Ex-Evino assume Vila Porto, importadora capixaba de vinhos, com missão de triplicar negócio
Ari Gorenstein, novo diretor-geral da Vila Porto Vinho, quer triplicar em cinco anos o resultado do grupo, que tem sede em Vila Velha (ES)
Apesar de ser a maior importadora de vinhos do Brasil, como uma trading, a Vila Porto ainda é pouco conhecida dos consumidores quando o assunto são tintos e brancos. Mas o empresário João Bosco Campos, que fundou a empresa 22 anos atrás, e seu filho João Pedro Campos querem mudar este cenário e ganharem a preferência do consumidor na escolha de que vinhos comprar. Para isso, acabaram de contratar o executivo Ari Gorenstein, fundador da Evino, e que até dezembro de 2024 era o Co-CEO da Víssimo Group, responsável pelas importadoras Grand Cru e Evino.
Gorenstein assume com planos ambiciosos como diretor-geral da Vila Porto Vinhos. Sua missão é triplicar em cinco anos o resultado do grupo, que tem sede em Vila Velha, no Espírito Santo, com os vinhos. Atualmente, os vinhos de importação e distribuição própria da Vila Porto representam 6% dos negócios desta empresa que tem foco em logística, e que deve faturar entre R$ 770 milhões e R$ 800 milhões em 2025.
"Mas nossa meta é que esses vinhos representem 15% até 2030", informa João Pedro Campos, hoje diretor de distribuição do grupo, que atua nos segmentos de importação, distribuição, logística e transporte de bebidas e alimentos.
A Vila Porto chegou neste segmento como trading e consultora aduaneira para empresas que precisam importar os vinhos para o Brasil. Teve a Expand, que liderava o segmento no final da década de 1990 e na virada do século, como grande cliente, até a empresa enfrentar problemas financeiros em meados da primeira década dos anos 2000.
A Concha y Toro, maior grupo vinícola chileno, se tornou cliente em 2007 e segue até hoje, como grande responsável pelo volume enorme de garrafas importadas. Atualmente, a Vila Porto traz ao redor de 35 milhões de garrafas por ano para o Brasil, entre a operação da VCT (o braço da Concha y Toro no Brasil), a importação para outras empresas e os vinhos de importação própria.
E foi exatamente o conhecimento do mercado que levou a Vila Porto a se diversificar na área do vinho, deixando de atuar apenas como trading para investir também em distribuição e na venda direta para o consumidor final. Em 2018, adquiriu a Ville du Vin, loja de vinhos, então com duas unidades, uma no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e outra em Alphaville. E, em 2023, entrou na distribuição de vinhos, aproveitando os seus mais de 50 mil metros de armazém seco, e deu os primeiros passos para atuar com o e-commerce.
Maior presença em vinhos premium
A chegada de Gorenstein é para crescer em vários segmentos. "Há muito o que construir na distribuição de vinhos e há muita sinergia entre as atividades da Vila Porto", afirma o novo diretor. Entre os desafios de Gorenstein, o primeiro é aumentar a presença nos vinhos premium.
"Somos os maiores importadores de Almaviva, com 7 mil garrafas por ano, e da Don Melchor, com 6.500 garrafas, e estamos prospectando novas vinícolas", afirma João Pedro Campos, sobre duas marcas bastante conceituadas do Chile. No catálogo, contam com a exclusividade com vinícolas como a Kaiken, braço argentino da chilena Viña Montes; a portuguesa Ravasqueira, e a espanhola Faustino, entre outras.
O segundo é ter também um foco nos vinhos de maior volume e no e-commerce. Aqui, o nome de Gorenstein é importante, pela sua atuação no e-commerce da Evino, empresa que nasceu atuando no mercado online de vinhos.
E, por fim, tem o plano de crescer com franquias. Atualmente, são quatro lojas franqueadas, duas em São Paulo (SP), uma em Teresina (PI) e uma em Recife (PE). E há um plano de expansão em elaboração, que deve chegar a 50 lojas em cinco anos.
Para assumir o novo cargo, Gorenstein saiu do conselho de administração da Víssimo, mas continua como acionista da empresa. "Era natural que Gorenstein voltasse a atuar nesta indústria", afirma Marco Leal, que era o co-CEO da Víssimo junto do executivo. Há cerca de um mês, o próprio Leal deixou o cargo de CEO para atuar apenas no conselho de administração.
Em seu lugar, assumiu Antony Martins, que fundou a Westwing Brasil, uma das maiores plataformas de e-commerce de decoração e lifestyle do país, e, em seguida, trabalhou na Ammo Varejo, holding responsável por marcas como MMartan, Artex e Casa Moysés. Atualmente, Martins é também um franqueado da Grand Cru, com uma loja no Shopping Center Norte, em São Paulo, mas deve sair da franquia para se dedicar a gestão da holding.