionando mais uma vez Dell, que fundou sua empresa de tecnologia, hoje avaliada em US$ 79 bilhões, em seu dormitório universitário. "Precisamos de mais mil Michael Dells."

O'Leary defendeu que os EUA deveriam tentar preservar seu espírito empreendedor, permitindo que os fundadores tivessem sucesso sem entraves.

"A principal exportação dos Estados Unidos não é energia, não é tecnologia, é o sonho americano. E é exatamente isso que o empreendedorismo representa: a ideia de que não se trata da busca pela ganância e pelo dinheiro, mas sim da busca pela liberdade pessoal", disse O'Leary. "Só nós podemos proporcionar isso permitindo que os empreendedores façam o que fazem."

Ao observar a lista das pessoas mais ricas do mundo, encontramos diversas figuras que construíram suas fortunas do zero: Mark Zuckerberg , Bill Gates e Jeff Bezos ascenderam aos escalões mais altos após levarem vidas relativamente comuns. Eles se tornaram os símbolos do sonho americano — mas será que um pequeno grupo de histórias de sucesso representa a maioria?

Atualmente, a maioria dos americanos está excluída dessa visão. Alcançar os marcos típicos do sonho americano — como ter uma casa no subúrbio, dois filhos e um carro na garagem — custa impressionantes US$ 5 milhões, de acordo com uma análise de 2025 do site de notícias financeiras Investopedia.

É uma quantia exorbitante, US$ 600 mil maior que a estimativa do ano passado e um aumento de quase 50% em relação a apenas dois anos atrás. Enquanto isso, o americano médio com diploma de bacharel ganha apenas US$ 2,8 milhões ao longo de sua carreira.

E a atual economia americana em formato de K só agrava a crise de acessibilidade para os mais pobres; os americanos de renda mais alta veem seus rendimentos e patrimônio aumentarem, enquanto as pessoas de renda mais baixa lutam contra ganhos menores e o alto custo de vida.

A dívida nacional do país, de US$ 38,5 trilhões, pode estar sufocando o sonho americano, de acordo com Kurt Couchman, pesquisador sênior em política fiscal do think tank Americans for Prosperity.

"O aumento da dívida acarreta o risco de um ajuste de contas no mercado de títulos, com consequências potencialmente desastrosas para o povo americano", disse Couchman no ano passado. "As ações de seus representantes no Congresso determinarão se as condições do sonho americano — paz, liberdade e prosperidade — sobreviverão ou se o futuro está em declínio."

Estadão
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