Especialistas elegem os melhores lançamentos de carros em 2010
Em ano de vendas recordes de veículos, as montadoras apresentaram lançamentos que devem modificar o cenário do mercado automotivo brasileiro. Entre os destaques, o novo Uno, que reposiciona o carro de entrada da Fiat no segmento, e a Amarok, que marca a entrada da Volkswagen no mercado de picapes offroad.
"Há mais de vinte anos o Uno se mantinha com o mesmo modelo. O lançamento e o marketing do popular da Fiat foram arrebatadores. As cores estão quebrando a tradição do prata e preto nos carros de entrada. Foi um lançamento surpreendente", afirma José Rinaldo Caporal Filho, consultor especializado no varejo automotivo e sócio-diretor da Megadealer Auto Management.
Até o Salão do Automóvel, no fim de outubro, a Fiat já havia vendido 70 mil unidades do Novo Uno no mercado nacional, segundo a montadora. O sucesso do modelo que vende customização em um veículo de entrada a motivou a ampliar a família e lançar a versão esportiva do popular.
A boa aceitação do Novo Uno já tem feito as concorrentes se mexerem. A Volkswagen anunciou que deverá lançar no mercado nacional um veículo mais acessível do que o Gol, no Brasil. A aposta da Volks neste ano foi a Amarok. "O lançamento da Amarok foi importante porque marca a entrada da Volkswagen no segmento de picapes. Ela (a montadora) está focada no marketing da robustez, apesar de ter explorado o universo da picape automática, para concorrer com Toyota, Nissan e Mitsubishi", explica Valdener Papa, coordenador do curso de concessionárias da Trevisan.
Segundo Papa, este lançamento pode abrir um novo mercado para a Volkswagen e elevar o nível da concorrência no segmento. Desde que foi lançada, em maio, já foram vendidas 2.738 unidades da Amarok no Brasil, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), ao preço inicial de R$ 119.490.
Ainda entre as picapes, mas de menor porte, a nova Montana da General Motors foi toda modificada e, lançada este ano, deve ter suas vendas ganhando fôlego em 2011, explica o consultor da indústria automobilística e ex vice-presidente da GM, André Beer.
Já a francesa Citröen colocou suas fichas no AirCross, lançado em setembro, para aumentar em 40% sua participação no mercado nacional. Com preço a partir de R$ 55 mil, o AirCross foi desenvolvido para concorrer com o EcoSport, da Ford. Desde seu lançamento foram vendidas 2.883 unidades.
A Ford, por sua vez, apresentou em setembro ao mercado brasileiro o Novo Fiesta Sedã, o primeiro de sua nova linha global de veículos. A montadora aposta no novo design, tecnologia e nos itens de segurança para cativar os compradores. "O Fiesta é um dos destaques da indústria automotiva no segundo semestre. Ele foi realmente redesenhado e apresenta várias melhorias", explica Beer.
No universo dos sedãs, também se destacaram os importados. A GM trouxe ao mercado doméstico o Malibu e a Hyundai colocou suas fichas no Sonata. "Creio que o Malibu possa ter impacto no segmento, apesar de importado. Está entre as novidades do ano", aponta Beer. A nova geração do Sonata chegou ao mercado em outubro e deve abocanhar uma fatia de mercado atualmente dominada pelo Ford Fusion.
As coreanas, tanto a Kia como a Hyundai, tiveram 2010 como mais um ano para se firmar como montadoras de qualidade, no mercado nacional, segundo avaliação de Papa, da Trevisan. Para Caporal, as marcas asiáticas se colocaram em lugar de destaque na indústria nacional e devem ganhar ainda mais competitividade com a inauguração de linhas de produção domésticas. "A Hyundai já trouxe o Tucson para o Brasil, em breve demais modelos estarão sendo montados aqui", diz Caporal.
Segundo ele, as boas vendas do Sportage, da Kia, também devem elevar a participação da montadora no País. "A nova Sportage está conquistando o público. Na terceira geração, realmente mostrou renovação", aponta Caporal. Outro lançamento da coreana Kia, o Cerato, também mostra disposição para a briga, na avaliação do consultor. "O preço é muito competitivo, com qualidade padrão internacional", afirma Caporal.
Uma avalanche de lançamentos em 2011
O ano de 2010, apesar do Salão do Automóvel, foi fraco em lançamentos, na opinião de André Beer. Para ele, a crise de 2008 fez com que as montadoras colocassem o pé no freio e segurassem o desenvolvimento de novos carros. Apenas em 2010, quando o mercado revigorou, as empresas saíram correndo atrás do desenvolvimento de produto, explicar Beer. Tem muitos na fase de lançamento, que vão chegar ao público em 2011 e 2012 porque a maturação de um novo carro é de dois anos. O ano de 2010 foi uma pausa", avalia.