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Europa e Ásia podem ganhar mais peso na exportação de café do Brasil se tarifaço dos EUA for mantido

Atualmente, 16% das exportações brasileiras de café têm como destino os Estados Unidos; ampliação pode ser para Alemanha, Bélgica, Japão, Coreia do Sul, China e Austrália

31 jul 2025 - 15h37
(atualizado às 16h41)
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A imposição da tarifa de 50% sobre o café brasileiro pelos Estados Unidos, com vigência prevista para 6 de agosto, deve provocar uma profunda reorganização nas rotas comerciais do setor. O Brasil, principal exportador global de café, ainda busca reverter a decisão, mas também se movimenta para ampliar embarques a destinos como Alemanha, Bélgica, Japão, Coreia do Sul, China e Austrália, mercados que já compram o produto brasileiro e que agora ganham força como alternativa à dependência norte-americana.

Segundo o gerente de Inteligência de Mercado Café da StoneX, Fernando Maximiliano, o movimento esperado é de redirecionamento comercial, com exportadores de países como Colômbia, Honduras e Guatemala — que hoje enviam parte significativa do café arábica à Europa — direcionando esses volumes para os EUA, onde o preço tende a subir.

Brasil se movimenta para buscar alternativas de mercado à produção de café, se o tarifaço for mantido para o setor
Brasil se movimenta para buscar alternativas de mercado à produção de café, se o tarifaço for mantido para o setor
Foto: Miguel Pessoa/Estadão / Estadão

"O Brasil passaria a ocupar o espaço deixado por esses países nos mercados europeus e asiáticos. Não se trata de abrir novos mercados do zero, mas de realinhar rotas já existentes", disse ao Estadão/Broadcast.

Dados mostram que 16% das exportações brasileiras de café têm como destino os Estados Unidos, que por sua vez compram 34% do café importado do Brasil.

"É praticamente impossível substituir o Brasil como fornecedor ou os EUA como destino de 8 milhões de sacas. O que teremos será uma distorção na cadeia global de suprimento", avalia Maximiliano.

No curto prazo, o efeito tende a ser duplo: pressão sobre os preços internos no Brasil, com maior disponibilidade do grão no mercado doméstico, e aumento da inflação para o consumidor americano, que já enfrenta uma alta acumulada de mais de 30% nos preços do café nos últimos 12 meses.

"Os dois lados perdem. O Brasil venderá com desconto, e os americanos pagarão um prêmio. A indústria dos EUA será fortemente impactada nas margens", aponta.

Apesar do movimento de diversificação, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) avalia que o impacto da tarifa sobre a presença do produto no mercado americano tende a ser limitado.

Para o presidente da entidade, Márcio Ferreira, as características sensoriais do café brasileiro dificultam sua substituição. "Mesmo que tenha que pagar mais caro, o consumidor final prefere isso a abrir mão do seu produto favorito", afirmou, durante coletiva para comentar os resultados da safra 2024/25.

Segundo Ferreira, mesmo com a tarifa, o café brasileiro tende a continuar competitivo frente a outros produtores. "Enquanto a Colômbia vende com prêmio sobre a bolsa, o café brasileiro, mesmo com qualidade crescente, ainda é vendido com desconto. A tarifa acaba se diluindo sem mudar o hábito de consumo", disse.

Além da movimentação natural dos agentes de mercado, o governo brasileiro também atua para mitigar os impactos. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o Ministério da Agricultura, junto com o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), está mapeando destinos que possam absorver parte do café afetado pelas restrições.

Uma das frentes envolve ampliar a promoção comercial do café na China e na Austrália. A estratégia inclui ações diplomáticas, articulação com câmaras de comércio e ativação da rede de adidos agrícolas para buscar novos importadores.

O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, pondera que o redirecionamento das exportações não será imediato. "Ampliar mercados e volumes leva tempo e exige investimento. O governo tem se proposto a isso. Mas não é algo que muda do dia para a noite, como virar uma chave em 1º de agosto", afirmou, durante coletiva para comentar os resultados da safra 2024/25.

Ele também destacou a volatilidade da China como importadora. "Em 2022/23, a China teve um crescimento de mais de 270% nas importações. Em 2023, tornou-se o sexto maior importador. Mas, em 2024, as compras da China caíram 35%, enquanto os Estados Unidos aumentaram em 34%", disse.

O cenário se torna ainda mais desafiador diante da redução na safra brasileira de arábica, prejudicada por condições climáticas adversas. A estimativa da StoneX é de 38,7 milhões de sacas em 2025, um dos menores volumes recentes.

Para Maximiliano, a reação do mercado dependerá também das condições climáticas nos próximos meses, especialmente em relação às chuvas que influenciarão a florada e o potencial da próxima safra. "É uma conjuntura que envolve fundamentos apertados, cenário climático incerto e um choque comercial com impactos ainda difíceis de mensurar por completo."

Apesar de a medida estar prevista para entrar em vigor no dia 6 de agosto, há crescente expectativa de que o café possa ser retirado da lista de sobretaxas. Negociadores e representantes da indústria apontam que a exclusão do produto da tarifa de 50% pode ser anunciada já nos próximos dias, mostrou o Estadão/Broadcast.

O secretário do Comércio americano, Howard Lutnick, reconheceu publicamente que o país pode reconsiderar a inclusão de produtos como café, abacaxi e manga. A pressão também parte da indústria local: a National Coffee Association (NCA) formalizou pedido à Casa Branca para que o café seja excluído das tarifas, independentemente da origem.

Caso a tarifa seja mantida, o que se desenha é um novo mapa global para o café, com o Brasil reposicionando suas exportações e os Estados Unidos arcando com os custos de uma cadeia comercial tensionada.

Estadão
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