Vorcaro é suspeito de ser dono oculto da Entrepay, e liquidação deve impactar Mastercard e Visa
BC liquidou instituição nesta sexta-feira, 27; diretor Antônio Carlos Freixo Júnior é apontado nas investigações como operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício do dono do Master
BRASÍLIA - As autoridades brasileiras suspeitam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, era uma espécie de "dono oculto" da Entrepay, liquidada pelo Banco Central nesta sexta-feira, 27. O diretor da instituição Antônio Carlos Freixo Júnior - que teve a indisponibilidade dos bens decretada - é visto nos bastidores como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro.
Segundo pessoas que acompanham as investigações, as suspeitas são de que as relações de Vorcaro com a Entrepay seguiam o mesmo modelo das ligações entre o Banco Master e a Reag Investimentos. Uma série de fundos da gestora foi usada em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o ex-banqueiro. Essas ações são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Antônio Carlos Freixo Júnior foi alvo da segunda fase da operação, que investigava as relações entre o Master e a Reag. Ele também foi um dos acusados - junto com o próprio Vorcaro - em um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento fechados. Em dezembro, a CVM rejeitou uma proposta de acordo para encerrar o processo.
A liquidação da Entrepay levou em consideração não apenas o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, mas também a "infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores", como informou o BC em nota. Essa infringência de normas está relacionada justamente às investigações sobre o ecossistema do Master.
Vorcaro está preso desde 4 de março, quando foi deflagrada a terceira fase da Compliance Zero, investigando a existência de quatro núcleos com funções específicas na estrutura criminosa em torno do banqueiro. Atualmente, ele negocia a possibilidade de um acordo de delação premiada.
Liquidação pode impactar Mastercard e Visa
A liquidação extrajudicial da Entrepay pode ter impacto para bandeiras de cartão, uma vez que a empresa servia como adquirente. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, Mastercard, Visa e o próprio Nubank têm alguma exposição à Entrepay. Os efeitos ainda estão sendo avaliados.
Mastercard, Visa e Nubank foram procurados e não responderam até a publicação deste texto.
Em contrapartida, não haverá impacto para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por se tratarem de instituições de pagamento e sociedade de crédito direto, as entidades liquidadas não têm captação por meio de instrumentos garantidos.
Segundo pessoas a par do assunto, não haverá qualquer impacto para o sistema como um todo. O próprio BC informou que o conglomerado Entrepay era de pequeno porte, enquadrado no segmento 4 (S4) da regulação prudencial, com apenas 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).