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EUA e UE desafiam hegemonia da China em terras raras

5 fev 2026 - 17h01
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Governo Trump anuncia planos para estocar minerais vitais para a indústria americana e quer bloco comercial temático. Enquanto isso, UE busca aliança com Washington para garantir seu lugar nessa corrida.Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) anunciaram novas estratégias nesta semana para fazer frente ao domínio da China sobre os minerais de terras raras, fundamentais para a produção da próxima geração de tecnologias.

O presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou nesta segunda-feira (02/02) o Projeto Vault ("projeto cofre"), um plano para construir um estoque estratégico de minerais críticos, expandir a capacidade doméstica de processamento de terras raras e garantir contratos de fornecimento de longo prazo com fabricantes.

Um dia depois, a UE apresentou planos para uma aliança de terras raras com os EUA para fortalecer sua própria resiliência.

Já na quarta-feira, o vice-presidente americano J.D. Vance fez um discurso, na abertura de um encontro com representantes de importantes países produtores de minerais, no qual defendeu a criação de um bloco comercial de terras raras para desafiar o domínio da China.

Terras raras e outros minerais críticos, como lítio, cobalto e cobre, são essenciais para os setores de veículos elétricos, robótica, inteligência artificial (IA), defesa e energias renováveis.

O que é o Projeto Vault?

Trata-se de uma iniciativa do governo Trump para estocar mais de 50 minerais críticos, incluindo terras raras.

"Durante anos, as empresas americanas correram o risco de ficar sem minerais críticos durante crises de mercado", disse Trump durante o lançamento do projeto na Casa Branca.

O objetivo, segundo Trump, é evitar que as empresas e os trabalhadores americanos sejam prejudicados por qualquer escassez. "Não estamos nos limitando a certos minerais e terras raras. Estamos abrangendo tudo", afirmou o republicano.

A chamada Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA será financiada por um empréstimo de 10 bilhões de dólares (R$ 52,7 bilhões) do Banco de Exportação e Importação dos EUA (Exim) com até 2 bilhões de dólares adicionais em capital privado.

O presidente e diretor do Exim Bank, John Jovanovic, disse à emissora americana CNBC que o projeto cria uma fórmula de parceria público-privada que seria "singularmente adequada e coloca os Estados Unidos em primeiro lugar".

Mais de uma dúzia de empresas se inscreveram para participar, incluindo General Motors, Stellantis, Boeing, GE Vernova e Google. O portal de notícias Bloomberg News informou que três empresas de comercialização de commodities assinaram contratos para lidar com a compra de matérias-primas.

Autoridades afirmam que a iniciativa também visa apoiar a indústria dos EUA, mantendo os riscos da cadeia de suprimentos fora dos balanços das empresas e garantindo uma reserva mineral de 60 dias para emergências.

Aos preços atuais, o orçamento de 12 bilhões de dólares seria suficiente para comprar cada grama de minerais críticos utilizados fora da China por um ano.

Por que Trump lançou o Projeto Vault?

O projeto foi concebido para se contrapor à utilização de longa data que a China faz de minerais de terras raras como moeda de troca geopolítica, especialmente durante a guerra comercial do ano passado com Washington em torno das tarifas de importação.

Atualmente, a China produz cerca de dois terços das terras raras do mundo e refina quase 90% delas, o que lhe confere um domínio absoluto sobre o fornecimento global.

Pequim tentou, por duas vezes, impor controles às exportações de terras raras durante as negociações comerciais entre EUA e China, apenas para relaxar as restrições à medida que as tensões diminuíram. Isso serviu como um lembrete de quão rapidamente a China pode usar sua dominância no setor a seu favor.

As restrições causaram escassez imediata de suprimentos e atrasos na produção entre os fabricantes americanos e europeus, acelerando os apelos por uma diversificação desses minerais críticos.

Os líderes chineses já haviam usado as terras raras como moeda de troca anteriormente. Em 2010, Pequim cortou abruptamente as exportações para o Japão durante uma disputa diplomática, abalando as cadeias de abastecimento e os preços.

