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Dólar a R$ 5,20: alta pode pressionar alimentos, combustíveis, eletrônicos, medicamentos e viagens

Fatores externos, deterioração das contas públicas, saída de investidores e proximidades das eleições têm pressionado moeda norte-americana

18 ago 2026 - 04h58
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​Dólar fechou a segunda-feira ⁠em queda ‌contra o real, ‌após ‌cinco sessões ⁠consecutivas de altas
​Dólar fechou a segunda-feira ⁠em queda ‌contra o real, ‌após ‌cinco sessões ⁠consecutivas de altas
Foto: Reuters

O dólar teve um leve recuou na segunda-feira, 17, fechando a R$ 5,20, depois de subir com força na última semana, chegando a R$ 5,22, o maior patamar em cinco meses. Entre os elementos que especialistas consultados pelo Terra elencaram para explicar a valorização da moeda americana estão fatores externos e domésticos, com incertezas no cenário internacional, as expectativas sobre os juros nos Estados Unidos, a proximidade das eleições brasileiras e a cautela de investidores estrangeiros com a economia do Brasil.

A permanência da moeda acima desse patamar dependerá da duração das incertezas.  “Não há como cravar, mas os fatores que empurraram o dólar para cima não são de curtíssimo prazo. A incerteza fiscal segue sem sinal claro de solução, o calendário eleitoral se estende até outubro, a tensão geopolítica no Oriente Médio continua sem desfecho e a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos por mais tempo mantém o apetite global por dólar. Enquanto esses elementos não se resolverem, a tendência é de um dólar mais pressionado e volátil”, avalia Vitor Kayo, economista sênior da Nomad

Mesmo com uma visão parecida, Otávio Araújo, economista e consultor sênior da ZERO Markets Brasil, ressalta os riscos que podem prolongar a pressão sobre o real. “A alta pode ser mais do que um movimento pontual, embora ainda não seja possível concluir que o dólar permanecerá definitivamente acima de R$ 5. A duração desse movimento dependerá da persistência dos fatores que provocaram a valorização da moeda americana.”

E tudo isso acontece em um cenário pressionado pela eleições de outubro, o que naturalmente já aumenta a volatilidade. Os investidores costumam observar a trajetória das contas públicas, o respeito ao arcabouço fiscal, a relação do próximo governo com o Congresso e sua postura em relação às estatais, às concessões, aos impostos e ao Banco Central (BC).

“Eleições no Brasil são sempre próximas e os candidatos possuem diferentes opiniões de como conduzir a política econômica, o que naturalmente impacta a cotação do dólar”, acrescenta Senna Duarte, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Como a alta chega ao bolso

Um dos efeitos mais diretos do câmbio aparece nos alimentos. O trigo, por exemplo, é negociado internacionalmente e influencia produtos como pães e massas. Fertilizantes e outros insumos agrícolas também sofrem com a valorização da moeda americana.

“No caso de itens da cesta básica, o repasse cambial costuma ser mais forte e quase imediato em comparação a outros produtos. Isso acontece porque grãos como trigo, usado no pão, milho e soja são precificados em dólar no mercado internacional. Café e arroz têm dinâmica própria, mais ligada à safra interna, mas também não ficam imunes ao câmbio”, afirma Kayo.

Araújo, no entanto, ressalta que a alta do dólar não significa aumento automático e proporcional dos preços. 

“Isso não significa que pão, arroz, café e carnes subirão automaticamente na mesma proporção do dólar. A formação dos preços também depende das safras, do clima, dos estoques, da demanda interna, dos preços internacionais e da concorrência entre produtores e supermercados. No caso do arroz, a oferta doméstica pode ser mais determinante do que o câmbio em determinados períodos. Já o café e as carnes tendem a apresentar maior sensibilidade às condições internacionais.”

Além dos alimentos, combustíveis, medicamentos, eletrônicos e viagens internacionais estão entre os segmentos mais expostos ao câmbio. 

“Os mais expostos são aqueles com custos dolarizados ou que dependem de insumos importados. Combustíveis tendem a repassar rápido porque o preço interno segue de perto a cotação internacional do petróleo, em dólar. Passagens aéreas também respondem rápido, já que boa parte dos custos das companhias, como leasing de aeronaves e querosene de aviação, é em dólar”, ressalta Kayo.

Eletrônicos como celulares, computadores e eletrodomésticos usam componentes importados, como chips, telas e baterias, então o custo de produção também sobe junto com a moeda americana. Medicamentos com insumos ou princípios ativos importados também podem sofrer reajustes. 

A boa notícia é que para produtos nacionais que dependem de componentes estrangeiros, o repasse pode levar semanas ou meses. Isso ocorre porque empresas podem utilizar estoques antigos ou absorver parte do aumento dos custos antes de reajustar os preços.

Há algum efeito positivo da alta do dólar

Apesar dos impactos negativos para consumidores e empresas dependentes de produtos importados, o dólar mais alto também favorece determinados setores da economia. O principal beneficiado é o setor exportador, especialmente o agronegócio, mineração e indústrias de base. 

“Os produtos brasileiros ficam mais baratos e competitivos lá fora, e o exportador passa a receber mais reais por cada dólar vendido. A ressalva é que boa parte desses mesmos exportadores também depende de insumos e máquinas importadas, então o ganho não é automático nem uniforme entre os setores”, pondera Vitor Kayo.

O turismo também tem um lado positivo, já que fica mais caro viajar para fora, mas o Brasil se torna um destino mais atrativo e barato para turistas estrangeiros. 

Fonte: Portal Terra
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