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França tem mercado especializado em produto prestes a vencer

7 mai 2009 - 15h14
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Lúcia Jardim

Direto de Paris

Especial para o Terra

Preocupados com a diminuição do consumo dos franceses nos supermercados em decorrência da crise econômica, alguns estabelecimentos estão adotando uma nova estratégia que tem feito sucesso no país: a venda, por até um terço do preço, de produtos que estão prestes a ter a data de validade ultrapassada.

A prática já existia na França sob a forma de descontos isolados em produtos, perecíveis ou não, que se aproximavam do fim da data validade. A diferença, agora, é que estão sendo abertas lojas especialmente concebidas com esta finalidade.

Os endereços destes mercados pouco convencionais não são alardeados em publicidade. No entanto, os consumidores de baixa renda habituados a frenquentá-los conhecem os melhores estabelecimentos e os divulgam em fóruns na internet.

A cadeia mais numerosa e popular chama-se Noz, com 160 estabelecimentos na França. E este número só cresce: a Noz abre, em média, duas novas lojas por mês no país, sempre em regiões onde os moradores têm menor poder aquisitivo. A periferia parisiense é a mais bem contemplada com este tipo de negócio.

Bravo e Ferme du Spahi também concorrem neste segmento, mas possuem menos lojas.

A receita de sucesso é simples: em contato com redes tradicionais, como Carrefour e Monoprix, as lojas compram, por entre 15% e 20% a menos que o preço original, lotes de produtos cuja data de validade se aproxima do fim. A clientela destes lugares é atraída por descontos de até dois terços dos valores praticados no supermercado de origem.

"Aqui, eu encontro tudo muito mais barato do que em qualquer outro lugar, então nem vou mais aos outros", diz uma compradora do Ferme du Spahi de Saint-Denis, na periferia norte da capital francesa. "Nunca tive problemas."

Os clientes mais experientes já sabem que quem chegar mais cedo leva os melhores produtos, embora os carrinhos trazendo novos lotes de mercadorias não parem de serem descarregados nas prateleiras.

Economia

Uma lata de ervilhas, por exemplo, custa em torno de 1,50 euro em um supermercado tradicional francês. No Ferme du Spahi, o valor cai para 0,50 euro. Já uma caixa com 12 iogurtes pode sair por apenas 1,55 euro, enquanto em lojas tradicionais não é encontrada por menos de 3,50 euros.

Um outro consumidor, que se identifica como Lionel, reclama do gosto de certos alimentos, mas julga que a economia compensa. "Nunca comi nada podre e nem mesmo ruim. O que acontece é de, às vezes, o gosto estar mais fraco. O mais importante é de não deixar passar a data", atesta, enquanto seleciona um filé de peixe que venceria naquele mesmo dia e custava 2,63 euros, bem menos do que os 6 euros, em média, normalmente pagos em um mercado convencional.

Alimentos vencidos também são vendidos

Também não é raro que estabelecimentos deste tipo ofereçam alimentos que já passaram do prazo de validade, mas, ainda assim, conseguem vendê-los. "Você sabe, quando a gente ganha pouco dinheiro, faz de tudo para pagar menos no supermercado, mesmo que tenhamos de correr certos riscos", disse um cliente do Ferme du Spahir, com o carrinho cheio.

Não é necessário circular muito para encontrar produtos vencidos, especialmente entre os industrializados como farinhas, doces e material de limpeza. A venda de produtos não-perecíveis além da data indicada de consumo, na realidade, é permitida na França, e não acarretaria mal à saúde do consumidor.

"A lei não permite é a venda dos produtos frescos além da validade. Os industrializados e especialmente os em conserva podem ser vendidos com até 10 anos além da data validade, em alguns casos", explica Olivier Dauvers, especialista em distribuição da Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão de Fraudes, ligada ao Ministério da Economia e da Indústria francês.

"O único contratempo é que o produto pode deixar desejar no gosto ou na textura. O refrigerante, por exemplo, pode já estar sem gás. Mas ninguém vai ficar doente por consumir estes produtos", afirma Dauvers.

No entanto, a reportagem Terra encontrou carne de frango - um produto perecível - sendo vendida três dias após o vencimento. Questionado, o dono do estabelecimento não quis se pronunciar sobre o fato.

Os órgão de controle sanitário e repressão de fraudes realizam inspeções rigorosas nestes estabelecimentos. Cadeias maiores de lojas, como a Noz, sofrem visitas regulares dos fiscais e têm, por enquanto, segurança dos produtos garantida - mesmo que por poucos dias.

Lúcia Jardim/Especial para o Terra
Os supermercados especializados em produtos prestes a vencer se concentram na periferia de Paris

Fonte: Invertia Invertia
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