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Dólar sobe para R$5,1651 na esteira de escalada do conflito no Oriente Médio

2 mar 2026 - 17h15
(atualizado às 17h35)
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O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, ‌acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à busca por ativos seguros após EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã no fim de semana.

Apesar da pressão, a divisa norte-americana terminou o dia longe do pico do pregão, com exportadores e parte dos investidores aproveitando as cotações mais elevadas para vender moeda.

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de ⁠0,60%, aos R$5,1651. Em 2026, o dólar à vista acumula agora queda de 5,90%.

As ações de Estados ‌Unidos e Israel contra o Irã provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, mas também uma reação dos iranianos, que dispararam mísseis contra alvos em uma série de países árabes, como Kuwait, Catar, ‌Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

Nesta segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald ‌Trump, disse que ordenou o ataque ao Irã para impedir o desenvolvimento nuclear de Teerã e ⁠um programa de mísseis balísticos. Trump também prometeu continuar a guerra pelo tempo que for necessário.

Já o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, disse que levará tempo para o país atingir seus objetivos militares no Irã e que são esperadas mais baixas norte-americanas.

A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou a alta dos preços do petróleo e a aversão a ativos de risco, como moedas ‌e títulos de países emergentes.

Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,2146 (+1,56%) às ‌11h02, para depois desacelerar os ganhos ⁠para a faixa dos R$5,16.

"O ⁠dólar subiu demais, então o exportador vende, o investidor desmonta posição comprada, em busca de resultados", comentou durante a ⁠tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Ainda assim, ‌a divisa norte-americana terminou em alta ‌ante o real, em sintonia com o avanço quase generalizado ante as demais moedas no exterior. Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,36%, a 98,421.

"O sinal claro é de aversão ao risco, ⁠de aumentar a busca por ativos de maior proteção, por exemplo o ouro, mais líquidos, e o dólar ganha força, não só perante a moeda brasileira, mas perante todo o mundo", pontuou no início do dia Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.

Com o mercado à vista já fechado no Brasil, surgiu a notícia de que o comandante da ‌Guarda Revolucionária do Irã disse que o Estreito de Ormuz está fechado e que qualquer navio que tentar passar pelo local virará alvo. Cerca de 20% do petróleo mundial é transportado pelo estreito ⁠diariamente.

Em reação, o dólar futuro ampliou um pouco seus ganhos no Brasil. Às 17h18, a moeda norte-americana para abril -- o contrato mais líquido atualmente -- subia 0,83% na B3, aos R$5,2135.

No boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar à vista no fim de 2026 passou de R$5,45 para R$5,42. As projeções, no entanto, foram incorporadas ao sistema do Focus até a sexta-feira -- antes do ataque de EUA e Israel ao Irã.

Já a expectativa no Focus para a taxa básica Selic no fim do ano foi de 12,13% para 12% e no encerramento de 2027 seguiu em 10,50%. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.

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