Grupo Arauco investe R$ 2 bi em terminal portuário em Santos para exportação de celulose
Investimento total em infraestrutura logística será de R$ 4,4 bilhões para viabilizar escoamento de 3,5 milhões de toneladas por ano, de Inocência (MS) até o Porto de Santos
Para completar um ciclo logístico de 1.050 km entre Mato Grosso do Sul e o Porto de Santos, a companhia chilena Arauco vai investir R$ 2 bilhões na construção de um terminal portuário na margem direita do porto santista, no bairro da Alemoa. O empreendimento receberá a celulose que sairá da fábrica de empresa em Inocência (MS) e fará o embarque da commodity em navios rumo a mercados externos, principalmente da Ásia.
Toda a operação logística para atender a maior fábrica de celulose do mundo, que ficará pronta no quarto trimestre de 2027, custará em torno de R$ 4,4 bilhões (US$ 840 milhões pelo câmbio atual). Inclui um ramal ferroviário de 50 km, locomotivas, vagões e o terminal em Santos.
No município de Inocência, que tem 8,8 mil habitantes, o grupo chileno do ramo florestal e madeira está erguendo uma fábrica com capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra de eucalipto por ano. Denominado Projeto Sucuriú, é a maior planta industrial da commodity no mundo, com 98% da produção para exportação. Nessa instalação e no plantio de florestas de eucalipto no Estado, a Arauco está investindo US$ 4,6 bilhões, valor equivalente a R$ 24,15 bilhões.
A fábrica, que neste momento emprega um contingente de 11 mil trabalhadores — devendo chegar a 14 mil no pico da obra por volta de julho a agosto — tem previsão de iniciar produção dentro de 20 meses. Por isso, toda a infraestrutura logística terá de estar pronta ao mesmo tempo.
O terminal em Santos é o último pilar desse tripé. É fruto da aquisição da concessão do TUP Alemoa S/A, que pertencia à empresa Terminal Marítimo Alemoa S.A. (Alempor), e que já dispõe de licenças para a construção do empreendimento. Na última quinta-feira, 26, a transação e o projeto de investimento receberam a autorização técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Em até 90 dias, está previsto o aval final do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), após a aquisição da Alempor, ainda dependente de outras condições comerciais e jurídicas, e formalidades societárias e regulatórias requeridas.
"Como Santos tem atualmente limitações de infraestrutura, avaliamos alternativas brownfield (expansão de estruturas já existentes) e greenfield (construção do zero). A opção da empresa foi por um TUP (Terminal de Uso Privativo)", disse ao Estadão Alberto Pagano, diretor de Logística da divisão de celulose da Arauco no Brasil.
Com o aval da Antaq, a empresa já pode adiantar algumas ações, como licenciamento ambiental, informa o executivo. A construção do terminal, numa área de 200 mil metros quadrados, envolve dragagem, berços de atracação de navios, piers, defensas, obras marítimas e onshore (armazenagem da celulose) e vias de acesso rodoviário e ferroviário. Dos três berços, dois serão construídos agora e um no futuro.
A definição do terminal "representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência", disse, em nota, Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.
Navios encomendados na China
O calado do terminal para atracação dos navios será de 14,5 metros. A empresa vai despachar a celulose em embarcações com capacidade de transportar 50 mil a 80 mil toneladas. Pagano informa que foram feitos contratos com armadores internacionais, que já encomendaram navios em estaleiros da China, país de destino da maior parte da celulose.
A empresa prevê 18 meses de obras para o terminal — conclusão em torno de setembro de 2027. Ao mesmo tempo em que as obras da unidade industrial e do ramal ferroviário entre Inocência e a fábrica, de 50 km, também sejam concluídas. "Tudo planejado para acontecer simultaneamente. Não pode ocorrer nada que atrase os embarques de celulose", comenta Pagano.
Para o pacote de investimento em logística e infraestrutura, de R$ 4,4 bilhões, o diretor de logística informa que a Arauco está avaliando todas as opções de financiamento disponíveis. Por exemplo, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM).
Pagano destaca que a operação por via ferroviária vai tirar das estradas até 200 caminhões por dia. Além de segurança, um benefício apontado é a redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir do consumo de combustíveis fósseis.
Do Centro-Oeste ao litoral santista
A viagem da celulose até o terminal em Santos será feita em trens de 100 vagões, cada um com 96 toneladas, sob operação da Rumo Logística, empresa ferroviária do grupo Cosan. O contrato da Arauco com a Rumo é de 10 anos, dividido em dois acordos: um de transporte na própria ferrovia, que passa ao lado de Inocência; e outro, de operação específica (COE), no ramal da Arauco.
A companhia chilena adquiriu para a operação logística 26 locomotivas, fabricadas em Contagem (MG) pela Wabtech, e 721 vagões do grupo gaúcho Randon, montados em Araraquara (SP). Incluindo a construção do ramal ferroviário, o desembolso da empresa nesse pacote é de R$ 2,4 bilhões.
Na construção do terminal portuário em Santos, estão previstos 1.850 funcionários. Para a operação, entre 350 e 400 pessoas. Para o ramal ferroviário, em Inocência, cujas obras foram iniciadas em fevereiro, a contratação é de 1 mil pessoas.