FMI melhora projeção do PIB do Brasil deste ano devido à guerra, mas corta a de 2027
Para o fundo, conflito pode impulsionar crescimento do País, por ser um exportador líquido de energia, em 0,2 ponto porcentual
NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a projeção para o desempenho da economia brasileira neste ano ao incluir em seus cálculos um pequeno efeito positivo da guerra no Oriente Médio, já que o país é exportador líquido de petróleo, segundo relatório publicado nesta terça-feira, 14. O organismo espera que a economia brasileira cresça 1,9% em 2026, aumento de 0,3 ponto porcentual em relação à atualização feita em janeiro.
"Espera-se que a guerra tenha um pequeno efeito líquido positivo em 2026, como resultado de o País ser um exportador líquido de energia", diz o FMI, ao comentar o ajuste feito na projeção para o PIB do Brasil, no relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado como parte das reuniões de Primavera. O fundo calcula que o conflito possa impulsionar o crescimento do País em 0,2 pp neste exercício.
No início do ano, o FMI havia cortado a expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2026, citando como razões os efeitos negativos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De lá para cá, o republicano sofreu um revés na Suprema Corte, que anulou seu poder de taxar o mundo, e a guerra contra o Irã fez os preços de energia dispararem, beneficiando países exportadores, como o Brasil.
Mas, mesmo com a melhora na projeção do FMI, o País ainda deve desacelerar o ritmo de crescimento neste ano em relação a 2025. Na ocasião, o PIB doméstico teve incremento de 2,3%.
Além disso, o Brasil deve crescer neste ano em ritmo inferior ao previsto para a América Latina e o Caribe e ao projetado para as economias emergentes e em desenvolvimento. Ainda assim, a taxa de expansão deve superar a estimada pelo FMI para países como México, Uruguai e Canadá.
O organismo espera que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perca o fôlego e fique em 4% neste ano, ante 5% em 2025. Por sua vez, a taxa de desemprego deve piorar, para 6,8%, contra 6% no exercício anterior.
Menos crescimento em 2027
Para 2027, no entanto, o FMI fez o movimento contrário. O organismo cortou em 0,3 pp sua projeção de crescimento para o PIB do Brasil, para 2%, em relação à atualização da estimativa, feita em janeiro último.
De acordo com o fundo, a desaceleração da demanda global, custos mais altos de insumos, incluindo fertilizantes, e condições financeiras mais restritivas são a razão para o ajuste na projeção anterior.
"Reservas internacionais adequadas, baixa dependência de dívida em moeda estrangeira, grandes reservas de caixa do governo e uma taxa de câmbio flexível são esperados para ajudar o país a enfrentar o choque", diz o FMI.
O relatório estima que a inflação brasileira seguirá em ritmo de melhora e ficará em 3,4% no próximo ano. A taxa de desemprego, contudo, deve continuar em alta e alcançar 7,4%.
PIB global
O FMI reduziu a projeção de crescimento do PIB global de 2026, de 3,3% para 3,1%. A projeção de aceleração em 2027 foi mantida em 3,2%.
O FMI menciona que a piora nas expectativas remete a custos humanitários, danos à infraestrutura e forte interrupção do tráfego marítimo e aéreo devido à guerra no Oriente Médio. O fundo ainda alerta para repercussões secundárias via alta nos preços de commodities e efeitos de segunda ordem sobre expectativas de inflação, especialmente sensíveis a energia e alimentos, além da aversão ao risco nos mercados financeiros.
"A economia global vinha resistindo a choques recentes, mas a guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, voltou a testar essa resiliência", diz o FMI. "O efeito global depende da duração, intensidade e escopo do conflito", acrescenta.
Sobre a inflação global, o FMI prevê uma alta para 4,4% neste ano, ante 3,8% no relatório anterior. Segundo a entidade, a inflação oscilava com algumas divergências, mas estava "em grande medida estável" até o conflito no Oriente Médio gerar aperto moderado das condições financeiras globais e elevar preocupações com novo salto dos preços. Para 2027, o FMI também elevou as projeções da inflação global, de 3,4% para 3,7%.
Em relação ao comércio global, o FMI prevê uma alta de 2,8% em 2026, superior aos 2,6% previstos em janeiro, após mudanças na política de tarifas dos Estados Unidos. A entidade destaca que esse ambiente tem incentivado países a concluir negociações e formar novas parcerias, citando o acordo da União Europeia (UE) com o Mercosul. Para 2027, o FMI estima um crescimento ainda maior do comércio, de 3,1% no relatório de janeiro para 3,7% agora em março./Com Darlan de Azevedo