O estoque de minerais dos EUA é inspirado na Reserva Estratégica de Petróleo, que foi criada em resposta à crise do petróleo da década de 1970, quando um embargo árabe fez com que os preços da commodity quadruplicassem, levando a uma escassez generalizada de combustível.

As novas reservas de terras raras ajudarão a proteger os fabricantes americanos de choques de oferta, ao mesmo tempo que apoiam a produção doméstica.

O Projeto Vault reflete um esforço mais amplo do governo Trump para blindar as cadeias de suprimentos dos EUA contra pressões geopolíticas. No ano passado, o Pentágono gastou quase 5 bilhões de dólares para garantir seu acesso aos minerais.

Em janeiro, um grupo bipartidário de legisladores propôs a criação de uma nova agência governamental com 2,5 bilhões de dólares para estimular a produção de terras raras e outros minerais críticos.

Qual o papel da UE na luta pelas terras raras?

A UE e os EUA compartilham muitas das mesmas vulnerabilidades. A Europa quase não tem capacidade doméstica de refino de terras raras e depende fortemente de processadores chineses para os ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, veículos elétricos e caças a jato.

A Lei de Matérias-Primas Críticas da UE estabelece metas não vinculativas para extração, processamento e reciclagem doméstica, enquanto um novo financiamento visa acelerar projetos de minerais na Suécia, Finlândia e Groenlândia, território do Reino da Dinamarca.

Essas regiões possuem alguns dos depósitos de terras raras mais promissores do bloco - com a Groenlândia oferecendo um potencial particularmente significativo, apesar de seu status de não pertencente à UE, que Trump mencionou recentemente ao apresentar uma nova proposta para colocar a ilha sob controle dos EUA.

Várias empresas europeias, incluindo a alemã Vacuumschmelze, estão expandindo a produção de ímãs permanentes para dar ao continente sua primeira alternativa escalável ao fornecimento chinês.

Depois que Bruxelas propôs esta semana uma aliança em terras raras, o escritório do Representante Comercial dos EUA confirmou nesta quarta-feira que faria uma parceria com a UE e o Japão para "mitigar vulnerabilidades críticas na cadeia de suprimentos".

Um comunicado de imprensa conjunto disse que os parceiros estariam "dando passos significativos para aumentar sua segurança econômica e nacional" ao impulsionar a resiliência no setor de minerais críticos.

Como os EUA trabalham com fornecedores de terras raras?

Representantes de 55 países, incluindo Estados-membros da UE, o Japão e o Brasil, se reuniram no Departamento de Estado em Washington nesta quarta-feira para uma cúpula sobre minerais críticos.

Vance lhes disse que os EUA querem ajudar a construir um bloco comercial de terras raras entre aliados e parceiros que garanta o acesso dos EUA e, ao mesmo tempo, "expanda a produção em toda a zona".

Os países representados na reunião também incluíam fornecedores importantes ou emergentes, como Austrália, Índia e Tailândia, juntamente com consumidores e processadores de terras raras, por exemplo, Coreia do Sul, Alemanha e Canadá.

Várias nações africanas, incluindo a República Democrática do Congo, também estavam presentes. Elas são vistas como parceiras cruciais no fornecimento de outros minerais críticos.

O bloco comercial proposto regularia os preços mínimos dos minerais críticos para impedir que a China aumentasse repentinamente as exportações e praticasse preços abaixo dos de outros países.

"Queremos eliminar o problema de pessoas inundando nossos mercados com minerais críticos baratos para prejudicar nossos fabricantes nacionais", disse Vance. "O investimento é quase impossível e continuará assim enquanto os preços forem erráticos e imprevisíveis."

O Projeto Vault, a aliança EUA-UE-Japão e o planejado bloco comercial de minerais críticos são amplamente vistos como fatores que podem ajudar a impulsionar a proteção a curto prazo e a diversificação a longo prazo em relação à China.

No entanto, muitos analistas acreditam que serão necessários de cinco a dez anos de investimento contínuo para que seja possível representar um desafio crível ao principal produtor mundial, e que isso poderá criar uma abundância de minerais críticos se os países seguirem o exemplo dos EUA e criarem seus próprios estoques.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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