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Galípolo: 'Agradeço a Deus por passar por um processo como o caso Master tendo Lula como presidente'

Presidente do BC elogia experiência de Lula e apoio do ministro da Fazenda em meio à crise financeira do Banco Master

9 fev 2026 - 11h51
(atualizado às 12h00)
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, agradeceu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio à condução do BC para o caso Master, que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro.

"Eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo Lula como presidente", afirmou. Galípolo citou declarações em que o petista reforçou a autonomia do BC e da Polícia Federal. Segundo ele, o apoio fornece "certeza e tranquilidade" para o trabalho de supervisão, além de ajudar pela experiência de Lula. "O que essa experiência traz para que a gente consiga desenvolver nosso trabalho é muito importante", destacou.

Galípolo diz que, ao longo do ano passado, o banco começou a enfrentar incertezas sobre credibilidade e dificuldade para continuar fazendo as captações, o que impõe restrição de liquidez
Galípolo diz que, ao longo do ano passado, o banco começou a enfrentar incertezas sobre credibilidade e dificuldade para continuar fazendo as captações, o que impõe restrição de liquidez
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O presidente do BC afirmou que a liquidação extrajudicial do Banco Master deixou uma série de lições, entre elas a importância de se criar mecanismos de enforcement para garantir o casamento entre ativos e passivos de uma instituição financeira.

Ele explicou que a regulação não proíbe bancos de fazerem captação com instrumentos a taxas superiores ao CDI. "Isso não configuraria um objeto para fazer atuação de liquidar o banco", disse.

A principal questão se referia ao lado dos ativos do Master, de acordo com ele. Ao longo do ano passado, o banco começou a enfrentar incertezas sobre credibilidade e dificuldade para continuar fazendo as captações, o que impõe restrição de liquidez, lembrou. "Não conseguir captar deveria afetar o crescimento, não a liquidez ou solvência de um banco", ressaltou.

No final de 2024, a diretoria de fiscalização do BC, então, convocou a gestão do Master para um termo de comparecimento, o que dá à instituição seis meses para apresentar devidas correções de liquidez, governança e patrimônio, disse Galípolo.

Em janeiro de 2025, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, começou a levantar dúvidas sobre as negociações de carteiras. "O normal é que se comece fazer venda de ativos para reforçar liquidez. O que soou estranho era a formação de novas carteiras em meio a dificuldades", comentou Galípolo.

Em fevereiro, ainda de acordo com o banqueiro central, foi constituído um grupo específico para fazer as diligências sobre o caso. O Master apresentou a primeira versão do parecer de liquidez à diretoria de fiscalização, que "não encontra evidências da existência de carteiras". "O diretor de fiscalização foi o primeiro a dar o cartão amarelo", destacou Galípolo.

Trabalho bem fundamentado

O presidente do Banco Central afirmou também que a autoridade monetária conduziu um trabalho de diligência "bem fundamentado" até decidir pela liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro do ano passado.

Segundo ele, quando teve a liquidação decretada, o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, com mais de R$ 120 milhões para pagar em CDBs que já não estavam cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A partir de abril do ano passado, o BC trabalhou de forma coordenada com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para impor uma série de restrições. Naquele momento, o FGC começou a pagar integralmente CDBs que estavam vencendo sem custo adicional. "A captação líquida do Master coberta pelo FGC cai R$ 9,2 bilhões em 2025. A captação não coberta cai 2 bilhões. E o aporte do acionista em dinheiro ou em conversões de letras financeiras ultrapassa R$ 2 bilhões", disse Galípolo.

"Então, graças a esse trabalho coordenado com o FGC, foi possível constituir um processo bem preparado de rejeição da compra pelo BRB (Banco de Brasília) e também do voto de liquidação do Master", destacou.

Para Galípolo, o caso Master ilustra as dificuldades na regulação, ainda que o Brasil não enfrente um risco sistêmico. O Banco Central passou por um aumento significativo no número de instituições sob supervisão, em meio a uma redução de pessoal, destacou. O banqueiro central defendeu ainda a discussão sobre autonomia orçamentária do BC. "O Banco Central não quer gastar um centavo que não passe pelo escrutínio público", ressaltou.

Ele afirmou ainda que 2025 foi um ano em que a autoridade monetária precisou reforçar os dois lados do mandato central, o da política monetária e da estabilidade (do sistema) financeiro. "Foi um período de desafios apresentados ao BC", pontuou.

Galípolo reforçou a importância de "não deixar vácuos" nas narrativas, em momento em que boatos circulam rapidamente pela sociedade. Neste sentido, a transparência emerge como um dos grandes desafios para bancos centrais mundialmente, destacou. Ele agradeceu às associações do setor financeiro que declararam apoio ao trabalho do BC ao longo dos últimos meses.

Estadão
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