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ESG deve ser feito mesmo com redução de lucro, diz estudo

Para 78% dos investidores, investimento em ESG deve ser feito, mesmo com redução de lucro, aponta estudo

18 jan 2023 - 10h33
(atualizado às 10h34)
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ESG deve ser feito mesmo com redução de lucro, diz estudo:

A agenda ESG (governança ambiental, social e corporativa) é um dos pilares que vem ganhando força e deve entrar ainda mais no circuito de negócios das empresas para 2023, independentemente do setor, tamanho e país de atuação. De quebra, tornou-se ponto determinante para investidores tomarem decisões sobre investir ou não em empresas.

Essas são algumas das conclusões da pesquisa feita pela empresa de consultoria e auditoria EY, a Global Reporting and Institutional Investor Survey, que ouviu mais 1.040 líderes financeiros seniores nas empresas e 320 investidores.

O estudo mostra também que 99% dos investidores utilizam as divulgações ESG das empresas como parte de suas decisões de investimento. Mais: 78% dos investidores entrevistados acreditam que as empresas devem fazer investimentos que abordem questões ESG relevantes para seus negócios, mesmo que isso reduza os lucros no curto prazo. 

“Investir em ESG, além de mitigar riscos, proporciona uma proteção dos negócios ao longo do tempo e nos mercados com mais maturidade esse benefício a longo prazo é mais percebido”, diz Leonardo Dutra, sócio-líder de serviços na área de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY para o Brasil.

“A mentalidade em desarmonia desses dois importantes stakeholders pode impactar as organizações, além de prejudicar o bom funcionamento do mercado de capitais e os esforços coletivos contra as mudanças climáticas”, completa ele.

Falta de informações ainda é um entrave

Equacionar a falta de informações ainda é um desafio para as organizações. As empresas ainda estão muito focadas no que veem como pressão de curto prazo de certos investidores, mas eles dizem que não recebem informações robustas sobre a estratégia de crescimento de longo prazo da empresa. 

Mais da metade (53%) das grandes empresas pesquisadas dizem que “enfrentam pressões de ganhos de curto prazo por parte dos investidores, o que impede nossos investimentos de longo prazo em sustentabilidade”. Já 80% dos investidores entrevistados dizem que “muitas empresas não conseguem articular adequadamente a justificativa para investimentos de longo prazo em sustentabilidade, o que pode dificultar a avaliação do investimento”.

Crescimento de longo prazo ou resultado de curto prazo?

“Se pensarmos que ESG garante competitividade de médio e longo prazo, é fundamental que tenhamos os conselhos de administração capacitados com esta matéria e que eles sejam agentes para bancar as estratégias, mostrando ao mercado os dados mais precisos e benefícios do investimento”, diz Ricardo Assumpção, sócio-líder de ESG para a América Latina Sul e Chief Sustainability Officer da EY Brasil.

“Em relação ao objetivo dos investimentos ESG: eles têm relação com melhorar o retorno do investimento ou promover o desenvolvimento sustentável? Uma parte relevante de quem compra produtos financeiros lastreado em ESG, crê na segunda parte, sendo que do ponto vista de investidor é a primeira parte”, completa ele.

Falta de relatórios e insights baseados em dados

O estudo aponta ainda que os investidores não obtêm das organizações os relatórios e os insights baseados em dados de que precisam para justificar suas tomadas de decisão de investimento e sua avaliação sobre o crescimento e o perfil de risco de uma empresa. 

Mais de sete a cada dez afirmam que “as organizações falham em criar relatórios mais aprimorados, abrangendo divulgações financeiras e de ESG, informações essas imprescindíveis para a tomada de decisão”. 

Foto: Adobe Stock / Montagem Homework

Para 76% dos investidores participantes, as empresas são altamente seletivas na escolha das informações sobre ESG fornecem, despertando assim questionamentos sobre greenwashing.

“Com isso, a prioridade para as empresas é se alinhar com os investidores e demais partes interessadas nas divulgações ESG e relatórios, usando como insight os três elementos que a pesquisa identificou: foco, responsabilidade e prestação de contas com transparência”, conclui Dutra.

Redação Dinheiro em Dia
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